Rede municipal de Santo Antônio de Posse tem apenas uma fonoaudióloga para atender todos os alunos da cidade
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Fila de espera por avaliação fonoaudiológica chega a dois anos; Secretaria de Educação reconhece desafios e anuncia medidas para reduzir gargalo
A equipe de jornalismo do Grupo O Regional está apurando a situação do atendimento especializado oferecido aos alunos da rede municipal de ensino de Santo Antônio de Posse, com foco em áreas como fonoaudiologia, psicopedagogia e o Atendimento Educacional Especializado (AEE).
Relatos recebidos por nossa redação apontam que o tempo de espera para avaliação de alunos chega, em alguns casos, a ultrapassar dois anos, o que tem gerado preocupação entre pais, responsáveis. Além disso, vagas para essas especialidades que foram abertas no último processo seletivo da gestão anterior não foram preenchidas, e nenhuma medida emergencial foi adotada até o momento.
Atualmente, a rede municipal conta com apenas uma fonoaudióloga, que atua no AMEE (Atendimento Multidisciplinar Educacional Especializado), com carga de 30 horas semanais. Essa profissional realiza, em média, 38 atendimentos por semana, enquanto há 124 encaminhamentos em lista de espera aguardando avaliação. O tempo médio de espera é de dois anos, segundo a própria Secretaria de Educação.
Na área de psicopedagogia, o cenário é um pouco menos crítico: há seis profissionais atendendo aproximadamente 136 alunos por semana, mas a fila de espera ainda soma 122 casos, com média de espera de 11 meses.
Segundo a Secretaria de Educação, após a avaliação, o atendimento especializado é iniciado imediatamente, desde que confirmada a necessidade e demanda. No entanto, a fila para chegar até essa etapa tem sido um grande entrave para muitas famílias.
A atual gestão da pasta, que assumiu há seis meses, afirma ter feito um diagnóstico da situação e reconhece o número elevado de encaminhamentos represados. Entre as prioridades elencadas estão a ampliação da equipe técnica e o fortalecimento dos fluxos de atendimento e acompanhamento psicopedagógico.
Questionada sobre as causas do problema, a Secretaria explica que o último processo seletivo teve vagas desertas por ausência de profissionais habilitados ou interessados, e que alternativas como chamamento público ou contratação emergencial ainda estão em análise por questões legais e orçamentárias. Um dos caminhos estudados é a contratação de atendimentos em grupo, via chamamento público, como forma de reduzir a fila.
A pasta também informou que está em diálogo com entidades especializadas da região, com vistas a estabelecer parcerias técnicas e operacionais que possam colaborar com o atendimento da demanda, especialmente na área de fonoaudiologia.
A Secretaria de Educação reforça que há um plano de curto e médio prazo com metas progressivas para reduzir significativamente a fila de espera, embora a meta de zerar totalmente a demanda dependa da adesão de novos profissionais nos próximos processos seletivos ou da possibilidade de contratação externa viável.
Mensagem da Secretaria de Educação aos pais:
“A Secretaria compreende profundamente a angústia das famílias diante da espera por atendimento especializado. Reafirmamos o compromisso da gestão em buscar soluções viáveis, legais e eficazes para ampliar o acesso aos serviços e garantir o direito à aprendizagem e ao desenvolvimento pleno das crianças.
Enquanto o atendimento direto não é possível, reforçamos que nossas equipes escolares estão sendo orientadas e apoiadas para acolher, adaptar práticas pedagógicas e garantir que nenhuma criança fique desassistida.”