Pode não ser somente a velhice, seu Pet pode estar sentindo dor

Caro leitor, quando um cão ou gato começa a envelhecer, é comum ouvirmos frases como “ele está mais quietinho porque está ficando velho” ou “já não sobe mais no sofá por causa da idade”. Mas envelhecer, por si só, não deveria significar viver com dor. Muitas mudanças que parecem naturais da idade podem, na verdade, ser os primeiros sinais de alterações articulares, musculares ou de outras condições dolorosas que merecem investigação.

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, um animal com dor nem sempre chora ou manca. Cães podem começar a evitar escadas, hesitar antes de subir no sofá ou no carro, caminhar mais devagar, brincar menos, dormir mais, mudar a postura ou demonstrar irritação quando são tocados. Alguns passam a lamber repetidamente determinada região do corpo. São mudanças pequenas que, quando observadas em conjunto, contam uma história importante.

Nos gatos, os sinais podem ser ainda mais discretos. Um gato que sempre dormiu no alto do armário pode passar a escolher lugares mais baixos. Ele pode ter dificuldade para entrar em uma caixa de areia com bordas altas, deixar de saltar, reduzir a própria higiene, apresentar pelos mais embaraçados, ficar mais isolado ou não gostar mais de ser manipulado. Muitas vezes, a família percebe apenas que aquele gato “ficou diferente”, sem relacionar a mudança à possibilidade de dor.

A dor também não deve ser tratada sem que sua origem seja investigada. Alterações articulares e de coluna são frequentes em animais idosos, mas doenças dentárias, processos inflamatórios, alterações neurológicas, doenças urinárias e até algumas neoplasias também podem provocar dor e mudanças de comportamento. A avaliação veterinária permite entender o que está acontecendo e, quando necessário, indicar exames laboratoriais, radiografias, ultrassonografia ou outros exames de imagem.

Caro leitor, depois de identificada a causa, existem diversas possibilidades para proporcionar mais conforto. O tratamento pode envolver medicamentos, controle adequado do peso, fisioterapia, exercícios adaptados, suplementação e mudanças simples dentro de casa. Tapetes antiderrapantes ajudam animais que escorregam no piso, rampas ou pequenos degraus facilitam o acesso ao sofá e à cama e gatos idosos podem se beneficiar de caixas de areia com entrada mais baixa. O objetivo não é impedir que o pet se movimente, mas permitir que continue ativo com segurança e conforto.

No Clube Buddy, acreditamos que acompanhar o envelhecimento significa também perceber as pequenas mudanças da rotina. Se o seu pet deixou de fazer algo que sempre fez, mudou a maneira de caminhar, está mais isolado ou perdeu o interesse pelas atividades que antes adorava, não atribua automaticamente à idade. Envelhecer é natural. Sentir dor sem receber ajuda não precisa ser. Com diagnóstico, acompanhamento e cuidados adequados, nossos pets podem viver essa fase com muito mais conforto, autonomia e qualidade de vida.

Dra Cinthia Murias
Médica Veterinária  CRMV 27.622/SP
Buddy Clube de Saúde para Pets Instagram: @planobuddy www.buddyvetclub.com
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