Engenheiro Coelho comemora 29 anos de emancipação politico administrativa

Engenheiro Coelho comemora 29 anos de emancipação politico administrativo da cidade, a emancipação aconteceu em 19 de maio de 1991.  A cidade era uma colônia situada na Fazenda do município de São Pedro sendo inicialmente chamada de Guaiquica. O nome Engenheiro Coelho era inicialmente da estação de trem que passa pela localidade, sendo este engenheiro responsável pela inspeção. Com a construção da estrada (SP 147) que liga Limeira a Mogi Mirim em meados de 1939 a colônia começa a se desenvolver.

Inicialmente essas terras eram habitadas por índios, posteriormente pelos portugueses. Sua economia sempre foi voltada ao mercantilismo, iniciando com a exploração do pau Brasil, posteriormente a procura do ouro e pedras preciosas das Minas Gerais e, finalmente o plantio do café.

Em meados do século XIX, a cultura do café encontra nas terras paulistas o local ideal para a exuberância do seu florescimento, entretanto, com a falta de mão-de-obra suficiente para atender o crescimento da produção, em especial para exportação, inicia-se uma nova era de ocupação do país. O governo brasileiro passa a incentivar a imigração européia, destacando-se os povos alemães, belgas, suíços, austríacos, espanhóis, italianos, japoneses e outros.

Com o fortalecimento das culturas da cana-de-açúcar e do café em São Paulo, surge a elite agrária do interior paulista, os senhores de engenho e os barões do café. Fazendas e mais fazendas são instaladas no interior afora; colônias são construídas para abrigar os trabalhadores caboclos, principalmente os migrantes mineiros e nordestinos, assim como os imigrantes, para trabalharem nas lavouras. Os acessos às fazendas eram precários e, muitas vezes inacessíveis, dificultando o escoamento dos produtos agrícolas. A partir da década de 1870, as elites agrárias, que também ocupavam os principais postos do governo, começam a implantar as primeiras companhias ferroviárias que atenderiam a região de Campinas e, posteriormente o interior paulista em busca de suas riquezas agrícolas, são elas a Cia. Paulista, a Mogiana, a Sorocabana e a Ituana.

Um ramal ferroviário torna-se de grande interesse para os nossos estudos. Começou como um trecho da Companhia Carril Agrícola Funilense (1870 a 1899), posteriormente denominado Ramal Férreo Campineiro (1899 a 1905), mudando novamente sua denominação para Estrada de Ferro Funilense (1905 a 1924), subordinada ao governo do estado, e, a partir dessa data incorporada pela Estrada de Ferro Sorocabana. A Funilense, com pouco menos de 100 km de extensão, construída inicialmente até a Usina Ester (Cosmópolis), partindo do centro de Campinas, visava transportar principalmente o açúcar e o café para Santos com destino ao exterior. Desse trecho surgiram o Distrito de Barão Geraldo, Paulínia e Cosmópolis. Com a grande valorização do café e a necessidade da abertura de novas fronteiras agrícolas para o seu cultivo, inicia-se a expansão do ramal ferroviário, até chegar às barrancas do Rio Mogi Guaçú. Dessa nova linha surgem as vilas e cidades de Artur Nogueira, Engenheiro Coelho, Tujuguaba, Conchal e Pádua Sales. Ela foi desativada em 1960 e desapareceu com a retirada de seus trilhos em 1962.

Por volta de meados do século XIX, a região onde hoje se encontra Engenheiro Coelho era uma vasta extensão de serrado tradicional do interior do país. A exploração das terras se dava pela cultura insipiente da cana-de-açúcar para a produção de açúcar, álcool e aguardente, cultivo de alimentos para subsistência como o milho, mandioca, arroz, feijão, criação de animais como bois, aves e porcos, extração de madeira para construções e obtenção de lenha visando abastecer as fábricas da região de Mogi Mirim e Campinas e para movimentar as caldeiras dos trens que, a partir da década de 1870 começaram a circular na região.

Seu dinâmico proprietário imprimiu toda a força existente para desenvolvê-la e, a cada ano que se passava mais se produzia e se construía. Pedro Hereman foi implementando equipamentos necessários à sua manutenção e desenvolvimento. Foram instalados moinho de fubá, máquinas de beneficiar arroz e café, fábrica de farinha de mandioca, barracão de beneficiamento da laranja, serraria, olaria, oficina, armazém, escola e silos para o armazenamento dos produtos agrícolas. As cinco colônias da fazenda eram conhecidas por Colônia da Sede, Colônia da Olaria, Colônia do Meio, Colônia da Fábrica de Farinha e a Colônia da Guaiquica, onde existiam a oficina de ferramentas agrícolas, três residências em seu entorno, o armazém, os barracões que serviam para depósito, além da primeira farmácia e a primeira sala de aula da escola da fazenda, com uma casa ao seu lado. Essa colônia foi a célula–mater à formação do atual núcleo urbano, denominado Engenheiro Coelho.

