Mulher Pós Moderna e os cuidados com a mente

“Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir”. (Cora Coralina)

Lavar, passar, cozinhar, cuidar dos filhos e marido, e dizer “Amém” era a figura da mulher na era industrial, a antiga e conhecida “Amélia”. Na era pós-moderna, podemos dizer que o check list das mulheres sofreu um plus. Além da casa, marido e filhos, a mulher entrou no mercado de trabalho, e para muitas, é a atividade que mais ocupa as milagrosas 24 horas do dia.

A mulher pós-moderna ganhou espaço, status e o poder da decisão. Quando antes, eram os homens que decidiam, e tinham que se haver com a responsabilidade da escolha, hoje cabe a ambos, escolher. E neste mundo globalizado, a escolha vem acompanhada do combo: estresse, angustia e ansiedade. Frente a tantas opções, e tendo perdido o selo de troca e garantia, como tínhamos na sociedade industrial através dos padrões, hoje pede-se inovação e uma boa dose do mix criatividade, aventura e responsabilidade.

Ao mesmo tempo, que a entrada da mulher no mundo de trabalho, resultou em uma satisfação pessoal, autonomia, independência financeira, participação na vida social; assim também, surgiram os impasses: acumulo das tarefas domésticas, profissionais; jornada dupla de trabalho; as desigualdades no salário apesar de exercerem a mesma função que os homens; a sobrecarga do solitariamente ser responsável pelos orçamentos. Frente a essa nova identidade, como a mulher pode conquistar uma vida qualificada?

O feminino traz, por natureza, como característica: a sensibilidade, a sutileza, a singularidade, a flexibilidade e a capacidade de amar. Assim, possibilita que a mulher possa melhor responder a lógica desse novo tempo. Porém o que se observa, é que por vezes, a mulher, frente a dificuldade em sustentar sua diferença, busca assegurar-se na figura masculina, se identificando com a mesma, e tornando-se “um homem de saia”. Passa a viver uma rivalidade que vai na contra mão de positivar e desfrutar das suas qualidades.

Querer responder de forma plena e completa as exigências, que são insaciáveis, tanto da esfera da vida privada, quanto da pública, trazem como consequência: o estresse,  a estafa, e o que é pior, a perda da graça.

Para poder cultivar uma mente arejada, aberta ao encontro com as surpresas, ao novo, a criatividade, é importante que a mulher possa cultivar a sua sensível diferença, que não é se alienar a ideais externos, mas que possa construir um jeito próprio de se colocar no exercício da vida.

Faz-se necessário deparar-se com os próprios limites; saber falar não frente a arriscada e tentadora tentativa de englobar tudo. O tom da pauta pode ser no cuidado de si mesma, ao invés de entrar na fila da tirania da beleza. Assim como você pode escolher se quer atender a expectativa sempre frustrada e que lhe é imposta do “você tem que”, ou se preferes escolher uma opção mais ligth, mais leve e que realmente combine com você.

 Patricia Furlan
 Psicóloga Clínica e Psicanalista pelo Instituto de Psicanálise
Lacaniano – IPLA-Sp

 


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