A Arte de Mergulhar Dentro de Si, Observar e Escolher Viver

Vamos mais uma vez fazer aquela observação importante, aquele momento só nosso: um olhar com gentileza para a pessoa mais importante deste mundo: Você.

Vamos pensar um pouquinho? O que se passa dentro da nossa mente é algo que temos sob controle? Aquele pensamento intrusivo que insiste em ficar, aqueles sentimentos que vêm junto com uma lembrança e te deixam mal… Quando você percebe, já está mergulhado naquele turbilhão de emoções, sentindo e pensando sem parar.

Existe uma frase muito conhecida que diz: “Você não pode impedir que os pássaros da preocupação e do desânimo voem sobre a sua cabeça, mas pode impedi-los de fazer um ninho em seus cabelos.” Pensamentos, sentimentos e emoções vêm. É inevitável. Mas é preciso estar consciente, perceptivo e com o autoconhecimento em dia para observar como você está lidando com tudo isso.

A vida, os ambientes que frequentamos, as pessoas com quem convivemos, nossa rotina diária, o cansaço e a forma como interpretamos a realidade nos levam a ter uma variedade de pensamentos, emoções e sentimentos — tanto bons quanto ruins. Em vez de focar no que nos traz prejuízo, podemos escolher recordar lembranças boas, focar naquilo que nos traz equilíbrio e uma vida saudável. Podemos fazer disso uma escolha diária.

Vamos imaginar uma cena: estamos sentados em meio à natureza, apreciando um dia lindo, e à nossa frente há um imenso rio, com correntezas fortes. Você não tem controle sobre as coisas que caem nesse rio — essas águas representam seus pensamentos e emoções. De repente, começa uma chuva de memórias; uma árvore à margem derruba um galho (o estresse, o cansaço…); um vento sopra e levanta poeira, turvando a água limpa (o medo, a ansiedade…).

O fluxo dessas águas é constante e automático. Agora, você, sentado nesse paraíso, tendo a chance de vivenciar e observar tudo isso, é o que realmente importa. Você pode perceber: “Olha, passou pelo rio aquele galho… caiu aquela chuvinha…” — sem se lançar na correnteza.

É essa habilidade de observar que nos traz equilíbrio, por meio das nossas escolhas diárias.

Do ponto de vista científico, entram em cena:

O Córtex Pré-Frontal: a parte “executiva” do cérebro, responsável pela regulação emocional, pelo planejamento e pela tomada de decisões. Pode ser treinado para não reagir impulsivamente aos sinais automáticos das partes mais primitivas do cérebro (como a amígdala, que controla o medo).
A Neuroplasticidade: ao praticar certas habilidades, fortalecemos as conexões neurais do autocontrole.
Mas, afinal, o que podemos controlar de fato?

Nossa Atenção: podemos escolher para o que vamos dar foco.
Nossa Interpretação: podemos questionar e reformular nossos pensamentos.
Nosso Comportamento: podemos escolher nossa ação, mesmo quando não controlamos nosso sentimento.
Nossos Hábitos Mentais: podemos cultivar um “jardim mental” por meio de práticas como a gratidão e a meditação.
É importante entender: não precisamos lutar contra nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Em vez disso, podemos mostrar ao nosso cérebro que há alguém presente, consciente, que pode escolher o que fazer com tudo o que ele produz — bom ou ruim — e utilizar isso de forma equilibrada e saudável.

Significa que, em meio a tudo o que a vida nos oferece, nós podemos nos escolher. Podemos optar por nos proteger, por adotar hábitos saudáveis, pela felicidade. O principal é viver, e não apenas sobreviver.

Se você percebeu que suas escolhas vêm trazendo prejuízo e sofrimento, fique tranquilo(a). Você pode recomeçar hoje, agora. Pode escolher você. Pode se acolher com todo o carinho e cuidado que sempre esperou receber dos outros.

Não espere. Faça por você. Uma dose de amor-próprio e autocuidado é revigorante — pode experimentar!

A verdadeira questão é: quais sabores da vida você tem escolhido provar?