Caminhos para a Democracia, por Pedro Maciel

Pedro Benedito Maciel Neto

Os caminhos por onde passei, com seus sorrisos, risos e sustos, me trouxeram até aqui.

Pelas mãos dos meus pais, especialmente conduzido pelo sorriso generoso e paciente de minha mãe, das minhas avós e das tias Bel, Carminha e Neusa cheguei aqui despido de preconceito, não sem erros, medos e dúvidas, mas sem preconceito.

Essas mulheres lindas e mágicas me ensinaram muita coisa, desde dar laço no cadarço dos meus tênis, para “não tropeçar”, até compreender a mensagem de Victor Hugo no seu “Os Miseráveis”; esse livro foi impactante para mim, a filosofia política de Victor Hugo retrata e se opõe à desigualdade social e a miséria e propõe um Estado presente e acolhedor, indicando ainda a Política como caminho justo e necessário para garantir ou construir a Justiça.

Aprendi, também com elas, a valorizar a minha família, assim como todas as famílias em suas várias formas, aprendi amar as pessoas, independente de cor, credo ou ideologia e a respeitar homens e mulheres, assim como a orientação de cada um.

Esses valores e princípios me colocam desde sempre em oposição à tortura, às ditaduras, à misoginia, ao machismo e a qualquer forma de violência.

Por isso tudo pude fazer escolhas.

Escolhi é o caminho indicado pelo Papa João XXIII, que um mês antes da abertura do Concílio afirmou que “A Igreja é de todos e ninguém está excluído, mas ela é particularmente a Igreja dos pobres“.

O caminho que escolhi é o caminho do Papa Francisco, argentino danado de querido, que ao se aproximar das pessoas, não dá a impressão de perguntar se são católicas ou se vão à Missa todos os domingos, vê nelas criaturas de Deus, seres humanos, pessoas que têm direitos inalienáveis.

A quais direitos inalienáveis me refiro? Aos Direitos Humanos, tão injustamente criticados pelo ódio e pela desinformação dos incautos. Logo os Direitos humanos que são todos os direitos relacionados à garantia de uma vida digna a todas as pessoas, que são os direitos garantidos à pessoa pelo simples fato de ser humana. Os direitos humanos são todos direitos e liberdades básicas, fundamentais para dignidade, por isso quem critica os Direitos Humanos está a negar a dignidade humana.

Escolhi o caminho da democracia, do debate, da possibilidade da convivência com as diferenças de opinião, da diversidade, na quadra da civilização e humanidade.

Por essas e outras tantas razões não posso depositar meu voto em quem não pensa e não age dessa forma.

Também por essas razões convido aqueles que se identificam com os valores da Justiça Social, que reconhecem que há direitos inalienáveis, os quais merecem atenção, aqueles que se pretendem democratas, que votem em democratas e apostem na civilização e na humanidade.

É tempo de nos opormos ao descuido e ao descaso com a democracia, é tempo de cuidados. E “cuidar” é mais que um ato, é uma atitude, pois abrange mais que um momento de atenção, representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.

A democracia que precisamos cuidar é aquela que nos leve ao afeito e à fraternidade e nos afaste do ódio.

Pedro Benedito Maciel Neto, 54, advogado, sócio da MACIEL NETO ADVOCACIA, autor de “Reflexões sobre o estudo do Direito”, ed. Komedi, 2007 – pedromaciel@macielneto.adv.br

  

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