Setembro Amarelo: mudanças de comportamento podem ser sinais de alerta para o suicídio, alerta psicólogo

Setembro Amarelo chega a 2026 reforçando uma discussão que precisa ultrapassar o período da campanha, a prevenção do suicídio e a atenção à saúde mental. Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM/DATASUS) apontam que 16.751 pessoas morreram por suicídio no Brasil em 2024, o equivalente a aproximadamente 46 mortes por dia. Para o psicólogo Paulo Zago Neto, um dos pontos mais importantes na prevenção é compreender que, em muitos casos, o sofrimento não surge de maneira repentina, antes de uma crise, podem existir mudanças de comportamento que funcionam como sinais de alerta.

Os números mostram que o suicídio não está concentrado em apenas uma faixa etária. Em números absolutos, os maiores registros aparecem justamente no período da vida adulta. Foram registrados 3.590 entre pessoas de 30 a 39 anos, 3.490 entre 20 e 29 anos e 3.283 entre 40 e 49 anos. Somadas, essas três faixas representam mais de 60% dos óbitos registrados no ano.

Segundo o especialista, entre os principais sinais de alerta que exigem atenção estão o isolamento social, a perda do interesse por atividades antes prazerosas, alterações significativas no sono e no apetite, queda no rendimento, irritabilidade, desesperança e falas que demonstrem a ausência de sentido ou de perspectiva quanto ao futuro. Outro aspecto que merece atenção é a mudança de comportamento. Uma pessoa que passa a se afastar dos amigos e da família, abandona atividades habituais, ou seja, apresenta uma mudança brusca em sua forma de se relacionar pode estar enfrentando um sofrimento que não consegue verbalizar.

“Não existe uma causa única para o comportamento suicida. Situações como depressão e outros transtornos mentais, perdas significativas, conflitos familiares ou afetivos, violência, abuso de álcool e outras drogas, problemas financeiros, dificuldades profissionais, bullying, isolamento social e experiências traumáticas podem contribuir para o agravamento do sofrimento. É importante evitar explicações simplistas. O comportamento suicida geralmente resulta da combinação de diferentes fatores e de uma dor emocional que, naquele momento, pode parecer insuportável para a pessoa. Observar mudanças e perguntar como a pessoa está pode ser uma atitude fundamental. Uma conversa não coloca uma ideia na cabeça de alguém, mas pode abrir espaço para que ela fale sobre aquilo que está vivendo”, afirma Paulo.

A prevenção passa justamente pela construção de uma rede de proteção. Escutar sem julgamento, acolher, levar o sofrimento a sério e incentivar a busca por ajuda profissional são atitudes importantes. Familiares e amigos também podem ajudar acompanhando a pessoa e reduzindo o isolamento, especialmente quando percebem mudanças significativas ou sinais de agravamento emocional. Em situações de risco imediato, é fundamental buscar atendimento de emergência e não deixar a pessoa sozinha.

Paulo reforça que Setembro Amarelo não deve ser apenas um mês de campanhas e mensagens nas redes sociais. É preciso transformar a conscientização em comportamento, prestar atenção, perguntar, escutar e encaminhar para ajuda quando necessário, pois falar sobre saúde mental é uma forma de prevenção.

Para apoio emocional gratuito e sigiloso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza atendimento 24 horas por dia pelo telefone 188, além de disponibilizar suporte via chat e e-mail pelo site www.cvv.org.br. A assistência especializada também pode ser buscada na rede pública de saúde por meio dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

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