A fazenda passou por um período de desenvolvimento fabuloso, tendo como base em sua economia de produção a cultura do café, produto exportado para a Bélgica, onde a família Hereman possuía uma torrefação que comercializava o café brasileiro (Estrella Brazileira). Os Heremans venderam a empresa em 1980. Além do café, eles produziam laranja, que também era exportada para a Bélgica, Inglaterra e Holanda.  A Guaiquica também produzia algodão, mandioca, cereais, e abrigava grande criação de porcos que eram motivo de atração a outras fazendas e cidades.

Por volta de 1930, Antonio Alves Cavalheiro empreendeu as construções da segunda sala de aula do Grupo Escolar e da Capela São Pedro, inaugurada em 29 de junho de 1936. Para essa última empreitada ele contou com a ajuda da comunidade. O genro de Pedro Hereman foi um incentivador da educação. Além de lecionar na escola da Guaiquica, seguindo o exemplo de seu sogro, Cavalheiro e sua esposa Helena se encarregavam de hospedar os outros professores contratados. Depois de muita luta, em 1937 ele conseguiu a implantação da energia elétrica na propriedade, benfeitoria que não pode usufruir, devido ao seu falecimento, em 21 de fevereiro de 1936. Até então, Engenheiro Coelho não passava de uma das colônias da Fazenda Guaiquica (São Pedro), sem nenhuma perspectiva de desenvolvimento. A partir de 1936, com a construção da estrada de Rodagem de Limeira a Mogi Mirim, que passava ao lado da colônia, e da Estrada de Rodagem de Engenheiro Coelho a Artur Nogueira, ligando-se com Cosmópolis (1937) esse quadro modificou-se.   No cruzamento dessas rodovias e ferrovias foi construído um grupo de edificações por Amin José Flaifel. Em uma delas abriu uma casa de comércio com residência nos fundos, funcionando nas outras edificações o gabinete dentário do Dr. Lázaro da Silva (Lazinho) e a barbearia do Jacinto Leme. Além dessas construções havia o bar do Joaquim Olivério, às margens da estrada de Rodagem de Engenheiro Coelho a Artur Nogueira.

Após o falecimento de Antonio Alves Cavalheiro, seus filhos assumiram a administração dos negócios em sociedade com Cristiano Hereman. No início da década de 1940, a empresa Cavalheiro & Hereman empreendeu o primeiro loteamento na Colônia da Guaiquica, delimitada pela estrada de rodagem de Limeira a Mogi Mirim ao norte, a leste pela ferrovia com destino a Artur Nogueira, ao sul com a gleba de terra onde estava instalada a oficina dos Francischettis e suas residências e a oeste traçou-se uma linha demarcatória no sentido norte-sul, fechando assim os limites do loteamento desenhado pelo agrimensor Karl Glaser.

Foi esse empreendimento que determinou o início da povoação que, no futuro, se constituiria a cidade de Engenheiro Coelho. Após essa iniciativa, a localidade passou a apresentar um movimento desenvolvimentista. A partir daí, foram construídas diversas residências, bares, armazéns, farmácias, posto de gasolina, máquina de beneficiar arroz, padaria, açougue e os serviços de correio e telégrafo instalado com a ferrovia. Ainda na década de 40, ocorreu a formação do “Terra Preta Futebol Clube” (1942) que, a partir de 1946 recebeu o nome de “Associação Esportiva São Pedro”. Essa agremiação foi registrada na Federação Paulista de Futebol e continua em atividade.

Em 1944, os Cavalheiros e Cristiano Hereman venderam a Fazenda Guaiquica para os senhores Sérgio Alves e Augusto Mirandola. No ano seguinte, mais precisamente no dia 14 de novembro de 1945, conforme escritura lavrada no Segundo Tabelionato da Comarca de Limeira (livro 103, folha 14), parte da Fazenda Guaiquica (168 alqueires restantes, após divisão ocorrida no início do século) foi comprada pela Família Forner, mais precisamente por Pedro, Angelo, Francisco, José, João, Vitalino, suas respectivas esposas, Maria Pezzatto, Rosa Marrafon, Maria Marrafon, Rosa Bonin, Elvira Martinato e Irene Pessatti, além do menor Geraldo Forner. Essa área englobava a sede da fazenda, as benfeitorias e as culturas principais, consistindo em vinte e oito casas simples, oito duplas para alojar colonos, todas de tijolos e telhas, três moradias para a administração, incluindo a sede do imóvel, uma fábrica de farinha de mandioca composta de um lavador/descascador, um ralo, uma prensa hidráulica, dois fornos fixos, um motor elétrico de 5 HP, uma máquina de beneficiar café, uma máquina de beneficiar arroz, dois moinhos de fubá, serraria com todos os pertences, um motor de 18 HP, dois transformadores (de 25 e 30 HP), cinquenta mil cafeeiros, sete mil laranjeiras, vinte mil eucaliptos e vinte alqueires de mata. A propriedade adquirida pela família Forner englobava a sede da fazenda e o entorno do loteamento existente, exceto a parte norte, de propriedade de Antonio Mingote, que havia sido permutada anteriormente com os Cavalheiros. O restante da Fazenda Guaiquica foi aos poucos sendo adquirida pelos moradores da região, tais como Luiz Fávero, os Teressanis, João Berton, , sendo que Fávero mudou-se para o núcleo urbano em 1945. Fávero deu continuidade aos negócios do armazém que, anteriormente era administrado pela Família Hereman. Ainda no ano de 1945, foi instalada a energia elétrica na rua principal do loteamento e a iluminação pública em 1947/48.

