Cismetro sofre ataque cibernético e tem R$ 19 milhões desviados em Holambra
Dois computadores usados em movimentações financeiras foram apreendidos para perícia; consórcio afirma que cerca de R$ 19 milhões foram desviados e que R$ 7,1 milhões já foram recuperados
A Polícia Civil investiga uma fraude bancária que atingiu contas do Consórcio Intermunicipal de Saúde na Região Metropolitana de Campinas, o Cismetro, sediado em Holambra. De acordo com o boletim de ocorrência, as transferências investigadas somam R$ 22.098.097,12.
A investigação apura ataques cibernéticos ocorridos em 22 de julho de 2026, quando valores foram transferidos sem autorização para contas abertas em diferentes estados do país. Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo, dois computadores utilizados nas movimentações financeiras do consórcio foram apreendidos e serão submetidos à perícia.
O caso foi registrado como furto na Delegacia de Polícia de Holambra. A Polícia Civil realiza diligências para esclarecer como ocorreram as transações e identificar os responsáveis pela fraude.
Há divergência em relação ao valor total envolvido. Enquanto o boletim de ocorrência aponta pouco mais de R$ 22 milhões, a superintendente do Cismetro, Ana Filomeno, informou que aproximadamente R$ 19 milhões foram desviados das contas do consórcio.
Segundo o Cismetro, assim que o ataque foi identificado, a Caixa Econômica Federal foi acionada para contestar as transferências, solicitar o bloqueio das contas envolvidas e iniciar o processo de ressarcimento. A contestação foi formalizada em 23 de julho.
Até o momento, mais de R$ 7,1 milhões foram recuperados. O consórcio informou que mantém contato com a instituição financeira e com as autoridades policiais na tentativa de recuperar integralmente os valores.
Dois boletins de ocorrência foram registrados após o ataque, sendo o primeiro de forma eletrônica, em 22 de julho, e o segundo presencialmente no dia seguinte.
A situação foi apresentada aos representantes dos municípios que integram o Cismetro durante uma reunião realizada em 14 de agosto. Atualmente, 33 cidades fazem parte do consórcio, que atua de forma conjunta na prestação de serviços de saúde.
Apesar do prejuízo financeiro, o Cismetro informou que nenhum serviço prestado aos municípios consorciados nem compromissos financeiros da entidade foram prejudicados em razão do episódio.
As investigações continuam para determinar a dinâmica da fraude, a origem dos ataques cibernéticos e a responsabilidade pelas transferências realizadas sem autorização.
POSICIONAMENTO DO CISMETRO
Em esclarecimento encaminhado ao O Regional, o Cismetro informou que, assim que identificou o ataque, ainda em 22 de julho, acionou a Caixa Econômica Federal para contestar as transações, solicitar o bloqueio das contas e iniciar o processo para tentar recuperar os valores. A contestação foi formalizada no dia seguinte.
O consórcio também explicou a diferença entre os cerca de R$ 22 milhões registrados inicialmente no boletim de ocorrência e o montante de aproximadamente R$ 19 milhões apontado posteriormente como efetivamente desviado.
Segundo o Cismetro, após a identificação do ataque foi solicitado o bloqueio de todas as transações realizadas naquela data, incluindo movimentações que eram regulares. Com a posterior consolidação das informações, o consórcio afirma que R$ 19.148.797,18 foram efetivamente transferidos pelos golpistas.
Desse total, R$ 7.178.497,62 já foram recuperados junto à instituição bancária. Conforme os dados apresentados pelo Cismetro, ainda restam R$ 11.970.299,56 a serem recuperados.
O consórcio informou que continua adotando medidas administrativas e judiciais para buscar o ressarcimento integral e mantém contato com a instituição bancária e com as autoridades policiais responsáveis pela investigação.
O Cismetro também assegurou que nenhum serviço prestado aos municípios consorciados ou compromisso financeiro da instituição foi ou será prejudicado em razão do ataque.