Quando começar a fazer a mamografia e por que é tão importante

 

Quando descoberto no estágio inicial, o câncer de mama apresenta chances de cura de até 95%

O câncer de mama é um dos tipos de câncer que mais matam mulheres todos os anos. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta 78.610 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028. Só em 2022, segundo o Ministério da Saúde, a rede pública registrou 60.866 casos da doença em mulheres – 11% delas com menos de 40 anos de idade. A mamografia é o principal exame de rastreio e por meio dela, é possível identificar microcalcificações precocemente e, quanto mais cedo o câncer for descoberto, maiores são as chances de cura.
O Ministério da Saúde recomenda que a mamografia ocorra a cada dois anos, em mulheres de 50 a 69 anos. Mas a Sociedade Brasileira de Mastologia,segue o protocolo da Sociedade Americana de Câncer e orienta o exame anual a partir dos 40 anos.
Diante de dúvidas e mitos que podem surgir sobre o tema, a Dra. Márcia Castilho, ginecologista do dr.consulta, explica como é feita, diferentes tipos, idade indicada e autoexame.

Como é feita a mamografia
O equipamento utilizado é chamado de mamógrafo. Durante o procedimento, os seios são posicionados entre duas placas que fazem uma leve compressão para espalhar o tecido e captar imagens detalhadas por meio de doses baixas de raio-X. Pode causar certo desconforto momentâneo, mas é rápido e seguro.

Atualmente existem diferentes tipos:
bilateral: é a mais comum, pois examina ambas, mesmo que o médico tenha encontrado um nódulo ou alteração em apenas uma.

convencional: usa filmes radiográficos para os registros. Embora ainda seja eficaz, apresenta menor definição e exige mais atenção na interpretação por parte do radiologista;
digital: oferece maior nitidez e melhor contraste, o que facilita a identificação de pequenos indícios, principalmente em mamas densas;
3D: também chamada de tomossíntese, permite uma visualização em camadas, aumentando a precisão e reduzindo a chance de falsos positivos;

Idade indicada para realizar a mamografia:

É recomendada para mulheres de 50 a 69 anos com frequência bienal (a cada dois anos), segundo as Diretrizes para Detecção Precoce do Câncer de Mama do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
A orientação se baseia no equilíbrio entre os benefícios esperados (detecção precoce e diminuição da mortalidade) e os possíveis efeitos adversos, como a exposição desnecessária à radiação, falsos positivos ou procedimentos invasivos que poderiam ser evitados. Vale destacar que entre 60 e 69 anos concentra-se a maior incidência de câncer de mama, como aponta artigo publicado na Revista APS.

Por outro lado, antes dos 50 e após os 70 anos, o INCA se opõe ao rastreamento. No primeiro caso porque a sensibilidade do tecido é maior, elevando os riscos de resultados inconclusivos ou incorretos. Já em idades mais avançadas, a justificativa está relacionada ao aumento de comorbidades e à expectativa de vida.

Exceções ocorrem para quem tem histórico familiar da condição ou mutações genéticas específicas (como BRCA1 e BRCA2), que podem demandar início antecipado e repetições com intervalos menores, sempre conforme orientação médica.

Diferença entre a mamografia normal e com câncer
Exames sem alterações costumam mostrar as mamas com tecido uniforme, sem nódulos, calcificações irregulares ou assimetrias suspeitas. Em contrapartida, quando o câncer é detectado, é comum identificar:

● massas com bordas irregulares;
● microcalcificações agrupadas de forma atípica;
● modificações na densidade mamária;
● áreas de retração do tecido.
Essas imagens não confirmam, por si só, o diagnóstico. Embora a mamografia seja considerada o padrão ouro para rastreamento de tumores, testes complementares (como a ultrassonografia, a ressonância magnética ou a biópsia) podem ser solicitados para validar os resultados.

Autoexame não substitui a mamografia
Apesar de não ser considerado um método diagnóstico, o autoexame é importante para conhecer o próprio corpo e observar possíveis sinais visuais ou modificações nos seios para procurar atendimento profissional, como:
● nódulos palpáveis na região ou na axila;
● secreção sanguinolenta saindo pelo bico;
● alterações na pele (vermelhidão, aspecto de casca de laranja ou retrações);
● mudanças no formato ou posicionamento do mamilo.
Identificar o câncer de mama em fase inicial pode fazer toda a diferença no tratamento, pois lesões pequenas têm maior chance de resposta a terapias menos agressivas e taxas elevadas de cura.
Por fim, vale reforçar que a mamografia é um exame seguro, eficaz e essencial para detecções precoces. Respeitar as faixas etárias indicadas, manter acompanhamento médico regular e buscar serviços confiáveis são passos fundamentais para garantir a saúde feminina.