Referência em habilitação e reabilitação Nacional, Centro de Equoterapia de Jaguariúna têm o potencial de ajudar muitas pessoas

Matéria: Paula Partyka

A Equoterapia é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo como instrumento de reabilitação, nas áreas de saúde, educação e equitação para melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência e/ou necessidades especiais

 Muito mais do que montar e simplesmente cavalgar, o cavalo é utilizado com fins terapêuticos. A Equoterapia é voltada para crianças, jovens e adultos com necessidades especiais, ou alguma limitação física, psicológica ou comportamental.

A atividade em si, exige a participação do corpo inteiro, contribuindo, assim, para o desenvolvimento da força muscular, relaxamento, conscientização do próprio corpo, aperfeiçoamento da coordenação motora e do equilíbrio além da melhora postural. Naturalmente esse processo interfere diretamente na melhora da qualidade de vida, em função da organização sensorial do indivíduo que recebe o estímulo mediado pelo conhecimento de um profissional especializado. Além disso, a melhora nos aspectos psicológicos, emocionais e sociais são percebidos pelo decorrer do processo.

Referência em habilitação e reabilitação no Brasil, o Centro de Equoterapia de Jaguariúna (CEJ) há 18 anos atua diretamente na vida de pessoas. Possui registro no Conselho Municipal da Criança e do Adolescente (CMDCAJ) e Conselho Municipal da Pessoa com deficiência (COMPED).

Para o idealizador, Wilson Mellilo, ser referência é uma consequência de fazer um trabalho sério. “A referência acontece sem nenhuma pretensão”.

Entre outras coisas, Melilo foi diretor do Departamento de Hipismo da Sociedade Hípica de Campinas por sete anos. Ele lembra que, nessa época, pediram o espaço emprestado para realizar aulas de Equoterapia e foi onde conheceu a atividade.

Nisso, ele havia comprado um espaço (onde é o CEJ), para reabilitação de cavalos. Mas, decidiu realizar a reabilitação humana, ou seja, Equoterapia. “Eu tenho maior carinho em fazer isso. Para mim, é uma missão de vida. Não me vejo fazendo outra coisa”, afirma.

A Equoterapia pode ser desenvolvida em um espaço coberto ou no espaço de cinco alqueires disponíveis no Centro. Na prática, é um atendimento multidisciplinar, então, há uma equipe de fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta  dentre outras áreas.

Melilo explica que na pista coberta onde acontece os atendimentos há climatizadores para umidificá-la. “Eles baixam a temperatura em cinco graus, elevam a umidade relativa do ar em 90% e toda micropartícula de ar que a criança respirar é absorvida pela água e depositada no ar. É importantíssimo”.

Qualquer pessoa, de qualquer idade pode praticar a Equoterapia. Ou seja, crianças, jovens, adultos e idosos. No CEJ, a filha de Melio e empresária, Veridiane Melilo, conta que já tentaram aprovar projetos com idosos, mas geralmente ele não passa pelo laudo médico, então é necessário respeitar.

Este é um dos principais tratamentos de reabilitação para pessoas com limitações físicas ou mentais. Isso porque consegue alcançar excelentes resultados com problemas relacionados aos movimentos dos quadris e coluna vertebral, assim como no desenvolvimento da fala, socialização e até mesmo autoconfiança.​

“Nosso principal objetivo é atender pessoas que tem necessidades motora, mental e mesmo física. A Equoterapia ficou marcada pela questão de crianças especiais, mas não é exclusivo”, afirma Veridiane.

A Equoterapia se da pelo movimento tridimensional (ritmado, repetitivo e simétrico), que produz e envia ao cavalheiro estímulos 95% semelhante ao de uma pessoa andando a pé. “Você consegue trabalhar seu corpo inteiro em pouquíssimo tempo. Um praticante que perdeu parte motora dos movimentos, por exemplo, retoma os movimentos. Temos casos extremos aqui”, disse Veridiane.

