Com ações conjuntas, cidades podem ter soluções vantajosas para o lixo que geram

(Com ações conjuntas, cidades podem ter soluções vantajosas para o lixo que geram – Foto: Divulgação)

O 1º Fórum de Resíduos Sólidos, que acontece na próxima quarta-feira, dia 3, em Holambra, apresentará as soluções bem-sucedidas que podem ser implantadas pelos municípios para o tratamento adequado. Exemplos práticos serão apresentados pelo Instituto Movimento Cidades Inteligentes, pelo Consórcio Intermunicipal de Saneamento Ambiental (Consab) e pelo Consórcio Intermunicipal de Manejo de Resíduos Sólidos da Região Metropolitana de Campinas (Consimares). O evento é aberto aos interessados

Para conseguir soluções mais eficientes na coleta, reciclagem, destinação e tratamento dos diversos tipos de resíduos sólidos que produzem, municípios podem se unir na busca de medidas conjuntas que, comprovadamente, contribuem para viabilizar a implantação de projetos e ações graças à equalização dos serviços e consequente redução dos custos.

Individualmente, os municípios de pequeno e médio porte não têm as condições operacionais e financeiras necessárias para adotar as medidas de coleta, reciclagem ou tratamento adequadas às normas ambientais. Por isso, a cotização de serviços e equipamentos com as cidades vizinhas pode gerar interessantes soluções.

Com base na proposta de fazer com que as pessoas envolvidas nas questões que contemplam os resíduos sólidos e as necessidades legais de proteger o meio ambiente, a Associação de Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Holambra (AEAAH) promove o 1º Fórum Regional de Resíduos Sólidos, na próxima quarta-feira (3 de julho), no Centro de Convenções da cidade (Alameda Mauricio de Nassau, 249, ao lado do Moinho Povos Unidos).

O evento, aberto ao público, acontece das 8h às 17h e reunirá os mais atuantes profissionais na área do meio ambiente. “A proposta é traçar o perfil dos municípios quanto à gestão de seus resíduos, indicando, talvez, a regionalização como uma opção para a sustentabilidade”, explica a presidente da AEAAH, Silvia Sartorelli. O evento tem o apoio do Instituto Movimento Cidades Inteligentes (IMCI), CREA-SP, Consab – Saneamento Ambiental, Mutua, Faculdade de Agronegócio de Holambra (FAAGROH) e Prefeitura Municipal de Holambra.

“Para se construir um modelo de cidade que entregue uma melhor qualidade de vida, não tem como não olhar para o básico. E o básico está dentro do saneamento e da gestão de resíduos”, instrui o presidente do Instituto Movimento Cidades Inteligentes, Luigi Longo, que será um dos palestrantes do Fórum.

Formado pelas cidades de Artur Nogueira, Conchal, Cordeirópolis, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Jaguariúna, Matão e Santo Antônio de Posse, o Consórcio Intermunicipal de Saneamento Ambiental da Região de Campinas (Consab) apresentará exemplos práticos de como as ações conjuntas podem ser benéficas aos municípios.

(Picador de galhos – Foto: Divulgação/Consab)

Os resíduos de construção civil (chamados de entulho) estão sendo reaproveitados na manutenção das estradas rurais. Para tanto, é feita a britagem (fragmentação de grandes materiais) com o Equipamento Móvel de Britagem de Resíduos da Construção Civil, utilizado em rodízio pelos municípios consorciados.

De acordo com relatório de atividades executadas no ano de 2018 – apresentado pela diretora técnica Bianca Refundini Magnusson, do Consab -, foram recolhidas 29.075 toneladas de resíduos da construção civil no ano passado, que equivalem a 3.029 caminhões com capacidade para o transporte de 8 metros cúbicos cada. A transformação desses resíduos em brita proporcionou uma economia de R$ 1.100.779,50 para os municípios que se utilizaram desta solução.

Outro exemplo é o Ecoponto “Ponte de Tábua”, criado pelo Consab em Artur Nogueira (na Rodovia dos Agricultores, que liga a cidade a Mogi Mirim). No local são coletados resíduos inservíveis – como lâmpadas, pneus, pilhas, baterias, medicamentos vencidos, eletrônicos e óleo de cozinha usado – para suas posteriores destinações adequadas.

