O custo invisível dos atrasos em obras

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Atrasos na construção civil elevam custos com mão de obra, equipamentos e materiais, enquanto o planejamento eficiente ajuda a reduzir prejuízos e cumprir prazos.

O atraso em uma obra pode provocar sérios prejuízos. Além de comprometer o prazo de entrega, quando uma etapa não é concluída conforme o cronograma, as atividades seguintes podem ser comprometidas, ampliando os gastos desnecessários com mão de obra, equipamentos e materiais.

Números comprovam a dimensão do problema. Um estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estimou que a construção civil poderia deixar de ganhar R$ 59,1 bilhões entre 2023 e 2025 em razão dos atrasos nas obras. O valor corresponde a 8% dos investimentos previstos para o setor no período.

De acordo com a Fiesp, o tempo médio para erguer um prédio padrão no Brasil é de dois anos. Entretanto, o prazo poderia ser reduzido pela metade sem os frequentes atrasos.

O impacto financeiro dos atrasos na construção civil

Levantamento da Turner & Townsend, baseado em mais de 16 mil projetos em 136 países, aponta que cerca de 90% dos grandes projetos de infraestrutura registram desvios de custo e mais de 91% ultrapassam o orçamento, o prazo ou ambos.

Apenas 8,5% cumprem simultaneamente as metas de custo e prazo. Assinado por Luis Del Cistia, diretor de Infraestrutura, Energia e Recursos Naturais da consultoria na América Latina, o estudo classifica esse padrão como Lei de Ferro dos Megaprojetos.

Já uma análise da McKinsey, com mais de US$ 1 trilhão em projetos de capital, indica que 98% dos megaprojetos excedem os custos em mais de 30%, enquanto 77% atrasam pelo menos 40% em relação ao cronograma previsto.

Mão de obra, equipamentos e fornecedores

Os efeitos do atraso atingem diferentes frentes. De acordo com informações da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o alongamento das obras pode gerar custos extras com trabalhadores, aluguel de equipamentos e aquisição de materiais, além de exigir contratações de última hora.

Atrasos podem decorrer de problemas de planejamento e comunicação, retrabalho, falta de mão de obra, dificuldades com fornecedores e condições climáticas. Há também entraves relacionados a burocracias, como aprovações, licitações, fiscalizações e vistorias.

Quando uma etapa depende da conclusão de outra, esses fatores podem comprometer a sequência dos serviços. Além do aumento das despesas, a demora pode adiar a receita do empreendimento, prejudicar o fluxo de caixa e afetar a reputação da empresa.

Planejamento ajuda a conter os prejuízos

Uma das medidas apontadas para reduzir os riscos é investir na preparação antes do início da execução. Segundo pesquisa do Construction Industry Institute, um planejamento inicial mais aprofundado está associado a uma vantagem média de custo de 8,6%, economia de 10%, redução de 7% no prazo de entrega e 5% menos alterações durante a execução, em comparação com um planejamento menos detalhado.

Organização das etapas reduz custos adicionais

Embora imprevistos às vezes sejam difíceis de evitar, acompanhar o cronograma e antecipar necessidades ajuda a reduzir os impactos financeiros. Por isso, o planejamento precisa considerar desde a preparação do terreno até a disponibilidade de maquinário e equipamentos necessários em cada fase da obra.

Entre os aspectos que merecem atenção está a locação de equipamentos para etapas específicas, incluindo a possibilidade de aluguel de compactador de solo em fases de preparação do solo e fundação. A coordenação entre equipes, fornecedores e disponibilidade de máquinas permite identificar possíveis problemas antes que eles comprometam outras etapas.