Falsificação de bebidas: um alerta que o Brasil precisa levar a sério
O consumidor faz sua parte, mas o poder público tem que agir com firmeza
“Falsificar garrafas é caro e difícil; por isso, os criminosos preferem usar originais já consumidas.” Li esta semana a frase dita por Gabriel Pinheiro, presidente da Associação de Bares e Restaurantes, expondo uma realidade preocupante: garrafas descartadas inteiras e com tampa viram matéria-prima para o crime. Um gesto simples — quebrar a garrafa antes de jogá-la fora — pode dificultar a falsificação e até salvar vidas, desde que, os devidos cuidados sejam tomados para não machucar as pessoas e os coletores de lixo.
O problema, no entanto, vai muito além do descarte. Estimativas apontam que 36% das bebidas alcoólicas vendidas no Brasil são falsificadas, adulteradas ou contrabandeadas, segundo dados da Associação Brasileira de Bebidas. Esse mercado paralelo gera um prejuízo de mais de R$ 50 bilhões anuais em impostos e representa uma ameaça silenciosa à saúde pública.
Somente em 2025, mais de 160 mil garrafas adulteradas foram apreendidas em diferentes estados brasileiros, com um aumento de 25% nos casos de falsificação de destilados. Por trás desses números, estão vítimas intoxicadas, internações hospitalares e até mortes — muitas provocadas pela ingestão de bebidas contendo metanol, substância altamente tóxica e letal.
Em meio a esse cenário, o Ministro da Saúde recomenda “beber menos e evitar bebidas de desconhecidos”, enquanto o Congresso Nacional discute o aumento das penas para falsificadores, pouco se debate sobre a intensificação da vigilância sanitária e das operações contra fábricas clandestinas, que se multiplicam em ritmo alarmante em todo o país.
É preciso ir além dos discursos. Embora diversos estados realizem operações conjuntas entre Procon, Anvisa e forças policiais, a falta de estrutura, a integração e a continuidade ainda comprometem os resultados. Endurecer leis é importante, mas é a fiscalização que salva vidas.
É fundamental que o Basil pare de transferir ao consumidor a responsabilidade que é do Estado: proteger a população e garantir a segurança dos produtos comercializados. O governo é ágil na cobrança de impostos, mas é lento na hora de assegurar que o que chega à mesa do cidadão não coloque sua saúde em risco.
O momento é de inverter essa lógica, com mais prevenção, mais controle e mais compromisso com a vida.
Aos consumidores vale o alerta: nunca descartar garrafas com tampa e com rótulos, verificar a procedência e desconfiar de preços baixos. Aos comerciantes, cabe a responsabilidade de adquirir produtos de fornecedores legalizados. E às autoridades, o dever de agir com rigor e constância.
Boa Semana, fique com Deus
Nelson Theodoro Júnior
Presidente da ACIMM Mogi Mirim