TUDO VALE A PENA, SE A ALMA NÃO É PEQUENA!

Fernando Pessoa

Neste outono/2020 em que o homem foi obrigado a um isolamento social devido à pandemia do COVID 19, para não contaminar-se e disseminar o vírus letal, principalmente aos idosos comprometidos com problemas de saúde, tal experiência forçada trouxe muita reflexão sobre sua trajetória neste jardim criado por Deus!

Sem dúvida, nesta reclusão, reavivaram memórias das lições assimiladas em Família, quando os pais e avós lhe transmitiram a verdadeira sabedoria, aquela que é clarão de luz eterna e espelho da majestade de Deus.

Esta experiência do silêncio propicia ao homem uma auto avaliação. Sem que o quisesse, pôs em prática as lições de “O Pequeno Príncipe”. Saint Èxupery ensinou que o verdadeiro sábio julga a si próprio. O COVID 19 propiciou uma auto avaliação.

O homem pôde rever o filme de sua vida, suas ações, seus valores, suas buscas. Parece ter avaliado como andam suas relações com Deus, com sua Família, com seu trabalho, com seu próximo, “feito à imagem e semelhança de Deus”.

Coincidindo este período com a Semana Santa, tal exame de consciência, apregoado pela Igreja, pôde valorizar mais sua proximidade com os ensinamentos do Divino mestre, Jesus Cristo, o caminho, a verdade e a vida.

Nem as Igrejas, Catedrais, Basílicas puderam abrir suas portas para as respectivas cerimônias e cultos. Os clérigos celebraram sozinhos, porém a audiência, através dos meios de comunicação deve ter sido recorde nestes horários, muito maior que nos anos anteriores, supomos, para toda a Terra de Santa Cruz.

Realmente a fé que os pais e avós tinham está acesa, ela não se extinguiu. Porque, “quando ela se extingue, é Deus que morre e se mostra doravante inútil” (Antoine Saint Exupèry.) Na Vida, Paixão e Morte de Jesus Cristo e em sua Ressurreição Ele ensina o homem aquilo a que Ele veio, a lição mais autêntica de Amor, doar-se aos irmãos. Se o humano procurar servir o irmão em suas necessidades, nesta ação ele encontrará o próximo, a si mesmo, e a Deus.

Este tempo de isolamento social vai passar com a graça divina agindo e curando o mundo do corona vírus. Assim como a gripe espanhola de 1918 passou. Busquemos neste deserto os possíveis poços que restaram. Além da auto-avaliação das atitudes do ser humano, ou exame de consciência que toda Igreja ensina, uma outra fonte notada, nesta experiência de deserto, nesta reclusão, foi a transformação notada em muitos pontos da natureza.

Ruas desertas, limpas, o homem parou de produzir lixo e de poluir o planeta.

Os espelhos d’água estão mais cristalinos. Na Baía de Guanabara estão visíveis tartarugas e peixes em alguns pontos, antes tomados pela poluição. Há lagos e lagoas e rios mais despoluídos em vários pontos. Cumpre preservar o planeta para a sobrevivência do homem!

Tudo o que os professores e pais ensinam diariamente às crianças sobre a preservação do meio-ambiente encontrou eco em muitos lugares da Mãe Terra, nesta temporada. Cumpre enriquecer a flora para perpetuar preciosidades da fauna.

Este isolamento social e o COVID vão passar. No momento feliz e abençoado em que tais providências forem suspensas, possa o Homem voltar à vida normal diária, completamente renovado com as lições desse período aprendidas, para reconstruir o próprio Homem e o Mundo.

O amor ilimitado de um Deus merece esta atitude altamente humana diante da majestade de sua criação.
Tomaz de Aquino Pires

  

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