Dia da Mulher continua sendo lembrado em Jaguariúna

Matéria e Fotos: Paula Partyka

“Conversa Franca” realizada pela UniFAJ em alusão ao Dia Internacional da Mulher deixa palestrantes com esperança de um futuro melhor

A fim de causar reflexões, e debater temas relacionados à mulher, aconteceu na quarta-feira, 13, a palestra “Conversa Franca”, na “Escola de Negócios” do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFaj). Uma coordenação do professor e diretor do campus 1, Hector Escobar, e do professor Rogério Narciso Gomes.

A Conversa Franca foi realizada em alusão ao Dia Internacional da Mulher, lembrado no dia 8 de março, com o tema “Conquistas e Desafios: A força transformadora da mulher na sociedade”. Estiveram presentes os alunos da Escola Estadual Julia Calhau Rodrigues, as funcionárias do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), e convidados. A conversa foi gravada pela TV Artes, e será exibida neste domingo, 17, às 13h.

A frase eleita para abrir a conversa foi “Eu quero ser tudo o que sou capaz de me tornar”, da escritora Katherine Mansfiel. A partir disso, convidadas contaram experiências e os alunos da Escola Julia Calhau interagiram com perguntas.

O professor e diretor Hector agradeceu a iniciativa do Programa SocioCultural da UniFaj, e explicou que a universidade promove ao longo do ano uma série de atividades. De acordo com ele, são atividades para que os alunos e convidados tenham oportunidade de refletir sobre os assuntos mais importantes da atualidade.

E como pauta atual, a Conversa Franca sobre o Dia da Mulher foi organizado com muito cuidado, desde a escolha das palestrantes até os convidados. “Promover um dialogo construtivo para que a sociedade consiga evoluir no sentido de reconhecer e valorizar a mulher como pessoa, como cidadã”, considera Hector.

Ele fomenta também que a discussão deve sair dos muros da Universidade, e por isso, tão importante a parceria com a TV Artes. “Trabalhamos com diferentes iniciativas e fazemos questão de permitir que a sociedade participe desse processo”.

A mediação da conversa foi feita pela professora de Direito Penal, Camila Guerreiro. Se formou na UniFaj, depois foi para São Paulo fazer pós-graduação, e hoje é mestranda em Ciências Jurídicas pela Faculdade Autônoma de Lisboa, onde percorre o caminho da docência.

Camila disse que se sente honrada em ter participado da Conversa e ter conduzido o debate. “Eu trabalho essa questão das mulheres desde o primeiro ano em que leciono na faculdade. Nós desenvolvemos o workshop Maria da Penha, onde os alunos são instigados em preparar material que atinja a sociedade de maneira impactante, e reflita para a questão da prevenção e combate da violência doméstica”, conta.

Para ela, a iniciativa da conversa realizada, é muito importante. Assim como para Hector, esse assunto não pode ficar apenas dentro dos muros da Universidade.

Depois das considerações de Camila, foi a vez de Renata Artuzzi. Ela é formada Pedagoga, Professora e é do Posto de Atendimento ao Trabalhador (PAT).

Renata explica que na área de empregabilidade, existe muita diferença com a mulher. “Infelizmente, existe, e é bem claro. Hoje, uma vaga de serviços gerais masculino tem um salário muito mais alto que uma vaga de serviços gerais feminino, sendo que o trabalho e dificuldades às vezes são o mesmo”, lamenta.

A dificuldade da mulher para entrar no mercado de trabalho, muitas vezes, começa dentro de casa. Ela conta que há resistência por parte dos maridos, que acham que a mulher não tem que estudar, não tem que trabalhar. “Chegou um momento em que só o marido trabalhar, não da mais. Hoje, todo mundo precisa trabalhar, é muito normal. Até os filhos, com 16 anos de idade entram no mercado de trabalho para poder ajudar em casa. A vida hoje se tornou muito mais cara”, explica.
Ela conta que um caso recorrente, é que anteriormente muitas mulheres deixaram de estudar, criaram os filhos, e foram abandonadas. Hoje, precisam de um emprego, mas não tem estudo. “Então a dificuldade da mulher é realmente muito grande. Temos bastante jovens aqui, e quem vai mudar isso, são vocês”, afirma.

