Amparo cria centro de emergência após quatro mortes por febre maculosa

Município terá pesquisa sobre carrapatos em parceria com o Estado entre 3 e 6 de novembro e reforçará ações de prevenção e atendimento

A Prefeitura de Amparo anunciou na quarta-feira (28) a criação de um Centro de Operações de Emergência (COE) para enfrentar a febre maculosa, após a confirmação de quatro mortes pela doença. Entre as medidas previstas está uma pesquisa para capturar e analisar carrapatos em laboratório, em parceria com a Coordenadoria de Controle de Doenças do Estado de São Paulo.

O município já havia decretado situação de emergência em saúde pública na sexta-feira (23). A criação do centro segue orientações e protocolos do Ministério da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde.

A pesquisa acarológica será realizada entre os dias 3 e 6 de novembro por uma equipe estadual. O trabalho integra um conjunto de ações que envolve manutenção de áreas de risco, fiscalização, comunicação com a população e atualização dos protocolos de atendimento.

Áreas interditadas

Um pesqueiro e um bar que haviam sido interditados deverão realizar sinalização, roçagem, delimitação e fechamento de espaços para impedir a circulação de capivaras, animais que podem hospedar o carrapato transmissor.

As áreas públicas consideradas de risco também passarão por manutenção e sinalização, com fiscalização periódica da Vigilância em Saúde e da Secretaria de Obras. Estão previstos fechamentos de espaços para restringir a circulação desses animais.

A Prefeitura também anunciou campanhas em rádio, redes sociais, televisão, site institucional e carro de som para orientar os moradores sobre os riscos e as medidas de prevenção.

Atendimento e capacitação

Informes técnicos foram encaminhados às redes pública e privada de saúde para reforçar a identificação dos sintomas e a investigação de possíveis contatos dos pacientes com áreas de mata, rios e lagoas. A semelhança entre manifestações iniciais da febre maculosa e da dengue exige atenção durante a avaliação.

O município reforçou a obrigatoriedade de notificação dos casos e informou que mantém em estoque a doxiciclina, medicamento utilizado no tratamento da doença.

Na semana seguinte ao anúncio, estão previstos encontros de alinhamento e capacitação com equipes de pronto-atendimento das redes pública e privada e profissionais da Atenção à Saúde da Família. A administração também pretende criar um grupo de estudos para acompanhar permanentemente a situação epidemiológica.

Quatro mortes confirmadas

As quatro vítimas eram do sexo masculino. O primeiro óbito ocorreu em 12 de julho e o segundo em 29 de setembro. Outras duas mortes foram registradas em 2 de outubro.

Dois dos casos tinham associação com o pesqueiro investigado. A Secretaria Municipal de Saúde informou à EPTV, no sábado (24), que os casos foram confirmados por exames laboratoriais.

Prevenção e sinais de alerta

A febre maculosa é transmitida pela picada de carrapatos infectados pela bactéria causadora da doença. A região de Campinas é considerada endêmica.

A orientação divulgada pelo município é que pessoas que tenham frequentado matas, margens de rios, parques, pesqueiros ou locais com presença de capivaras observem o surgimento de sintomas nos 14 dias seguintes à exposição. Entre os sinais estão febre, dor de cabeça, dores intensas no corpo, mal-estar, náuseas e vômitos.

As recomendações incluem respeitar as interdições, evitar contato com vegetação em áreas de risco, utilizar roupas claras que cubram o corpo e inspecionar a pele e as roupas após passar por áreas verdes.

Caso apareçam sintomas após uma possível exposição, a orientação é procurar atendimento imediatamente e informar à equipe de saúde os locais frequentados.