Pesquisadores do Brasil e Porto Rico buscam cooperação em controle biológico

O controle biológico clássico de pragas tem se expandido intensamente no mundo, devido às restrições ao uso de pesticidas. Por essa razão, as estações quarentenárias são de vital importância atualmente. O pesquisador Jose Carlos Rodrigues, do Centro de Investigación y Desarrollo de Río Piedras, em San Juan, Porto Rico, esteve com pesquisadores do Laboratório de Quarentena “Costa Lima”, da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP), em maio, para apresentar os trabalhos envolvendo pragas quarentenárias e que vem sendo realizados na Estación Experimental Agrícola. Nessa mesma oportunidade, foram iniciadas ações para identificar as possibilidades de cooperações técnico-científicas na área de controle biológico e de intercâmbio bilateral para treinamentos e participação em projetos internacionais, que já mantém parcerias com o Centro de Porto Ricoem com o USDA-USA, NASA-USA, CABI-Inglaterra, entre outras

“Acredito que nosso centro, já certificado pelo Departamento Federal de Agricultura Americano (USDA), junto com a Embrapa Meio Ambiente, por meio do Laboratório de Quarentena “Costa Lima, dispõe de várias possibilidades imediatas de colaboração dentro de importantes áreas agrícolas e ambientais. O desenvolvimento de trabalhos em conjunto e atividades de treinamento podem potencializar o que ambas instituições possuem, otimizando recursos financeiros e de expertise. Os impactos positivos contribuirão sobremaneira para salvaguardar a agricultura e áreas naturais de ambos países”, disse Rodrigues.

Rodrigues explicou que existem importantes áreas de parques e reservas nacionais em Porto Rico, em condições de clima diversos. Além disso, a localização do país, no meio do Caribe, é bastante importante e estratégica quando se trata de espécies invasoras. A maioria das espécies de pragas e doenças de plantas invasoras que atingem o continente (+70%) chegam pelo Caribe. “Assim, o trabalho nessa região é crucial, se quisermos trabalhar proativamente com a prevenção, a concretização e o avança no entendimento desse processo de invasões de espécies. Nosso centro conta com propostas financiadas pelo USDA e outras agências federais. Assim, projetos de colaboração com o Brasil serão muito importantes e bem vindos. Embrapa e USDA já possuem uma trajetória de colaborações e estou seguro que uma ação conjunta em espécies invasoras e agentes de controle biológico de pragas em Porto Rico teria boa receptividade junto às agências financiadoras”, completou Rodrigues.

Além da palestra, o pesquisador também visitou as instalações do Laboratório de Quarentena “Costa Lima”, onde foram apresentados os trabalhos desenvolvidos e em desenvolvimento pelos pesquisadores Alexandre Nogueira de Sá e Maria Conceição Pessoa, nos Projetos HLB-Biocontrol e os realizados em parceria com o Protef/Ipef, além das ações estratégicas institucionais da Embrapa Meio Ambiente junto com a Embrapa Gestão Territorial (Campinas, SP).

A visita à Embrapa Meio Ambiente possibilitou identificar ações imediatas de trabalhos com parasitóides em cultivos perenes, como cítricos e anuais, como soja, milho e palmas, bem como em colaboração direta com determinadas pragas invasoras exóticas.

Para Luiz Alexandre Sá, as perspectivas de intercâmbio de bioagentes de controle de pragas entre países será muito interessante frente a alta biodiversidade também encontrada em Porto Rico, e da possibilidade de cooperação entre as equipes técnicas, onde o Laboratório “Costa Lima” poderá pesquisar conjuntamente o controle biológico do ácaro vermelho das palmeiras; uma ameaça para as Américas. Maria Conceição Pessoa, que participa do grupo gestor do Arranjo de Pragas Quarentenárias da Embrapa, destacou que o centro de Porto Rico também poderá atuar em conjunto nesta ação, onde serão prospectadas pragas exóticas com maior risco de chegada ao Brasil pelo Caribe.

Ao final da visita, Rodrigues ressaltou que as parcerias de pesquisa e cooperação entre Porto Rico e Brasil, poderão ampliar a curto prazo o relacionamento bilateral recíproco entre os países, via projetos conjuntos a serem desenvolvidos pelas instituições.

Matéria: Cristina Tordin

Foto: Rodrigues em palestra/Crédito Cristina Tordin

Foto: Rodrigues em palestra/Crédito Cristina Tordin

 

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