Ori-Okan convida comunidade para sua defesa de mestrado na UNICAMP no próximo dia 22 de outubro

Seu trabalho contribui para ampliar as formas de produzir conhecimento histórico a partir de epistemologias afro-brasileiras.

Thaíse Pavani (Ori-Okan) apresenta no próximo dia 22 de outubro, às 14h na Sala Multiuso do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual (IFCH-UNICAMP), sua dissertação, (Des)encantando o método: outras formas de produzir história a partir de epistemologias afro-brasileiras na contação de história MARIAS de Ori-Okan, para a obtenção do título de Mestra em História Cultural, na área de Dinâmicas e Linguagens Políticas. O trabalho tem como orientador o Prof. Dr. Rui Luis Rodrigues e como banca examinadora as Professoras Doutoras Josianne Francia Cerasoli (IFCH – UNICAMP) e Caroline Garcia Mendes (UFMT).

A dissertação de Ori-Okan investiga outras formas de produzir conhecimento histórico a partir de epistemologias afro-brasileiras, tomando como referência a contação de história MARIAS, de sua autoria. Partindo da experiência de uma historiadora e artista negra que transita entre a pesquisa, a arte e a educação, o trabalho questiona os limites estabelecidos entre História e criação artística, teoria e experiência, memória e presente. “Esse trabalho propõe um exercício prático de conversa entre a Universidade e a comunidade. Criar pontes é, para mim, a maneira mais bonita de se dialogar. Para isso, foi essencial as políticas públicas de incentivo à cultura e à arte, porque reverberam também na produção de conhecimento acadêmico”, comentou Ori-Okan.

Nesse percurso, sonho, oralidade, brincadeira e ancestralidade deixam de ocupar um lugar secundário e passam a constituir modos de conhecer e narrar. A pesquisa se organiza a partir de quatro referências das cosmologias afro-brasileiras — Exú, Ibeji, Bessen e Loko — compreendidas como princípios metodológicos que orientam diferentes movimentos do fazer histórico: a encruzilhada, o brincar, a transformação e o Tempo. “Me honra muito encerrar um ciclo na pós-graduação de mãos dadas com aqueles que foram os maiores interlocutores deste trabalho: Exú, Ibeji, Bessen e Loko,” afirmou a pesquisadora.
Em diálogo com Conceição Evaristo, Luiz Rufino, Jorge Larrosa, Leda Maria Martins e Sandra Rey, o trabalho acompanha o processo de criação do espetáculo de contação de histórias, MARIAS, como uma experiência na qual diferentes modos de saber, narrar e lembrar se encontram e abrem outras possibilidades de escrita historiográfica. Segundo a historiadora, “(Des)encantar o método, nesse sentido, é permitir que a pesquisa se faça também pela encruzilhada: um caminho aberto aos encontros, aos desvios e à emergência de outras formas de narrar a História.”

Segundo Ori-Okan, este convite especialmente para a comunidade extra-acadêmica se torna singular para que se vejam e entendam a importância de estar nesses espaços. Porque pesquisas estão sendo feitas a partir das construções e das criações culturais que partem de dentro das comunidades também. Afinal, sua obra, objeto da dissertação, MARIAS, tem tudo a ver com isso. Sobre esse lugar que pode estar tanto na academia quanto na rua.

“Pensar em outras epistemologias é reconhecer e valorizar tradições que, em suas próprias práticas, cultivam linguagens e filosofias ancestrais. Ser do candomblé, da comunidade jeje-mahi, é uma das minhas grandes escolas. No chão da roça, sou constantemente convidada a questionar as formas habituais de compreender o mundo. É nesse aprender e desaprender em que a transformação e o encantamento acontece. Agradeço à minha Mãe Gaiaku Suramaya D’Aziri e aos meus mais velhos Doté Jorge D’Bessen e Doté Alcides D’Lissá pelos ensinamentos e cuidados,” finalizou Ori.

SERVIÇO
Defesa do Mestrado – (Des)encantando o método: outras formas de produzir história a partir de epistemologias afro-brasileiras na contação de história – MARIAS de Ori-Okan
Dia: 22/11/2026 (quinta-feira) | Hora: 14h | Indicação etária: LIVRE
Local: Sala Multiuso do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual (IFCH-UNICAMP) | Rua Dom José I, 270/333 – Bonfim, Campinas/SP
Duração: 3h | Entrada: gratuito – aberta ao público
Acessibilidade arquitetônica: SIM

Quem não puder ir até a Unicamp e quiser assistir online, envie uma DM para Ori-Okan solicitando o link https://www.instagram.com/ori.okan/