Você é linda demais!

Por Gabriel Montenegro

Professor e psicólogo

Segundo o dicionário Michaelis, a palavra estereótipo significa uma :imagem mental padronizada, tida coletivamente por um grupo, refletindo uma opinião demasiadamente simplificada, atitude afetiva ou juízo incriterioso a respeito de uma situação, acontecimento, pessoa, raça, classe ou grupo social”, ou seja, através dos estereótipos passa-se uma
mensagem, seja ela boa ou ruim. É próprio da adolescência procurar grupos para se identificar com eles e ser parte de alguma coisa, na busca por novas referências muitos adolescentes se enquadram em determinados grupos de acordo com suas ideias e vontades, é um acontecimento natural no desenvolvimento humano e até esse ponto está tudo certo. O problema está nos padrões culturais, aqueles estabelecidos pela sociedade que, na maioria das vezes, são absurdos, como por exemplo, os padrões de beleza.

Outro dia, conversando com um amigo, ele comentou que não possuía algumas das principais características tidas como “características de homem”, alto, forte, barba. Nós rimos da situação, isso não fazia dele menos homem, mas estava fora dos padrões. Quando nós trazemos esses estereótipos de beleza para o universo feminino a situação se torna um pouco
mais perigosa. A mídia está o tempo todo tentando- e conseguindo- ditar regras para dizer o que é belo e o que não é belo. Muitas garotas, na escola, se chocam com as diferenças, com as opiniões alheias, com o que tem-se mostrado como correto e aceitável e não conseguem lidar com isso. Por ser gorda, por ser baixa, por ser alta demais, por ser muito magra, por ter cabelo enrolado, por não ter belas curvas, bunda demais, bunda de menos, nariz diferente, e por aí vai, a lista é imensa, está feito o que chamamos de “Ditadura da Beleza”.

Pesquisas apontam que 98% das mulheres não se consideram bonitas e 93% acreditam que a mídia influencia muito na busca doentia pela beleza. Oito em cada 10 adolescentes têm distúrbio alimentar, isso porque, 85% dos adolescentes disseram querer seguir um padrão de beleza. São números assustadores. Além disso, milhares de pessoas sofrem com baixa alto estima e até depressão por não se sentirem bonitas o suficiente, por não estarem de acordo com o que se prega mundo a fora.

Será que esse tipo de padrão merece realmente ser levado em consideração? Quem é que decide o que é bonito e aceitável? Cada pessoa tem jeito de ser, suas peculiaridades, suas diferenças, a sociedade não tem que palpitar nisso, e as pessoas não devem e não podem se deixar ser influenciadas pelo que a mídia impõe. Meu apelo é que cada um seja capaz de amar
a si mesmo do jeitinho que é, somos diferentes, temos belezas diferentes, e mais do que isso, o que é mais importante mora dentro da gente, não é válido que coloquemos em risco nossa

saúde só porque alguém disse que ser magro é melhor, é válido ser saudável sim, porque é importante cuidar do nosso corpo para que ele funcione como deve funcionar, mas viver preocupado com as opiniões alheias, se sentir triste e deprimido por não ser de outro jeito, é bobagem, não merece o nosso tempo. Olhe-se no espelho e enxergue alguém que você pode e quer amar, alguém especial assim, do jeito que é. Não  se deixe ser moldado por um mundoconsumista que quer no vender  a beleza que é nossa por direito desde que nascemos.

  

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