Energia limpa no campo: os benefícios dos sistemas agrovoltaicos
(Créditos: Frederick Doerschem / iStock)
A energia solar coexistindo com a produção agrícola não apenas transforma a forma de gerar eletricidade, mas também redefine a lógica da produção rural
Dentre as tecnologias que possuem certo destaque na geração de energia solar aplicada ao agronegócio, o MPPT, ou em inglês Maximum Power Point Tracking, é uma das principais. Esta inovação, sem dúvidas, abriu caminho para os agricultores brasileiros caminharem em direção à produção limpa de alimentos em matéria de energia.
Isso porque o MPPT possui a capacidade de maximizar a produção de eletricidade, a partir da radiação solar, potencializando o desempenho dos sistemas fotovoltaicos integrados aos territórios da agricultura, fazendo-os funcionar com máxima eficiência.
Quando olhamos para os últimos anos, em um cenário que discute novamente com mais afinco a relação entre sociedade e natureza, mudanças climáticas e transição energética, os sistemas agrovoltaicos ganharam muita relevância no Brasil, sobretudo nas regiões que possuem potencial latente para esta tecnologia em específico.
O que são os sistemas agrovoltaicos?
Atualmente, a segunda maior produção de energia na matriz brasileira é fotovoltaica, com cerca de 22%, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). Este fator é decisivo, dado que o agronegócio é uma peça essencial do motor econômico brasileiro.
Tecnicamente, também conhecido como sistema agrofotovoltaico, o conceito consiste na ideia de aproveitar ao máximo a mesma superfície de um terreno para obter energia solar, a partir da coexistência dos painéis solares com os cultivares plantados.
A técnica foi concebida em sua gênese por Adolf Goetzberger e Armin Zastrow, em 1981. Porém somente na década passada a concepção começou a ser mais difundida.
No entanto, além disso, o crescimento do agrovoltaico está diretamente ligado à busca por sustentabilidade e eficiência no campo. Quando reduzimos a dependência de energia elétrica tradicional, ou melhor, convencional, os custos operacionais dos produtores tendem a cair em valor e contribuir diretamente para a redução dos impactos ambientais.
Em áreas do território nacional em que existe potencial de geração fotovoltaica, torna-se mais fácil implementar sistemas automatizados, para tornar a produção ainda mais precisa. O processo pode ser feito a partir da adoção de tecnologias como monitoramento remoto, sensores e softwares de gestão.
Hoje, quanto mais inteligente for a produção, mais adaptado às condições climáticas locais torna-se o cultivo, sobretudo se a escolha das sementes e dos insumos for baseada em maximizar o retorno financeiro, considerando questões como ciclo produtivo e demanda externa.
Quais são as vantagens do sistema agrovoltaico?
É importante destacar que a inovação proporcionada pelo agrovoltaico não se limita somente à esfera econômica. Acontece que o sombreamento parcial oferecido pelos painéis cria no espaço microclimas favoráveis para determinados tipos de culturas.
Nestes casos, acabam aumentando a produtividade e reduzindo a necessidade de irrigação intensiva. Nesta perspectiva, a tecnologia contribui diretamente para o uso racional dos recursos da natureza, como a própria água em um cenário de crise e escassez hídrica.
Outro ponto elementar nesta questão, além da sustentabilidade ambiental e do equilíbrio da natureza, é que os sistemas agrovoltaicos impactam positivamente a economia rural.
Por exemplo, ao permitir a venda de energia excedente para a rede elétrica da região, os agricultores conseguem, além de seus cultivares, de sua produção agrícola e agropecuária, gerar uma nova fonte de receita.
O modelo, como um todo, fortalece a autonomia financeira das pequenas, médias e grandes propriedades, incentivando, também, investimentos em tecnologias cada vez mais modernas. Este movimento, por si, cria um ciclo de inovação contínua que beneficia muitos setores.
É importante ressaltar que a geração de energia limpa a partir dos sistemas fotovoltaicos é sinônimo de gestão eficiente e, sobretudo, inteligente dos recursos.
Além de reduzir significativamente a fatura da conta de luz no final do mês, também ajuda o produtor a controlar melhor o consumo em kWh (quilowatt-hora), otimizando cada etapa do processo com base em dados reais, portanto, coletados de fenômenos concretos.
No fim, a popularização do agrovoltaico no Brasil é embrionária e ainda dependente de conscientização e investimento. Embora os custos iniciais de instalação sejam expressivos, a redução de despesas com energia e a possibilidade de venda de excedentes tornam o retorno financeiro viável em médio prazo.
Neste mesmo movimento, o desenvolvimento de tecnologias nacionais para painéis, inversores e MPPT pode acelerar o processo. O futuro, sem dúvidas, é promissor. À medida que produtores adotam estas soluções, o Brasil consolida seu papel na fronteira da integração entre agricultura e energia renovável.