Delegada de Jaguariúna fala dos desafios na profissão, violência contra a mulher e desigualdade de gênero

Susi Baião

Ela chama a atenção pela beleza, incomoda criminosos e desempenha a função mais alta dentro da delegacia da cidade. Mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, nossa equipe conversou com a delegada titular da cidade, Juliana Belinatti Menardo, de 39 anos, sobre os desafios da profissão, violência contra a mulher e desigualdade social.

Pela primeira vez a delegacia de polícia de Jaguariúna tem uma mulher ocupando a posição de delegada titular. “Na seccional temos 14 ou 15 delegados, somos três mulheres”, disse a delegada.

“As mulheres avançaram muito na questão de buscar uma igualdade de condições com relação aos homens. Eu por exemplo, ocupo um cargo que antes, somente era ocupado por homens. Contudo, dados estatísticos, em iniciativa privada, ainda apontam que mulheres ganham menos que os homens, mesmo que realizando idênticas funções. Com certeza isso é demonstração de que as mulheres não atingiram ainda a igualdade plena, isso é um problema sério a ser enfrentado”, contou a delegada.

Apesar da desigualdade, Juliana disse que nunca sofreu preconceitos por ser mulher, pelo contrário, seus pares e funcionários sempre a respeitaram como profissional. Recentemente por iniciativa da própria delegada com apoio da Prefeitura de Jaguariúna, foi instalado na cidade ao lado da delegacia, um setor dedicado especialmente ao atendimento de mulheres.

“Foi altamente positivo para a cidade, pois a divulgação desse novo serviço fez com que muitas mulheres procurassem a delegacia para solicitar medidas preventivas. Em grande parte dos casos elas resultam no afastamento quase imediato do agressor”, afirmou.

Ainda segundo a delegada, a Lei Maria da Penha foi muito importante para a mulher brasileira porque tornou a punição de seu agressor mais certa e rigorosa, garantindo valores fundamentais, prevendo sanções firmes àqueles que desrespeitam a dignidade da mulher, embora com o passar do tempo, mesmo tal lei não tenha sido suficiente para frear a violência doméstica, já que houve, sim, aumento desse tipo de ocorrência.

“Ainda parece ser um desafio a redução desse tipo de crime que não assola somente o Brasil. Os crimes contra as mulheres, infelizmente, acontecem em todo o mundo, com registros também na Europa e EUA, ou seja, em países desenvolvidos. Acredito que um trabalho bem realizado de natureza multidisciplinar, entre setores da Educação, Saúde e Segurança Pública, no sentido de esclarecer, cuidar e proteger a mulher, possa ser uma saída para esta redução. Importante frisar que o homem também merece ser foco desse trabalho para que o pensamento machista seja desconstruído com informações adequadas quanto a igualdade de direitos, inobstante a distinção de gêneros. Sempre incentivo a denúncia por parte das mulheres, vítimas de violência doméstica, porque a polícia e o Estado como um todo, somente poderão ajudá-la se for informado do ocorrido. O aumento das ocorrências que não são notificadas à Polícia, beneficia a violência e prejudica o enfrentamento desta situação”, concluiu a delegada.

  

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