Seu cão ou gato tem dois testículos? Um detalhe que pode fazer diferença na saúde dele
Caro leitor, a matéria de hoje é uma parceria com o Dr. Enzo Guglielminetti, médico-veterinário cirurgião, e queremos propor uma observação simples que muitos tutores nunca fizeram: se você tem um cão ou gato macho que não foi castrado, já verificou se os dois testículos estão presentes na bolsa escrotal? Com delicadeza, sem apertar ou causar desconforto, observe e tente identificar duas pequenas estruturas arredondadas, uma de cada lado. Parece um detalhe, mas encontrar apenas uma, ou não conseguir identificar nenhuma, pode indicar uma condição que merece atenção veterinária.
Essa alteração recebe o nome de criptorquidismo. Durante o desenvolvimento, os testículos se formam dentro do abdômen e normalmente descem até a bolsa escrotal. Em alguns animais, porém, um ou ambos não completam esse trajeto e permanecem no abdômen ou na região inguinal, próxima à virilha. Quando apenas um testículo está fora da bolsa, chamamos de criptorquidismo unilateral. Quando os dois estão retidos, bilateral. É uma condição congênita, com componente hereditário, que pode ocorrer tanto em cães quanto em gatos.
E por que isso é importante? Porque o testículo que permanece fora da bolsa escrotal, especialmente dentro do abdômen, fica exposto a uma temperatura diferente daquela necessária para a produção normal de espermatozoides. Mais importante ainda, testículos retidos apresentam maior risco de desenvolver tumores, especialmente em cães, e podem sofrer torção, uma complicação dolorosa que exige atendimento urgente. O fato de o animal parecer saudável ou não demonstrar desconforto não significa que esteja livre desses riscos.
Outro detalhe que costuma surpreender os tutores é que um cão com apenas um testículo na bolsa escrotal ainda pode ser fértil. Se o outro testículo estiver normalmente posicionado e funcional, ele pode produzir espermatozoides e reproduzir. Além disso, o testículo retido continua produzindo hormônios em muitos casos. Portanto, não podemos considerar esses animais naturalmente castrados ou incapazes de gerar filhotes.
O diagnóstico começa com o exame físico. Nós, médicos-veterinários, avaliamos a bolsa escrotal e a região inguinal e, quando necessário, utilizamos a ultrassonografia para tentar localizar o testículo retido. Os testículos normalmente descem ainda nas primeiras semanas de vida, por isso essa avaliação deve fazer parte das consultas dos filhotes. Nos cães, quando um ou ambos não estão presentes na bolsa escrotal aos seis meses de idade, considera-se o diagnóstico de criptorquidismo persistente. A avaliação veterinária também é importante para diferenciar essa condição de outras alterações.
E qual é o tratamento? Nos animais com criptorquidismo confirmado, a recomendação habitual é a remoção cirúrgica dos testículos, incluindo aquele que permaneceu no abdômen ou na região inguinal. A localização determina a abordagem cirúrgica, que pode ser mais complexa do que uma castração convencional. Em geral, também se recomenda retirar o testículo que desceu normalmente, considerando o caráter hereditário da condição e a necessidade de evitar sua transmissão aos descendentes. Apenas acompanhar indefinidamente um testículo retido, sem discutir a indicação cirúrgica, pode deixar o animal exposto a riscos evitáveis.
Então fica nosso convite: se você tem um cão ou gato macho não castrado, observe com cuidado. Consegue identificar os dois testículos na bolsa escrotal? Se percebe apenas um, nenhum ou nota alguma assimetria, não tente apertar, massagear ou forçar a descida. Entre em contato conosco para uma avaliação e, quando houver indicação cirúrgica, o Dr. Enzo Guglielminetti poderá contribuir com o planejamento e a realização do procedimento.
No Clube Buddy, acreditamos que a prevenção também está nos pequenos detalhes que passam despercebidos na rotina. Um exame simples pode identificar uma alteração congênita e permitir o planejamento do tratamento antes que surjam complicações. Às vezes, cuidar da saúde do seu pet começa com algo tão simples quanto perceber que está faltando uma das duas bolinhas.

Dra Cinthia Murias
Médica Veterinária CRMV 27.622/SP
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(19) 99655-4114