A partir de 1950 o crescimento da povoação se deu em ritmo lento, sendo que o grande destaque foi o loteamento implantado em 1954 pelo Sr. Pedro Forner. Em 1956 foi construído o templo da Igreja Evangélica Assembléia de Deus. No início da década de 1960, ocorreu a inauguração da Escola Estadual Antonio Alves Cavalheiro e foram iniciadas as obras para construção da Igreja São Pedro. Em 1963, na gestão do prefeito Jacob Stein, foi inaugurado o centro telefônico com aproximadamente 25 terminais. Em 1968, na gestão do prefeito Luiz Spadaro Cropanize foi aberto o poço artesiano, ação que veio amenizar o problema da falta de água que assolava o município. Também foram disponibilizados alguns pontos de abastecimento nas principais esquinas do núcleo urbano. Na segunda gestão de Jacob Stein (1969/72), instalaram pontos de água em todas as casas e a rede de esgoto na avenida principal, denominada Pedro Hereman e nas travessas, abrangendo os lotes servidos pela referida avenida que, posteriormente foi asfaltada.

Em 1977, com a eleição do prefeito Rubens da Silva Barros Engenheiro Coelho passou a receber maior atenção do Executivo Municipal. Nesse período, ocorreu a eletrificação e iluminação, com a substituição das lâmpadas incandescentes por luminárias à base de mercúrio, foi construído o trevo de acesso ao núcleo urbano, empreendida a pavimentação de ruas com guias e sarjetas, a construção da Estação de Tratamento de Água e a prospecção de mais um poço artesiano. Também foi construído o emissário de esgoto, providenciada a implantação da telefonia automática (sistema DDD e DDI) e do Posto Policial, instalado o Posto de Saúde, assim como foi estimulada a abertura de uma agência do Banco Brasileiro de Desconto (Bradesco) e do serviço bancário da Caixa Econômica Estadual. Ainda nessa época, foi concedida a permissão para que fossem implantados loteamentos e destinados veículos para prestação de serviços municipais. O ponto alto dessa administração deu-se em maio de 1980, quando a Vila de Engenheiro Coelho foi elevada à categoria de Distrito de Artur Nogueira, conforme a lei estadual nº 2343, assinada pelo então governador Paulo Salim Maluf. A partir dessa data, o prefeito municipal designou o Sr. João Fávero para ser o primeiro sub-prefeito do distrito. No ano seguinte, foi empreendida a instalação da sub-prefeitura. Nas gestões do prefeito Cláudio Alves de Menezes (Artur Nogueira) e de Mariano Aparecido Franco de Oliveira (sub prefeito), o Distrito de Engenheiro Coelho passou por um período de estagnação. Foram realizados somente serviços de manutenção, abastecimento de água, coleta de lixo e varredura das ruas. A partir dessa época, os moradores do distrito começaram a demonstrar o seu anseio de uma libertação político-administrativa. Depois de uma luta empreendida principalmente pelos cidadãos Edison e Ademir Fávero, em 3 de outubro de 1991 a cidade elege seus primeiros vereadores e o primeiro prefeito municipal. A partir de 1 de janeiro de 1992 a cidade passa a ter administração própria com a posse dos primeiros vereadores e do prefeito Mariano Aparecido Fraco de Oliveira. Hoje, a economia do município está baseada na agricultura, destacando-se a produção de laranja, de cana-de-açúcar, tomate, mandioca, hortaliças, etc. A cidade também abriga indústrias de grande e médio porte. Entre elas destacamos a Louis Dreyfus, que industrializa suco de laranja concentrado para exportação, a TRW e a Fortec, que produzem componentes e discos de freios para a indústria automotiva. A composição do setor de serviços é diversificada, com a maior participação a cargo das atividades imobiliárias e serviços prestados às empresas, assim como o comércio está em franco desenvolvimento. Creches e escolas compõem o quadro educacional, junto com o campus da UNASP (Centro Universitário Adventista de São Paulo).

  

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