O Agronegócio Brasileiro e a Necessidade de um Projeto de País

O Agronegócio Brasileiro é, sem dúvida, um dos principais pilares da economia nacional. Atualmente, responde por cerca de um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) e por mais de 40% das exportações brasileiras, sendo responsável por trazer grande parte dos dólares que entram no país. Além disso, movimenta milhões de empregos diretos e indiretos, impactando desde o campo até as cidades, envolvendo transporte, comércio, indústria e serviços.

Diante de tamanha relevância, surge uma pergunta essencial: qual é a visão dos nossos governantes para o futuro do agro? E mais importante ainda: o que o setor deve esperar — ou melhor, solicitar — dos responsáveis pelas políticas públicas?

O que o agronegócio brasileiro precisa, acima de tudo, é de planejamento de médio e longo prazo. Investimentos no campo não acontecem da noite para o dia. Uma lavoura, uma nova tecnologia, um sistema de irrigação, uma indústria de processamento ou uma nova infraestrutura logística exigem planejamento que muitas vezes ultrapassa 5, 10 ou até 20 anos.

Por isso, regras claras e estáveis são fundamentais. Não é mais possível que normas e políticas mudem constantemente durante o jogo. A insegurança jurídica afasta investimentos, reduz a previsibilidade e dificulta o planejamento estratégico de produtores, cooperativas e empresas ligadas ao setor.

Também é importante compreender que o agro de hoje não é apenas rural. Ele é ambiental, tecnológico, social e político. A produção moderna depende de ciência, inovação, sustentabilidade e integração com diversos setores da economia.

Um exemplo evidente dessa necessidade está na logística. O transporte da produção até os portos ainda enfrenta gargalos importantes. Estradas precárias, custos elevados de frete e infraestrutura limitada acabam reduzindo a margem de lucro do produtor e encarecendo toda a cadeia. No final, isso impacta não apenas o campo, mas também o comércio e o consumidor, que dependem de uma economia mais eficiente e competitiva.

Recentemente, em uma palestra do engenheiro e presidente do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, Vinicius Marquese, foi ressaltado que o agro brasileiro chegou ao patamar atual graças aos fortes investimentos em tecnologia e pesquisa. Grande parte desse avanço se deve ao trabalho desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, referência mundial em inovação agrícola.

Esse exemplo mostra um caminho claro: investir em ciência, pesquisa e inovação não apenas na agricultura, mas em todos os setores estratégicos do país.

Nesse sentido, o Brasil precisa de um projeto consistente para o agronegócio, que una:
•           Produtividade
•           Sustentabilidade ambiental
•           Segurança jurídica
•           Ciência e tecnologia
•           Infraestrutura logística eficiente
•           Integração com comércio e indústria

Essa integração é essencial. O país não pode se limitar a exportar apenas commodities. É preciso fortalecer a indústria nacional para transformar essas matérias-primas em produtos de maior valor agregado, gerando mais empregos, renda e desenvolvimento.

O Brasil tem potencial para ser não apenas um grande produtor de alimentos, mas também um líder global em tecnologia agrícola, processamento industrial e inovação no campo.

Por isso, o momento exige clareza e responsabilidade. O agronegócio — e o país como um todo — não precisa mais de soluções improvisadas ou de “puxadinhos” institucionais.

O que se espera dos futuros governantes é um projeto claro, estruturado e de longo prazo para o Brasil.

Um projeto que valorize o agro, integre os setores produtivos e coloque o país definitivamente no caminho do desenvolvimento sustentável.

Nelson Theodoro Junior, Presidente da Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim, Diretor da Fecomercio-SP, Diretor do Sincomércio de Mogi Mirim e Presidente do Conselho do Patrimônio de Mogi Mirim.