Protagonismo feminino redefine o agronegócio brasileiro e rompe antigos paradigmas
(Créditos: Jose Antonio Vidal Humanes / iStock)
A presença feminina no agronegócio amplia a diversidade e fortalece novas formas de liderança no campo
O protagonismo feminino, nos últimos anos, evidencia que os papéis de gênero mudaram significativamente com o passar do tempo. A medicina veterinária, por exemplo, tem sido uma das portas de entrada para as mulheres no agronegócio. Mas, antes de adentrarmos nesta questão, vale a pena retroceder um pouco no tempo.
Quando olhamos para o último século, muitas atitudes e costumes mudaram. No processo de desenvolvimento histórico, a mulher possuía um papel que em muitos casos mais parecia uma herança ancestral: a ideia de que foi criada para ser o alicerce da família e a base do lar.
No entanto, o tempo evidencia que estas questões estão em constante movimento e, por este motivo, rumo à superação. Hoje, o protagonismo feminino atravessa uma série de setores do mercado, seja no âmbito político, econômico ou cultural. No agronegócio brasileiro, o movimento não poderia ser diferente.
O campo, por si só, é permeado por uma história de luta que perpassa gerações. No entanto, nos últimos anos, tornou-se palco de luta e protagonismo de muitas mulheres que estão assumindo cada vez mais funções que antes eram exclusivamente masculinas, tanto no que diz respeito às atividades técnicas quanto aos cargos de gestão.
A presença das mulheres no agronegócio brasileiro
A presença feminina no agronegócio é qualitativa e quantitativa, afinal de contas, muitos profissionais estão ocupando posições estratégicas. Atualmente, a presença das mulheres encontra-se na administração de mais de 30 milhões de hectares de áreas agropecuárias.
Este número equivale à cerca de 8,4% da área total usada no campo do país. É importante enfatizar que os dados foram coletados em um estudo realizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Outro dado interessante da pesquisa é que as mulheres já somam, atualmente, 16,2% da força de trabalho no setor, de acordo com os dados apresentados no 7º Congresso Nacional de Mulheres do Agronegócio (CNMA).
Além disso, o último Censo Agropecuário, realizado em 2017 pelo IBGE, indicou que 19% dos estabelecimentos rurais no Brasil possuem mulheres na direção, seja em gestão única ou compartilhada.
Estes números, por sua vez, representam aproximadamente 1,7 milhão de mulheres – um avanço significativo, quando comparamos com os 13% registrados na década passada. Algumas das ações tomadas para fomentar e ampliar ainda mais a participação das mulheres neste universo é o “Prêmio Mulheres do Agro”.
O evento foi desenvolvido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em parceria com a Bayer. A premiação é dividida em três categorias, sendo elas: “Produtora Rural” (categorias “Grande”, “Média” e “Pequena” propriedade) e “Ciência e Pesquisa”.
Além disso, outro tipo de iniciativa que busca colocar as mulheres como protagonistas do campo é o Programa FEAP Mulher Agro SP, de 2025, criado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo com o intuito de disponibilizar acesso a crédito rural para agricultoras paulistas.
Todavia, a força motriz, ou seja, um dos motores para estas mudanças, é o acesso crescente à educação. Nos últimos anos, as mulheres têm buscado crescer cada vez mais no mundo do trabalho e alcançar cada vez mais mercados, como mostram os dados referentes à medicina veterinária.
Mulheres protagonistas nos cursos de medicina veterinária no Brasil
Certa vez, Paulo Freire, grande educador brasileiro, disse que a educação não transforma o mundo. A educação transforma as pessoas, e elas, sim, é que transformam as dinâmicas sociais. Hoje, a medicina veterinária no Brasil está passando por uma transformação inimaginável há algumas décadas no que diz respeito à presença feminina.
O Brasil conta com mais de 118 mil médicos-veterinários em atividade, ou seja, que estão exercendo suas funções. Deste número estatístico, 58,4 mil são mulheres, representando 49%.
Quando olhamos para a década de 1980, o valor era de apenas 20%, visto que a medicina veterinária era majoritariamente um campo de atuação masculino. No fim, o crescimento do protagonismo feminino no campo é um forte indício de um futuro realmente plural, no qual os papéis de gênero tendem a ser menos preponderantes.
Seja no processo de decisão ou participação, a trajetória feminina no campo deixa claro que o agronegócio brasileiro caminha para uma nova etapa de desenvolvimento, tanto no âmbito técnico-científico quanto na ruptura dos paradigmas do passado.