Clima e poluição intensificam crises alérgicas

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Entenda como fatores externos influenciam nas crises e veja medidas práticas para tornar os ambientes internos mais saudáveis e protegidos

Os problemas respiratórios são uma questão séria e motivo de discussões entre os especialistas. Isso porque, com as mudanças bruscas nas temperaturas e os grandes centros cada vez mais poluídos, é preciso encontrar alternativas eficientes e seguras que contornem esse problema e permitam a purificação do ar, principalmente dentro de casa.

Essa questão, inclusive, foi uma das abordadas na Conferência das Partes sobre Mudança do Clima, a COP 30.

Segundo Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), embora os fatores genéticos estejam entre as principais causas das alergias, o ambiente em que se vive também influencia diretamente na intensidade das crises. Ou seja, não é apenas uma questão do corpo: o que está ao redor faz diferença.

Temperaturas elevadas, ar poluído e mudanças constantes no clima acabam provocando inflamações na pele e nas mucosas respiratórias, o que favorece o agravamento de quadros de rinite, conjuntivite e até asma.

Por isso, entender como essas questões influenciam os alérgenos, é essencial para saber se prevenir durante todo o ano.

Mudanças de clima e seus efeitos para as alergias

Fungos, ácaros, pólen e outros alérgenos se comportam de maneira diferente de acordo com cada temperatura. No calor, esses agentes se multiplicam por causa da umidade. Já no frio, o principal vilão é o ressecamento do ar, que irrita as vias respiratórias, uma das principais barreiras naturais de defesa.

Antes, era comum que as piores crises alérgicas ocorressem no inverno, o que levava a esses casos eram, principalmente, os danos na camada de proteção do nariz e os ambientes fechados. Hoje, os casos são mais imprevisíveis, acontecendo com frequência até no calor.

O que mais conta hoje é a combinação de fatores entre clima e os problemas causados pelo homem, como queimadas e poluição, que também contribuem para a piora dos quadros de alergia prolongados.

Enquanto o ar quente multiplica e favorece a circulação dos alérgenos, a poluição e a fumaça fragmentam os pólens, deixando-os menores e muito mais agressivos para o sistema respiratório.

Apesar de esse problema parecer pior em ambientes externos, dentro de casa eles também são uma ameaça. Ambientes com pouca ventilação retêm a umidade, criando condições ideais para a proliferação de ácaros e fungos. Outro alérgeno que causa inflamações respiratórias e na pele é a poeira, presente em estofados e nos filtros de ar-condicionado.

Como melhorar a qualidade do ar dentro de casa e reduzir crises alérgicas?

No dia a dia, a prevenção é uma das melhores formas de evitar que as crises alérgicas piorem. Pequenas mudanças na rotina já são suficientes para amenizar a exposição aos poluentes e alérgenos.

Em ambientes internos, a higienização é parte fundamental. Evitar o acúmulo de poeira e ácaros nas roupas de cama e superfícies melhora a qualidade do ambiente. Além disso, no quarto, onde o tempo de permanência é maior, é interessante colocar um purificador de ar para quarto como parte do cuidado.

Na rua e em ambientes externos, os cuidados devem ser ainda maiores. Nos dias de calor intenso, é recomendável evitar atividades físicas fora de locais fechados ou evitar horários muito quentes.

Além disso, áreas mais urbanas, como centros de grandes cidades, costumam concentrar uma maior quantidade de poluentes. Nesses casos, é aconselhável praticar atividades em parques da região.

É possível ainda diminuir as alergias respiratórias fazendo lavagens nasais com soro fisiológico assim que chegar em casa, eliminando os poluentes. Manter-se hidratado e ventilar os ambientes também é uma maneira de ajudar o corpo a não desencadear as alergias.