“Aprendi a acreditar em mim e a me valorizar”, conta atleta de Holambra que é sétima no mundo em liga de Jiu-Jitsu

Entre o trabalho como diarista em quatro casas e o cuidado dos filhos de 13, 8 e 6 anos, Gislaine Aguiar Silveira, de 32, moradora de Holambra, tem alcançado destaque e grandes resultados em competições nacionais de jiu-jitsu. Foram três em 2026. Todas finalizadas entre a 1ª e a 2ª colocação para atletas de faixa azul, categorias master, pesadíssimo.

O bom desempenho, sempre entre as duas primeiras posições, é marca de sua trajetória no esporte desde o primeiro torneio, regional, disputado em 2025. “Nunca imaginei que entraria numa competição. Fui sem pretensão nenhuma. Fiquei em primeiro lugar na minha primeira, a Premium Cup, que é bem-conceituada na nossa região”, disse.

Natural de Ribeirão Grande, Gislaine praticou boxe tailandês quando mais jovem, antes de se mudar para a Capital Nacional das Flores há cerca de 15 anos. Em uma nova cidade, constituiu família e passou a se dedicar integralmente à criação dos filhos Martin, Manuela e Murilo – este, mais velho, integrante do projeto Lutando Pela Paz, promovido pela Prefeitura para formação de praticantes de jiu-jitsu.

Foi acompanhando Murilo que Gislaine redescobriu sua paixão pelas artes marciais. “Levava ele para o projeto e ficava sentada, torcendo, mas minha vontade era estar lá, no meio deles”, conta. “Tive o incentivo do meu marido, Alexandre, que também é lutador. Tinha receio do que outras mães e pais pensariam. Mas fui pela minha saúde. Estava sedentária, precisando cuidar da minha cabeça, do meu psicológico”.

Os treinos que começaram em Holambra migraram para Jaguariúna, mais direcionados às competições. O ganha-pão, à época garantido pela atividade de motoboy, mudou para limpeza doméstica a fim de organizar a agenda e viabilizar o equilíbrio entre as obrigações de mãe e o desenvolvimento esportivo. “Melhorei a renda e passei a ter um horário mais adequado para melhorar o condicionamento físico, cuidar da família e treinar”, afirma.

As primeiras conquistas levaram à inscrição no IBJJF (Federação Brasileira Internacional de Jiu-Jitsu) – liga em que figura atualmente como sétima, no mundo, em sua categoria. “De cara, fiquei em primeiro lugar no Sul-Americano”.

A rotina de preparação é intensa. Gislaine, para além da academia para fortalecimento, treina com mulheres e também integrantes do time masculino. “Isso me desafia a ser melhor. O jiu-jitsu é uma ferramenta que me permitiu me descobrir. Me fez ter força, acreditar em mim mesma, ter resiliência e disciplina. A me valorizar”, avalia. “Mesmo num ambiente masculino, temos nosso espaço. É físico, é bruto, mas nos ajuda a nos conhecermos. Melhora nossa autoestima. E, claro, nos prepara, inclusive, para podermos nos defender. A capacidade de autodefesa é muito importante para as mulheres hoje em dia”.

Prestes a participar da última competição do ano, em Barueri, no final de novembro, a atleta recebeu um importante incentivo: um novo quimono doado pelo vereador Chiba. “Fiquei muito feliz. Mulher adora ganhar roupa nova”, brincou. “Espero que traga sorte para o torneio que se aproxima”.

Lutando Pela Paz
Moradores de todas as idades, homens e mulheres, interessados em aprender e praticar jiu-jitsu, encontram no projeto Lutando Pela Paz, o mesmo que formou Gislaine, uma alternativa gratuita com aulas às terça e quintas – e também aos sábados. Durante a semana, as turmas se reúnem às 18h e às 20h e, no final de semana, às 9h, sempre sob a tutela dos mestres Rodriguinho e Wagner. As aulas acontecem no Espaço Multimodal de Esportes de Holambra, no Centro (Rua Antônio Damásio Filipini, 188). As inscrições podem ser feitas no local, nos horários de atividades.