Ela explica que todos os atendimentos acontecem em cima do cavalo. Para isso, há duas rampas de montagem, uma na área coberta e outra na externa. O praticante sempre está acompanhado de pelo menos três profissionais: um terapeuta, um lateral e um puxador. “Tem total segurança”, afirma.

A técnica é aplicada em 30 minutos, pois, mais que isso o praticante pode sentir dor. Durante esse tempo, os pais do praticante recebem, geralmente, apoio psicológico.

Atualmente, 275 famílias são atendidas no CEJ. Há uma equipe de quase 40 pessoas, divididas em equoterapeutas, auxiliares, limpeza e outros para realizar o trabalho. Além da equipe equestre.

Para o funcionamento, o CEJ conta com prefeituras e empresas de responsabilidade social. Todo tratamento é 100% financiado e quem não consegue chegar até o Centro, há veículos especializados para transporte. “A equoterapia não é igual um tratamento comum, que se apadrinha por três meses e ok. Pelo menos dois anos de contrato nós exigimos. É o tempo de evolução do praticante”.

Ela conta ainda, que há uma extensa lista de espera e capacidade de triplicar o atendimento, mas faltam verbas.  “São várias dificuldades no processo como um todo. É uma estrutura muito robusta para conseguir abraçar o projeto. Meu pai sempre levou isso aqui com unhas e dentes e do ano passado para cá eu entrei no negócio para estruturar como empresa e crescer cada vez mais”, almeja a filha de Melilo.

O CEJ preza por um atendimento de primeiro mundo. Infraestrutura preparada e cuidadosamente montada para os atendimentos seguindo as normas se recomendações.

Equipe Equestre

Os Cavalos Terapeutas do CEJ são animais doados para a instituição e são altamente treinados para atender. Em sua maioria, são cavalos idosos ou aposentados que tem a oportunidade de desfrutar, com muita qualidade de vida, o amor e o cuidado da equoterapia no ato de fazer o bem transformando vidas.

São 15 cavalos destinados para a Equoterapia, mas ao todo, o CEJ possui cerca de 70. O idealizador Melilo conta que os outros animais são usados para o esporte. “Eu alugo para os treinadores, para ajudar a manter um pouco das despesas daqui”, explica.

Os terapêuticos não usam nenhum tipo de freio ou instrumento bucal. Eles são altamente treinados. “Para estar apto para atender, ele passa por um treinamento de quase três meses. São todos cavalos mais velhos e a primeira etapa do treinamento eles ficam parados vendo os outros cavalos. Sim, o cavalo vê e ele aprende”, afirma Veridiane.

Seguindo o protocolo de treinamento, testam o cavalo para identificar se ele assusta com movimentação brusca. É um longo processo para ser um cavalo terapêutico.

Agora é lei

Na segunda-feira, 13, a lei que regulamenta a Equoterapia como método de reabilitação de pessoas com deficiência foi sancionada pela Presidência da República. É oficial, a publicação foi feita no Diário Oficial da União (DOU). De acordo com a Associação Nacional de Equoterapia (ANDE) essa é uma conquista sem precedentes.

A lei nº 13.830/2019 entra em vigor 180 dias após a publicação no DOU e determina que os animais usados durante o processo sejam preparados para uso exclusivo da Equoterapia e que apresentem boas condições de saúde, sendo submetidos a inspeções veterinárias regulares e descansando em instalações apropriadas.

O autor da proposta, senador Flávio Arns (Rede-PR), argumenta que a interação com o cavalo e o ato de montar, desenvolve novas formas de socialização, autoconfiança e autoestima. De acordo com o projeto, a prática passa a ser condicionada a um parecer favorável, com avaliação médica, psicológica e fisioterápica.

Serviço

Rodovia Campinas – Mogi Mirim (SP340) Km 127.

Tanquinho Velho – Cx Postal 62 – Jaguariúna

contato@centrodeequoterapia.org

(19) 99840-1899 / (19) 3199-9986

  

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