Júri reconhece legítima defesa e absolve mulher acusada de matar marido em Mogi Mirim

Conselho de Sentença entendeu que Izabelle Freitas Lima da Silva agiu para se defender após histórico de agressões relatado durante o processo

O Tribunal do Júri absolveu Izabelle Freitas Lima da Silva, de 38 anos, acusada de matar o marido, Leonardo Lira Andrade de Lima, de 29 anos, a facadas em Mogi Mirim. O crime ocorreu em outubro de 2025, no Parque das Laranjeiras.

O julgamento foi realizado na terça-feira, 4 de agosto. O Conselho de Sentença reconheceu a materialidade e a autoria dos golpes, mas acolheu a tese apresentada pela defesa de que Izabelle agiu em legítima defesa.

Ao longo do processo, a mulher relatou que vivia um relacionamento marcado por agressões físicas, psicológicas, ameaças e controle por parte do companheiro. Segundo a defesa, familiares também relataram episódios anteriores de violência, inclusive no próprio dia da morte.

De acordo com as informações apresentadas no processo, na manhã daquele dia Leonardo teria agredido Izabelle, derrubando-a no chão e colocando o joelho sobre o pescoço dela. Mais tarde, ele teria exigido dinheiro para comprar drogas e, após consumir entorpecentes e bebida alcoólica, teria apresentado comportamento ainda mais agressivo.

Ainda segundo a versão apresentada pela defesa, por volta das 18h, enquanto o casal seguia para uma adega, Leonardo teria feito ameaças contra Izabelle. Durante uma discussão, ela utilizou uma faca e desferiu os golpes que provocaram a morte do companheiro.

Um laudo da Polícia Científica constatou a presença de cocaína no sangue de Leonardo. A informação foi utilizada durante o julgamento como um dos elementos relacionados ao contexto apresentado pela defesa.

Inicialmente, após o ocorrido, Izabelle teria informado à Polícia Militar que o marido havia sido ferido por uma terceira pessoa durante uma briga. No entanto, imagens de câmeras de segurança mostraram que os golpes foram desferidos por ela e que não havia outra pessoa envolvida naquele momento.

As gravações foram utilizadas durante a investigação e serviram de base para a denúncia apresentada pelo Ministério Público. Durante o julgamento, a defesa não negou a autoria dos golpes, mas argumentou que as imagens mostravam apenas o momento final da ocorrência e não registravam todo o contexto anterior de violência relatado pela acusada.

Após os depoimentos, o interrogatório da ré e os debates entre acusação e defesa, os jurados acolheram a tese de legítima defesa e decidiram pela absolvição.

Com a decisão, Izabelle foi solta na sexta-feira, 7 de agosto, da Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu, onde estava presa.

De acordo com o g1, o Ministério Público do Estado de São Paulo ainda pode recorrer da decisão caso entenda que o resultado do julgamento não encontra respaldo nas provas apresentadas.

Fonte: g1 Campinas e Região

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