Collies e o risco invisível: por que alguns pets reagem mal a medicamentos comuns

Collies, Border Collies, Pastores de Shetland e outras raças pastorais são conhecidas por sua inteligência, beleza e sensibilidade. O que muitos tutores não sabem, porém, é que esses cães podem ter uma mutação genética que os torna extremamente vulneráveis a medicamentos de uso comum. Essa condição, relacionada ao gene MDR1, pode fazer com que o organismo do animal não consiga bloquear o acesso de substâncias tóxicas ao cérebro, gerando sintomas neurológicos graves e, em casos extremos, até risco de morte.

A mutação interfere no funcionamento da glicoproteína P, que atua como um verdadeiro “filtro” entre a corrente sanguínea e o cérebro. Sem essa proteção, fármacos usados para vermifugação, controle de pulgas, diarreia e até alguns antibióticos podem se tornar perigosos. Não se trata de uma reação alérgica, mas de uma deficiência genética silenciosa, que passa despercebida até o uso do medicamento.

Caro leitor, é fundamental entender que não estamos falando de um problema raro. Estudos mostram que mais de 30% dos Collies testados em algumas regiões carregam a mutação, o que faz do teste genético para MDR1 uma ferramenta essencial na medicina veterinária preventiva. Ele pode ser feito com uma amostra de saliva ou sangue, e o resultado permite que o veterinário escolha medicamentos seguros, evitando riscos desnecessários.

É importante reforçar que, mesmo em situações simples como uma vermifugação ou uma coceira de pele, automedicar o pet amado pode ser extremamente perigoso. Comportamentos como sonolência excessiva, desequilíbrio, tremores ou salivação após uso de remédios devem ser levados imediatamente à atenção profissional.

No Clube Buddy, essa atenção contínua faz parte do cuidado. O acompanhamento veterinário online e a orientação individualizada oferecem segurança e tranquilidade para os tutores, especialmente os de raças mais sensíveis. Ter esse suporte ao alcance de uma mensagem faz toda a diferença quando o assunto é saúde preventiva.

Por fim, a melhor forma de proteger seu cão é com informação, orientação de confiança e escolhas conscientes. Testar, prevenir e acompanhar: esse é o tripé do cuidado real. Porque amar também é conhecer as particularidades de quem depende de você — e estar ao lado deles, com carinho e ciência, ao longo de toda a vida.

Dra Cinthia Murias
Médica Veterinária  CRMV 27.622/SP
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