Você sabe o que carrega na sua bolsa?

Matéria: Paula Partyka

Uma pesquisa realizada no Estado de São Paulo detectou contagem elevada de micro-organismos como o Staphylococcus aureus, E. coli, Klebsiella pneumoniae, Candida,  Rhodotorula e Asperillus alojados nas 25 bolsas femininas analisadas

Dizem que “bolsa da mulher esconde tudo o que ela quer”, mas você já imaginou o que realmente as bolsas escondem? O que não conseguimos detectar a olho nu? Uma pesquisa realizada pelas alunas Nicole Takeda e Jacqueline B. de Paula e orientada pela Professora da Unimetrocamp | Wyden e Doutora em microbiologia Rosana Siqueira, detectou diversos fungos e bactérias prejudiciais à saúde em 25 bolsas femininas localizadas em diversas cidades do Estado de São Paulo.

Segundo a professora, a pesquisa surgiu da curiosidade em saber se esse objeto tão usado seria passível de contaminação. “A quantidade encontrada não se deve ser comparada com outros ambientes, porque teríamos que fazer também a pesquisa nesses ambientes. Mas sabemos que outros locais como vaso sanitário e sola de sapatos, que são muitos contaminados, podem ter uma quantidade semelhantes de microorganismos como os encontrados nas bolsas”, explica.

A pesquisa contou com avaliação da parte da alça, do tecido interno e o do fundo externo das bolsas. Três bolsas apresentaram contagem acima de 1 milhão de células de micro-organismos em pelo menos uma das partes; uma bolsa apresentou 110.000 micro-organismos em uma das partes; e seis bolsas apresentaram contagem acima de 10.000 células de micro-organismos em uma das partes, entre eles o Staphylococcus aureus, E. coli, Klebsiella pneumoniae, Candida, Rhodotorula e Asperillus.

“Essas bactérias e fungos são oportunistas e se aproveitam do estado imunológico dos usuários. Eles podem causar intoxicação alimentar, diarreia, febre, vômitos, otites, conjuntivite, dores de garganta, infecção urinária e infecções da pele como micoses”, explica a

Prof. Dr. Rosana. Esses microrganismos são encontrados no solo, no ar, na água, nos alimentos e até mesmo no nosso corpo humano. Eles se desenvolvem em ambientes propícios que tenham boa temperatura, água e alimentos.

“Uma medida preventiva é, sempre que possível, realizar a higienização das mãos. Devemos, também, evitar colocar a bolsa em qualquer lugar, principalmente no chão dos banheiros (usando sempre aqueles suportes de apoio de mesa portátil para pendurá-la). Em casa,

evitar deixá-las em cima da mesa da cozinha e na cama. Sempre que possível esvaziar a bolsa, limpá-la (de acordo com as instruções do fabricante para não danifica-la), deixá-la em local seco e arejado, além de carregar somente o necessário dentro da bolsa, pois o acúmulo de objetos também favorece a contaminação”, completa.

Além disso, o ideal é procurar um local especializado em limpezas de bolsas e sempre se orientar com o vendedor ou produtor e prestar atenção nas etiquetas, pois, existem alguns produtos que podem danificar o tecido. “O ideal é pelo menos uma vez na semana (durante o sábado e domingo) esvaziar as bolsas, passar um pano limpo e levemente  umedecido (não encharcado), com álcool 70%, sempre limpando por dentro da bolsa e nas alças. Também podemos deixa-la tomando um solzinho (não muito forte) na varanda ou no varal para arejar e tirar qualquer umidade que porventura tenha restado. Mas não esqueça a bolsa no sol, porque a exposição prolongada e forte pode danificar o tecido”, orienta.

Caso a higienização correta não aconteça, o aumento desses microrganismos com certeza ocorrerá. Por serem oportunistas, os fungos e as bactérias se aproveitaram de pessoas debilitadas ou com a imunidade mais baixa, podendo causar diversas doenças como: conjuntivite, otite, intoxicação alimentar, febre, dor abdominal, diarreia, vômitos, infecção urinária e até micoses caso a imunidade da pessoa esteja baixa. “Além de fazer sempre a higienização recomendada, precisamos evitar levar alimentos sem a devida proteção, deixar balas e chicletes abertos e guardar lixo para descartar mais tarde, como papel ou embalagem de algo que foi consumido” finaliza a professora.

 


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