Do Guri para o Mundo: jovem de Jaguariúna levou sua batucada para Noruega e, hoje, forma uma nova geração de bateristas e percussionistas

Não foram poucos os baldes que Igor Crecci quebrou, na infância, de tanto batucar neles. Ali, ainda pequeno, o gosto pelo batuque já apontava qual seria o seu destino. Ex-aluno e, hoje, professor do Projeto Guri – maior programa sociocultural brasileiro, mantido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo –, o músico nascido em Jaguariúna, em 1994, trilhou um caminho ligado à arte desde cedo. Além das farras com os utensílios da mãe, ele se recorda de tocar atabaque no terreiro de umbanda que pertencia ao seu avô.

Em 2006, a convite de um amigo, ele foi ao Projeto Guri da sua cidade natal para conhecer as aulas de bateria e percussão. A identificação foi instantânea e frequentou as aulas até os seus 18 anos de idade. Aos poucos, foi ficando claro que a sua conexão com a arte era algo para além de um hobby. “Fui deixando a maré me levar. Pra dizer a verdade, eu nem pensei muito. Estava bem claro que eu queria trabalhar com música, então pensei que o mercado exigia uma profissionalização e fui atrás de estudar”, recorda-se. Durante dois anos, Crecci também integrou o grupo de referência do projeto em Jundiaí. “O Guri sempre me acompanhou e, quando entrei no GR, estreitamos ainda mais a relação”, comenta.

Na faculdade (licenciatura em música no Centro Universitário Adventista de São Paulo, a Unasp), Crecci fez um TCC sobre bateria de escolas de samba como ferramenta de musicalização, algo que foi inspirado pelo curso de três meses que teve com o Mestre Sombra, vice-presidente e mestre de bateria da Mocidade Alegre, tradicional escola de samba de São Paulo. Ao mesmo tempo, no último ano de graduação, o músico viu a possibilidade de dar aula de bateria e percussão no polo do Projeto Guri em Pedreira. Algo que ele define como um “é agora ou nunca” em sua carreira.

Aos 23 anos, Igor pode ampliar os seus conhecimentos e encarou o desafio de realizar um intercâmbio. Selecionado pelo MOVE (Musicians and Organizers Volunteer Exchange, programa custeado pelas Forças de Paz da Noruega), partiu para uma experiência de 10 meses na Noruega. “Sem falar inglês e muito menos norueguês, usei a música como forma de comunicação, foi assim que consegui me aproximar das pessoas por lá”, comenta. Ele foi voluntário na Escola TrØndertun Folkehøyskole, uma escola secundária pública de artes situada na cidade de Trondheim. Quando estava mais adaptado ao local, chegou a dar aulas de percussão e bateria. “Eu lembro que usava gestos e Google Tradutor com os alunos”, diverte-se.

Um dos pontos altos no exterior foi quando ele montou uma banda com noruegueses para tocar na antessala de onde se apresentaria o pianista Chick Corea, um dos mais importantes nomes do jazz internacional. “Das oito músicas que tocamos, consegui incluir duas brasileiras: ‘Chega de Saudade’ e ‘Samba de Uma Nota Só’. Foi um dos meu últimos feitos por lá”, afirma.

Hoje, aos 26 anos, Igor passa o seu conhecimento adiante para as futuras gerações de bateristas e percussionistas. Além do polo Pedreira, o músico dá aulas no home studio que montou em sua casa e também ensina musicalização no Colégio Anglo.

 

Do Guri para o Mundo

A série Do Guri para o Mundo foi criada para retratar o caminho trilhando pelos Guris: quem são, onde estão e o que mudou na vida deles. São histórias inspiradoras que celebram os 25 anos do Projeto Guri e prestam homenagem aos mais de 810 mil ex-alunos beneficiados pelo programa e, consequentemente, pelo poder de transformação da música. A cada semana, a série destaca um personagem nas redes sociais do Projeto Guri e na Sustenidos – organização que administra o programa: http://www.projetoguri.org.br/noticias/do-guri-para-o-mundo/

Patrocinadores do Projeto Guri – Sustenidos: CTG Brasil; CCR AutoBAn; Instituto CCR; VISA; Bayer; WestRock; Microsoft; Supermercados Tauste; banco BV; Novelis; Arteris; EMS; Capuani do Brasil; Faber-Castell; Pinheiro Neto; Santander; VALGROUP; Raízen; BTP; Distribuidora Ikeda; Grupo Maringá; Instituto 3M; Supermercados Rondon; Frigol; Mercedes-Benz; Castelo Alimentos; ENEL; GRUPO GR; Cipatex; Grupo Herval, Pirelli.
Patrocinadores Sustenidos: CTG Brasil; Visa; SulAmérica e Microsoft.

 

Sobre o Projeto Guri

Mantido pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, o Projeto Guri é o maior programa sociocultural brasileiro e oferece, nos períodos de contraturno escolar, cursos de iniciação musical, luteria, canto coral, tecnologia em música, instrumentos de cordas dedilhadas, cordas friccionadas, sopros, teclados e percussão, para crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos (até 21 anos nos Grupos de Referência e na Fundação CASA). Cerca de 50 mil alunos são atendidos por ano, em quase 400 polos de ensino, distribuídos por todo o estado de São Paulo. Os mais de 330 polos localizados no interior e litoral, incluindo os polos da Fundação CASA, são administrados pela Sustenidos, enquanto o controle dos polos da capital paulista e Grande São Paulo fica por conta de outra organização social. A gestão compartilhada do Projeto Guri atende a uma resolução da Secretaria que regulamenta parcerias entre o governo e pessoas jurídicas de direito privado para ações na área cultural. Desde seu início, em 1995, o Projeto já atendeu mais de 810 mil jovens na Grande São Paulo, interior e litoral.

 

Sobre a Sustenidos: Eleita a Melhor ONG de Cultura de 2018, a Sustenidos é a organização gestora do Festival Ethno Brazil, Som Na Estrada, Festival Imagine Brazil, MOVE (Musicians and Organizers Volunteer Exchange) e Projeto Guri. Desde 2004, é responsável pela gestão do programa de ensino musical no litoral e no interior do estado de São Paulo, incluindo os polos da Fundação CASA. Além do Governo de São Paulo, a Sustenidos conta com o apoio de prefeituras, organizações sociais, empresas e pessoas físicas. Instituições interessadas em investir na Sustenidos, contribuindo para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, têm incentivo fiscal da Lei Rouanet e do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD). Pessoas físicas também podem ajudar. Saiba como contribuir: http://www.sustenidos.org.br/pessoa-fisica/

  

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