Renata lembra um caso que passou por ela, há algum tempo, onde uma mulher procurou por ela alegando que o marido não deixava ela trabalhar e nem estudar. Ela instruiu que ela conversasse com seu marido, pois quem ama, teria que perceber que não é uma coisa boa ficar em casa sem estudo e sem trabalho. “No dia seguinte ela voltou tão feliz porque ele tinha a deixado voltar a estudar. E ela estudou, terminou o ensino médio, arrumou um emprego e a vida dela transformou”, conta emocionada.

Por conta disso, Renata considera que ainda há muito que fazer pelas mulheres, em um trabalho conjunto com os homens. Pois é preciso entender que o trabalho é das duas partes.

Também fizeram parte da mesa a professora Rosangela Calhau, a advogada e coach Dayane Pelegrini e a terapeuta Mônica Alvarez. Advogada há 10 anos, Dayane conta que quando começou o processo de desenvolvimento pessoal, decidiu e descobriu que o que faz seu coração cantar é ajudar as mulheres.

A partir daí, ela começou a ajudar as mulheres, a saber, o que elas querem ser e o que estão dispostas a ser para ter. Desde então, ela trabalha com a área de coaching.

“Entrando nesse tema, eu pergunto: o que vocês querem? Qual o papel que vocês querem exercer na sociedade?”, questiona. É preciso ter clareza para definir o que se quer, desde o principio, pois a partir do momento que se sabe, se está mais próximo de ser, ou ter.

Com posse da palavra, a professora e pedagoga aposentada, Rosangela, conta sobre suas experiências e visão sobre as mulheres e a educação. Ela disse ter muito orgulho de ser mulher. “Na outra encarnação, eu quero vir como uma mulher mais empoderada ainda”, afirma.

Sua vida profissional foi trabalhando o jovem nas escolas, e quando estava quase se aposentando, foi convidada para participar da Associação Jaguariunense de Jovens Aprendizes (AJA). Rosangela afirma que é preciso da educação do lar e da educação oficial, ou seja, da escola, para uma formação completa.

“Precisamos se qualificar e se habilitar para ter perspectivas de vida”, disse.

A terapeuta Mônica Alvarez, fala sobre o empoderamento feminino, e pelos exemplos acima, ela considera que vivemos em um mundo patriarcal e machista. “Há muitos anos, foi subtraído da mulher o direito de escolher porque o homem colocou-a como um ser inferior, e isso se perpetuaram, e isso se vê até hoje claramente”.

Ela afirma que muitas coisas precisam ser questionadas nesse mundo, e a primeira que propõe é o papel das pessoas. “Por exemplo, hoje vemos que o mundo é muito masculinizado, e distorcido. A energia masculina, no geral é perfeita, bem como a feminina. Ambas precisam estar em equilíbrio, numa dinâmica de ordem, progresso e harmonia”, explica.

O papel do homem e da mulher precisa ser repensado, segundo Mônica. Ela diz que é preciso trazer para a sociedade uma energia mais feminina, resgatar os verdadeiros atributos femininos como o acolhimento, empatia, sensibilidade e intuição, que são características necessárias na sociedade.

A mediadora Camila encerrou a tarde de conversa agradecendo a presença das convidadas e disse ter ficado com mais esperança num futuro melhor. “Sei que muita coisa ainda será debatida após essa iniciativa, e é exatamente essa a proposta. Despertar o pensando do que está acontecendo fora do mundo de cada um. É um assunto bacana para ser abordado, portanto espero que não fique só aqui”, finaliza.

  

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