Jardinagem como hobby impulsiona floriculturas em São Paulo
Cultivar plantas passou de passatempo ocasional para prática ligada ao bem-estar, ao autocuidado e à reconexão com a natureza nos centros urbanos.
O cultivo de plantas em casa deixou de ser um traço exclusivo de quem tem quintal. Em apartamentos, varandas e até janelas, os brasileiros foram incorporando o verde ao cotidiano com uma consistência que o mercado percebeu antes de a maioria nomear o fenômeno. Mais de 74% dos entrevistados afirmaram ter plantas no quintal ou em casa, segundo pesquisa publicada na Revista Brasileira de Geografia Física. Esse comportamento impulsiona o interesse pela floricultura em São Paulo, especialmente em áreas urbanas, onde a proximidade com o verde dentro de casa compensa a distância dos parques e da natureza aberta.
O crescimento não é passageiro. No Brasil, o mercado de jardinagem e paisagismo cresce de 8% a 10% ao ano, segundo dados de 2024 do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor). Esse ritmo supera vários outros segmentos do varejo e reflete uma mudança de comportamento que a pandemia acelerou, mas que não começou nem terminou nela.
A jardinagem como prática de bem-estar e autocuidado
A relação entre plantas e saúde mental ganhou nome próprio nos últimos anos. A plantaterapia, como ficou conhecida a prática de cultivar plantas com fins terapêuticos, reúne evidências que vão além do senso comum. O contato com vegetação reduz os níveis de cortisol, melhora o humor e estimula a atenção plena de forma quase involuntária, porque cuidar de uma planta exige presença, observação e paciência, três recursos que a vida urbana escasseia.
Para quem cultiva, cuidar das plantas ajuda a aliviar o estresse, melhora a qualidade do ar e estimula uma alimentação mais natural. Esse conjunto de benefícios explica por que a jardinagem cresceu como prática de autocuidado, especialmente entre jovens adultos que buscam alternativas às telas e à velocidade do ambiente digital.
A busca por plantas nativas também aumentou. Arquitetos paisagistas relatam que a demanda por espécies do Cerrado e da Mata Atlântica, antes restrita a projetos especializados, passou a vir de clientes comuns que querem um jardim com identidade local, menor consumo de água e conexão com a biodiversidade brasileira. O movimento é paralelo ao crescimento das Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs), como ora-pro-nóbis e capuchinha, que combinam valor nutricional com facilidade de cultivo em vasos pequenos.
Espécies mais procuradas e tendências de floricultura em São Paulo
O perfil de quem cultiva plantas em casa mudou junto com o produto mais vendido. Suculentas, jiboias e samambaias foram as portas de entrada de muitos iniciantes, por combinarem resistência com visual versátil. Entre as plantas mais vendidas em garden centers estão begônias, girassóis, moreia e ervas como alecrim, além de espécies ornamentais populares para espaços pequenos, como suculentas e espada-de-são-jorge, conhecidas por sua resistência e fácil manutenção.
Hortas caseiras ganharam um espaço que não tinham antes da pandemia. Manjericão, hortelã e alecrim na janela da cozinha deixaram de ser traços de quem tem tempo sobrando e viraram parte da rotina de quem quer controle sobre o que come.
O mercado respondeu a essa demanda com diversificação. Garden centers expandiram o portfólio e ampliaram canais de venda digital. A pandemia triplicou as vendas em alguns estabelecimentos, mesmo com produtos consideravelmente mais caros, e o interesse não recuou depois. A floricultura em São Paulo sentiu esse crescimento com mais intensidade por concentrar uma população urbana grande, com acesso a espaços menores e, ao mesmo tempo, maior poder de compra para investir em plantas e acessórios.
O verde entrou no apartamento. E parece que vai continuar.