O Ecoponto conta com um espaço dedicado a atividades de educação ambiental, como a coleta seletiva e a discussão sobre compostagem. As crianças de 6 a 10 anos de idade que visitam o espaço podem conhecer a horta orgânica disposta no local, as hortas verticais, a composteira e o pula-pula feito de pneus reutilizados. Com o óleo de cozinha que é coletado ali e nas escolas municipais – por meio do projeto Sabão Ecológico -, se faz a produção de sabão para distribuição à população, graças ao reaproveitamento deste resíduo.

As soluções também passam pela coleta, descontaminação e destinação final de lâmpadas incandescentes (20.530 lâmpadas, em 2018) juntamente com projetos de Iluminação Pública (manutenção de mais de 15,6 mil pontos); coleta de resíduos de serviço da Saúde, incluindo  medicamentos vencidos (208.078,80 quilos recolhidos) e a coleta, transporte, transbordo e destinação final de resíduos sólidos domiciliares e comerciais para o aterro sanitário que, no ano passado, somaram 70.207,37 toneladas. Há também a coleta de pneus inservíveis e de lixo eletrônico e a disponibilidade, de acordo com a necessidade dos municípios, de um “picador de galhos” cuja função é cortar os galhos oriundos de podas de árvores, ramos, folhas e cercas vivas.

(Eletrônicos no Ecoponto “Ponte de Tábua” – Foto: Divulgação/Consab)

Estudo do lixo

A gravimetria (análise que permite saber a quantidade de uma substância em determinada mistura, ou seja, a característica do lixo de cada cidade) dos resíduos sólidos domiciliares dos municípios consorciados ao Consab demonstrou que, apesar de todas as ações e projetos em desenvolvimento, ainda há muito material reciclável sendo descartado inadequadamente nessas cidades.

“Este diagnóstico é importante para avaliar o potencial de recuperação dos materiais e reduzir riscos. Por isso, a conscientização da população ainda é um trabalho importante a ser realizado”, esclarece a diretora técnica da Terra Saneamento Ambiental, Cilene Novaes Santos, responsável pelo estudo.

Por esse motivo, a AEAAH quer o envolvimento das prefeituras da região, das entidades que atuam na área do meio ambiente, dos professores e de toda a comunidade neste amplo debate sobre o tema. “Vamos aproveitar a oportunidade para lançar a Cartilha da Reciclagem, a ser distribuída aos moradores de Holambra e aos turistas, visando à conscientização quanto ao destino do lixo, com orientações sobre a separação dos resíduos”, explica Silvia Sartorelli.

1º Fórum de Resíduos Sólidos
Dia: 3 de julho (próxima quarta-feira)
Local: Centro de Convenções de Holambra (Alameda Mauricio de Nassau, 249, ao lado do Moinho Povos Unidos)

Programa
8h: Recepção e credenciamento
8h30: Abertura Oficial
9h30: “Sustentabilidade no dia a dia” – Neuza Árbocz, ambientalista
10h: “Gestão de resíduos para Cidades Inteligentes” – Luigi Longo, presidente do Instituto Movimento Cidades Inteligentes
10h30: “Logística Reversa e Economia Circular” – Valdemir Aparecido Ravagnani – Mimo, superintendente do Consórcio Intermunicipal de Manejo de Resíduos Sólidos da Região Metropolitana de Campinas (Cosimares)
11h: “Apresentação do Consórcio Intermunicipal de Saneamento Municipal (Consab)” – Nilson Marconato, diretor de Agricultura e Meio Ambiente de Holambra, e “Gestão de resíduos” – Cilene Novaes Santos, sócia e diretora técnica da Terra Saneamento Ambiental
12h: “Gestão de Inspetorias” – Marcelo Paes Maciel, chefe da Unidade de Gestão de Inspetorias de Campinas do CREA-SP
14h: Oficinas temáticas sob a coordenação da ecóloga e mestre em geoprocessamento Silvia Weel, da ambientalista Neuza Árbocz e do diretor-executivo do Instituto Movimento Cidades Inteligentes, Gavroche Fukuma, com o apoio de Terrara Meio Ambiente e Paisagismo, de propriedade de Claudia Vaamonde
15h45: Compartilhamento de ideias
17h: Encerramento

 


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