Mudanças bruscas de temperatura: como proteger seu pet quando o clima muda de repente?
Uma querida tutora, a Val, me procurou desesperada porque Buzz, seu cãozinho, parecia estar passando mal. Ele apresentava episódios respiratórios assustadores, como se estivesse tentando puxar o ar pelo nariz repetidamente. Após receber os vídeos, conversar com a Val e realizar uma anamnese detalhada, percebi que os sinais eram compatíveis com espirro reverso. Orientei os cuidados necessários, incluindo mantê-lo em um ambiente confortável, protegido do frio e das correntes de ar. Com o aquecimento do ambiente, Buzz melhorou, para alívio da Val e meu também!
O espirro reverso é um fenômeno caracterizado por inspirações rápidas, repetidas e ruidosas, geralmente com a boca fechada e o pescoço estendido. Para quem presencia pela primeira vez, a impressão é de que o animal está engasgado ou não consegue respirar. Na maioria das vezes, os episódios são breves e desaparecem espontaneamente. Irritantes como poeira, perfumes, fumaça e alterações ambientais podem desencadeá-los. Mudanças bruscas de temperatura também podem atuar como estímulo em animais sensíveis, embora não seja possível afirmar que tenham sido a causa de um episódio específico sem uma avaliação completa.
E esse é um alerta importante, caro leitor. Em determinadas épocas do ano, podemos enfrentar frio intenso pela manhã, calor durante a tarde e uma nova queda de temperatura à noite. Essas oscilações, especialmente quando acompanhadas de baixa umidade, poeira e poluição, podem irritar as vias respiratórias e agravar doenças preexistentes, como bronquite crônica e asma felina. Tosse persistente, secreção nasal, cansaço e alterações na respiração não devem ser atribuídos automaticamente ao clima, pois também podem indicar infecções ou outras doenças que precisam ser investigadas.
Os cuidados devem ser individualizados. Filhotes, idosos, animais de pequeno porte e pacientes com doenças cardíacas ou respiratórias merecem atenção especial. Nos dias frios, ofereça uma cama protegida do vento, mantenha o ambiente seco e evite mudanças abruptas entre locais muito aquecidos e muito frios. Nos dias quentes, disponibilize água fresca, ventilação adequada e evite passeios nos horários de calor intenso. Roupinhas podem ajudar alguns cães, desde que sejam confortáveis e não provoquem superaquecimento.
Se o seu pet apresentar um episódio semelhante ao de Buzz, procure manter a calma, afaste possíveis irritantes e observe sua respiração. Gravar um vídeo pode ajudar muito o médico-veterinário a diferenciar o espirro reverso de tosse, engasgo e outras alterações respiratórias. Não tente introduzir objetos na boca nem realizar manobras sem orientação. Episódios frequentes ou prolongados precisam ser investigados, e dificuldade respiratória persistente, desmaio ou mucosas azuladas exigem atendimento imediato.
A história de Buzz nos lembra da importância de ter um veterinário de confiança acompanhando a saúde do pet. No Clube Buddy, esse cuidado próximo permite acolher o tutor nos momentos de preocupação, avaliar os sinais apresentados, orientar as primeiras medidas e identificar quando é necessário encaminhar o animal para atendimento presencial. Buzz melhorou após os cuidados orientados, mas cada paciente precisa ser avaliado individualmente. Afinal, prevenir também é reconhecer os sinais que nossos animais apresentam e agir no momento certo.

Dra Cinthia Murias
Médica Veterinária CRMV 27.622/SP
Buddy Clube de Saúde para Pets Instagram: @planobuddy www.buddyvetclub.com
(19) 99655-4114