Mogi Mirim é alvo de operação contra quadrilha que lavou quase R$ 100 milhões com jogos de azar

Mandados foram cumpridos também em outras cidades do interior; grupo usava laranjas e empresas de fachada para ocultar bens

A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (13) a Operação Quebrando a Banca, contra uma organização criminosa envolvida na lavagem de quase R$ 100 milhões por meio da exploração ilegal de jogos de azar. Mogi Mirim está entre as cidades onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão, ao lado de São Paulo, Ribeirão Preto, Santa Rosa do Viterbo e São João da Boa Vista.

A ação foi conduzida pela Divisão Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba, que identificou a atuação de um esquema estruturado com uso de empresas de fachada e uma vasta rede de “laranjas” — pessoas usadas para esconder os verdadeiros donos dos recursos ilegais.

De acordo com o delegado Marcel Willian de Souza, divisionário da Deic de Piracicaba, a investigação teve início após prisões ligadas à prática de jogos de azar. Apesar de ser um crime de menor potencial ofensivo, esse tipo de atividade fomenta delitos graves, como a lavagem de dinheiro e a formação de organização criminosa.

“Identificamos um número muito grande de pessoas que viviam de forma simples, mas movimentaram milhões por mês. Elas são usadas por esses criminosos como ferramentas que ajudam a tirá-los da mira da polícia. Foi um trabalho extenso até chegarmos às verdadeiras lideranças”, afirmou o delegado.

As investigações apontam que o principal líder do grupo movimentou mais de R$ 25 milhões em apenas seis meses de 2024. Ele também apresentou histórico de transações milionárias nos anos anteriores.

A quadrilha utilizava recursos como a compra de imóveis com dinheiro em espécie, aquisição de bens em nome de terceiros e operações de pulverização financeira, como o uso intensivo de transferências via Pix e depósitos fracionados em dinheiro, prática conhecida como smurfing, que dificulta o rastreamento das movimentações.

Durante a operação, foram apreendidos dispositivos eletrônicos, instrumentos utilizados em apostas, veículos e quantias em dinheiro. Uma das empresas investigadas, com capital social declarado de R$ 36 milhões, era destino de valores milionários ligados ao grupo.

Somando todos os elementos levantados — movimentações financeiras atípicas, bens ocultos, capital social de empresas envolvidas e frota de veículos avaliada em cerca de R$ 18 milhões —, a Polícia Civil estima que a organização tenha movimentado um total de R$ 97,2 milhões.

As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos no esquema criminoso.

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Fonte: Agência SP