Operação iniciada em Campinas mira esquema suspeito de lavar R$ 200 milhões do tráfico
Ação da Polícia Civil e do Gaeco cumpre 31 mandados em cinco estados e bloqueia ativos ligados aos investigados; apuração começou após prisão por tráfico em Campinas
A Polícia Civil de São Paulo e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, deflagraram nesta quinta-feira (10) a primeira fase da Operação Retirada, que investiga uma estrutura financeira suspeita de movimentar e ocultar aproximadamente R$ 200 milhões relacionados a atividades criminosas, principalmente ao tráfico de drogas.
A investigação tem ligação direta com Campinas. Segundo as autoridades, as apurações começaram após a prisão em flagrante de pessoas envolvidas com o tráfico de drogas no município. Na ocasião, foram apreendidos entorpecentes, cerca de R$ 200 mil em dinheiro e documentos contendo registros de movimentações financeiras.
A partir da análise do material e de informações produzidas por órgãos de inteligência financeira, os investigadores identificaram indícios de uma rede que utilizaria empresas formalmente constituídas, pessoas interpostas, conhecidas como laranjas, e sucessivas transferências bancárias em diferentes regiões do país para ocultar a origem dos recursos e conferir aparência de legalidade ao dinheiro.
Até o momento, as movimentações financeiras analisadas somam aproximadamente R$ 200 milhões.
A investigação é conduzida pelo Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro (Neccold), ligado à Polícia Civil em Campinas, em atuação conjunta com o Gaeco.
Ao todo, estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão em 13 cidades de cinco estados. Em São Paulo, as ações acontecem em Campinas, Nova Odessa, São Paulo, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul.
No Paraná, os mandados são cumpridos em Curitiba, Sarandi e Umuarama. Também há diligências em São João Batista, em Santa Catarina; Rio de Janeiro e Niterói, no Rio de Janeiro; e Goiânia, em Goiás.
A Justiça também determinou a indisponibilidade de até R$ 200 milhões em ativos financeiros vinculados aos investigados, incluindo contas bancárias, aplicações e investimentos.
Durante as buscas, as equipes procuram documentos financeiros e contábeis, registros bancários, celulares, computadores, dispositivos de armazenamento de dados, dinheiro, drogas, armas e outros materiais que possam contribuir para o aprofundamento das investigações.
Segundo balanço divulgado pela Polícia Civil, entre os materiais apreendidos nesta quinta-feira estão R$ 5 mil em dinheiro, diversos dispositivos eletrônicos e 40 comprovantes de depósitos que somam R$ 868,5 mil. Os registros, realizados em um intervalo de dois meses, estariam vinculados a outras empresas que também poderão ser investigadas.
A Operação Retirada busca identificar os responsáveis pela administração da estrutura financeira, individualizar a participação dos investigados, rastrear o caminho percorrido pelos recursos e localizar bens que eventualmente tenham sido adquiridos com dinheiro proveniente de atividades ilícitas.
As investigações continuam para esclarecer a participação de cada envolvido e verificar a extensão do esquema.
Foto: Divulgação/Polícia Civil