Quem quer faz

*José Renato Nalini

Depois de aprovar um pacote de dois trilhões de dólares para alívio econômico, o Presidente Joe Biden antecipou o cumprimento da promessa de vacinar cem milhões de americanos nos primeiros cem dias de governo. Essa meta deveria ser obtida no final de abril. Porém, aos cinquenta e oito dias, desde que assumiu, ele a atingiu.

O entusiasmo fez com que prometesse vacinar duzentos milhões aos cem dias. Simultaneamente, está disposto a enfrentar o problema do excessivo armamento dos americanos, fenômeno responsável pela reiteração de inúmeras tragédias, das quais resultam a morte de crianças e jovens. Há uma nefasta preferência pelas práticas homicidas dentro das escolas. E isso resulta da facilidade com que americanos se armam.
O lobby da indústria armamentista é forte e chega também ao quarto mundo. Só não enxerga quem não quer. Consta que há países que têm “bancada da bala” em seus Parlamentos! Custa a crer.

Um democrata marcado pela tragédia não se abateu. Comove-se com a tragédia que se abate sobre seu povo. Admite que foi eleito para resolver problemas e o mais urgente era a Covid19, seguida pela crise econômica. A ambas respondeu com eficiência discreta. São dois milhões e quinhentos mil americanos vacinados a cada dia!

A excelência do governo americano explica, paradoxalmente, outro problema que os ianques têm de encarar: o crescimento de imigrantes, ávidos por usufruírem da qualidade de vida que a maior democracia do ocidente oferece a quem habita seu solo. Na primeira entrevista coletiva concedida à mídia, desde que assumiu, ele até admitiu, bem-humorado, que o crescimento da imigração se devia à percepção de que ele é “um cara legal”. Legal mesmo é assegurar um auxílio emergencial pago com cheque de US$ 1.400, ou quase R$ 8 mil, entregues a cada mês, para todas as famílias necessitadas.

A primeira agenda parlamentar de Joe Biden é mudar a infraestrutura norte americana, para que se implemente, com rapidez, sua agenda ambiental. Tomara continue também firme ao exigir que o Brasil, tão amigo e tão admirador do Império Americano, tenha vergonha e trate seu ambiente exatamente como o ordenamento brasileiro prevê. A começar pelo artigo 225 da Constituição da República, o dispositivo considerado o mais belo já produzido no século 20.

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.

  

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