Seu pet está bebendo água demais? Pode não ser apenas calor
É comum que, nos dias mais quentes, cães e gatos aumentem a ingestão de água. No entanto, quando esse consumo se mantém elevado de forma persistente, mesmo fora de períodos de calor intenso, é preciso atenção. Considera-se normal, em média, uma ingestão de 40 a 60 ml de água por quilo ao dia. Valores acima de 90 a 100 ml/kg/dia podem indicar polidipsia e merecem investigação.
Entre as causas mais frequentes estão as doenças renais, especialmente em gatos e em cães idosos. Com a perda progressiva da capacidade de concentração urinária, o animal passa a urinar mais e, consequentemente, beber mais água para compensar. A insuficiência renal crônica é silenciosa no início, e o aumento da sede pode ser um dos primeiros sinais percebidos pelo tutor atento ao seu pet amado.
Outra condição importante é o diabetes mellitus, que provoca aumento da glicose no sangue e na urina, levando à perda excessiva de água pelo organismo. Alterações hormonais como o hiperadrenocorticismo (Síndrome de Cushing), comum em cães, e o hipertireoidismo em gatos também podem cursar com aumento da ingestão hídrica. Caro leitor, é comum que essas mudanças sejam atribuídas apenas ao envelhecimento, quando na verdade podem indicar doenças tratáveis.
Outras situações que também devem ser consideradas incluem infecções uterinas (piometra) em cadelas não castradas, uso prolongado de corticoides, doenças hepáticas e alterações metabólicas como hipercalcemia. Por isso, a persistência da sede aumentada nunca deve ser ignorada.
A avaliação clínica detalhada, associada a exames laboratoriais como hemograma, bioquímico renal e hepático, glicemia, urinálise e, quando indicado, testes hormonais, permite identificar a causa e instituir tratamento adequado. Quanto mais precoce o diagnóstico, melhores são as chances de controle e qualidade de vida.
No Clube Buddy, o acompanhamento veterinário contínuo facilita essa vigilância preventiva. Pequenas mudanças no comportamento ou na rotina hídrica são valorizadas e investigadas precocemente. A sede excessiva pode parecer um detalhe, mas muitas vezes é o primeiro pedido silencioso de ajuda do organismo. Observar, agir cedo e contar com orientação profissional faz toda a diferença.

Dra Cinthia Murias
Médica Veterinária CRMV 27.622/SP
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