Bem-estar animal ganha protagonismo nas fazendas brasileiras

(Créditos: andresr /iStock)

Setor agropecuário investe na saúde animal com práticas éticas para evitar barreiras comerciais

No setor agropecuário, os animais frequentemente enfrentam situações de extremo estresse e mal-estar, devido a confinamentos intensivos, transportes irregulares e abates violentos, o que impacta na saúde, produtividade e qualidade dos produtos de origem animal.

Essas práticas ocasionam redução da produção, aumento da mortalidade dos animais e barreiras mercadológicas em mercados exigentes. A União Europeia, por exemplo, pressiona por proibições de gaiolas e manejo inadequado, e a tendência atualmente tem sido a adoção do compromisso com o bem-estar animal na indústria do agro.

Tendências internacionais em favor do bem-estar animal

Ao redor do mundo, tendências internacionais começaram a se posicionar a favor do bem-estar animal, tornando esta pauta um pilar essencial do agro. Atualmente, há exigências de exportação pela Organização Mundial da Saúde Animal, protocolos e ações como redução de antibióticos, obrigatoriedade de anestésicos e inovações para monitorar os comportamentos naturais alinhados à saúde animal.

Com isso, cresce o investimento em profissionais formados em áreas ligadas à saúde animal, o que ajuda a explicar o aumento na procura por cursos relacionados ao tema, como a faculdade de veterinária. Esses profissionais são fundamentais para auxiliar no manejo adequado e implementar ações éticas, visando o bem-estar animal.

Os médicos veterinários no setor do agro atuam para avaliar os ambientes, a nutrição dos animais e os procedimentos. Eles também podem perceber sinais de estresse ou doenças nos animais e orientar os produtores sobre práticas sustentáveis, em conformidade com as normas internacionais.

Entre as principais tendências globais para promover alternativas humanitárias, há:

●      banimento de gaiolas e práticas dolorosas;

●      sensores em fazendas inteligentes para monitoramento;

●      ênfase em Saúde Única, uma das ODS da ONU;

●      fim da marca a fogo;

●      exigências para exportações adequadas.

Pecuária sustentável

Nesse sentido, surge o conceito de pecuária sustentável, representando um conjunto de práticas para equilibrar o crescimento econômico com a preservação ambiental. As principais atribuições são voltadas para evitar degradação do solo, excesso de emissão de metano e perda de biodiversidade.

Esse conceito integra pilares do manejo da pastagem, nutrição adequada para o bem-estar animal e tecnologias para otimizar a produtividade utilizando menos terra do que o usual. Tudo isso visando reciclagem de nutrientes e agricultura regenerativa, em conformidade com a agenda ESG.

➔     Agenda ESG e BEA Score

Para cumprir com os protocolos de saúde animal, os países importadores passaram a demandar certificações para garantir ausência de dor desnecessária em animais e condições éticas na produção de carne e leite. No Brasil, há o BEA Score (Bem-Estar Animal), desenvolvido para avaliar e certificar práticas éticas em criação, transporte e abate.

Há, também, a agenda ESG, que abrange o ambiental, o social e a governança. Nessa agenda, leva-se em consideração a baixa emissão de CO2 e o manejo sustentável, em prol de alinhar demandas internacionais para reduzir as consequências ambientais e focar no bem-estar animal. As empresas que possuem bons indicadores de ética conseguem elevar a competitividade e ter acesso a mais mercados, evitando barreiras comerciais.

Principais consequências do manejo agressivo

Há razões pelas quais o estado do animal impacta na qualidade dos produtos derivados, como carne, leite e ovos, pois, ao serem submetidos a más condições, eles passam a se movimentar mais, possuir mais risco de desenvolver doenças, perder peso e até mesmo a taxa de mortalidade do gado aumenta.

Para evitar as consequências, é preciso trabalhar com paciência, sem gritos e agressões, e garantir um ambiente de tamanho adequado para o animal, além de promover uma boa nutrição. A própria carne fica comprometida na textura, na maciez e no sabor, devido ao pH alterado que animais sob estresse produzem.

Dessa forma, produtores que priorizam o manejo humanitário evitam perdas econômicas, pois não haverá alto índice de mortalidade e descarte, além de seus produtos terem certificações de ética e poderem acessar mercados exteriores exigentes. Seguindo esta lógica, a tendência é de impulsionar a lucratividade sustentável.