O FIM DA TEORIA MECANICISTA EM RELAÇÃO AOS ANIMAIS

Durante séculos, ecoou erradamente pelo mundo que os animais são seres desprovidos de consciência.

A teoria mecanicista em relação aos animais perdurou durante séculos. Tudo ficou evidenciado a partir de René Descartes, filósofo e matemático, que viveu entre os séculos XVI e XVII, totalmente adepto dessa conceituação materialista, entendendo de forma simplória e pensamento raso que eles eram seres vivos e semoventes, ou seja, que se movimentavam, mas, excluídos das capacidades cognitivas e sensoriais, as existentes na espécie humana. Nas sombras dessa conceituação excludente e unilateral, entendia que eles, animais, não eram dotados de sentimentos, emoções, como sabemos hoje em dia.

Para ele, eram úteis para consumo humano e experiências laboratoriais. E, por incrível que pareça, essa concepção errônea influenciou toda Europa, principalmente, quando a Ciência começou a ganhar corpo e dimensão, utilizando-os para fins de pesquisas científicas. É inadmissível que um ser humano dedicado às ciências exatas e à arte filosófica não tenha tido capacidade de observar melhor o comportamento animal. É preciso que entendamos que mesmo que os animais não tenham capacidade de resolver uma equação matemática, somar, dividir, o que importa é que eles têm vida e, se têm vida, logicamente, sentem.

Mas, isso era impossível para um ser humano arrogante daqueles velhos tempos.

Observem o prodígio de Deus, criando milhares de espécies diferentes, tanto no reino animal como vegetal. O ser humano no limo de sua falsa superioridade e obscurantismo, sempre olhou a fauna com algum desprezo, entendendo os animais como seres sujeitos ao seu bel-prazer, nada mais que isso. Esses mesmos humanos, que se sentem superiores, não entendem os seus próprios limites. Por acaso, algum deles é capaz de criar uma simples semente de feijão, por exemplo, do nada? É capaz de criar um grão de areia?

– Claro que não!
Então, por que tanta soberba?

A MÃO DE DEUS NA CRIAÇÃO DAS ESPÉCIES?
– Eu entendo que sim!

Não acredito na teoria do acaso. Na verdade, o acaso tem íntima ligação com o fator aleatório e esse, por sua vez, com o caos, e o caos não cria absolutamente nada – é a própria desorganização. E, se criasse, não haveriam formas diversas, complexas e tão perfeitas. Esse silogismo demonstra com simplicidade que houve uma energia inteligente criadora de todas manifestações de vida. Não sou materialista!

A concepção mecanicista, especista, ou materialista não tem muito eco nos dias de hoje. A não ser entre pessoas que não estudam ou não gostam de animais.

Cada um deles trás consigo certas peculiaridades em seus DNA’s, tornando-os diferentes. Os coelhos são bonitos,
mansos, convivem bem com humanos que os saibam respeitar e têm consciência do que está à sua volta; o João de Barro, com sua inefável beleza na construção de sua casa através de singular engenharia, algo que, possivelmente, advém do fenótipo de suas células, pois, todos eles assim agem, com maestria e perfeição não é obra do acaso. Não seria a mão de Deus na Criação das espécies? -Eu penso que sim!

Resumindo: é impensável que apesar de o tempo ter passado, os animais ainda sejam entendidos como meras “coisas”, objetos de consumo nas sombras da concepção mecanicista, tão alardeada por René Descartes que hoje, certamente, receberia inúmeras críticas, se estivesse vivo e entre nós. Não é a capacidade de discernir, multiplicar, somar, dividir, entender e desenvolver equações matemáticas, filosofar que nos tornará melhores. O que está acima desses conceitos é o amor ao próximo, a bondade e o respeito às criaturas existentes no planeta em que vivemos. Todo ser senciente merece ser feliz – nós e os animais. Basta de atraso e conceito mecanicista. O amor é incompatível com o estofo materialista e a neurociência já demonstrou que os animais sentem como todos nós, conforme eu já explicara reiteradas vezes nesse importante espaço jornalístico.

Gilberto Pinheiro – jornalista, palestrante em escolas, universidades, destacando a senciência
e direitos dos animais.
gilberto_pinheiro@yahoo.com.br

  

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