Ônibus da Terra param e deixam população de Paulínia a pé

Motoristas cruzam os braços em protesto a atrasos no pagamento de férias e FGTS;  consórcio que venceu licitação do setor tem até março para assumir serviço

Trabalhadores da Terra Auto Viação Transportes Ltda, empresa responsável pelo transporte público de Paulínia, cruzaram os braços durante cerca de seis horas nesta terça-feira (25). Eles protestaram contra o atraso no pagamento de férias vencidas e a falta do recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Cerca de 25 mil passageiros foram prejudicados pela paralisação dos ônibus na cidade.

Ônibus da Terra Auto Viação Transportes Ltda, estacionados na Rodoviária Shopping (Foto: Divulgação)

O protesto dos trabalhadores começou por volta das 9h desta terça-feira. Os ônibus ficaram parados na Rodoviária Shopping de Paulínia. Segundo a categoria, a empresa não paga as férias vencidas e não recolhe o FGTS descontado de seus holerites.

A Terra, conforme o sindicato, havia se comprometido a realizar esse acerto até o último dia 20, entretanto não cumpriu a promessa. Nesta manhã, propôs pagar no próximo quinto dia útil e em seguida no dia 1º de fevereiro, mas os trabalhadores não aceitaram os novos prazos estabelecidos pela empresa.

O sindicato informou a categoria que a Terra alegou que não tem dinheiro para fazer o pagamento imediato dos atrasados. A Prefeitura adiantou, por meio de nota, que notificou a Terra para retomada dos serviços prestados à população. “A Administração municipal reitera que está em dia com as suas obrigações contratuais com a empresa e que não foi comunicada sobre a paralisação”, esclareceu.

A Prefeitura destacou que lamenta os transtornos causados às pessoas que dependem do transporte público municipal. “Seguimos tomando as providências cabíveis para normalizar a operação o mais rápido possível”, garantiu. Mas não deu prazo para que isso acontecesse.

Ao meio-dia, a Terra fez nova proposta de realizar o pagamento dos atrasados até o início da tarde de sexta-feira que vem (29). Às 14h15, a categoria concordou a voltar a trabalhar. Se a empresa não cumprir o novo acordo, eles cruzar os braços novamente na próxima sexta-feira. Os ônibus começaram a sair do Rodoshopping com regularidade cerca de uma hora depois, por volta das 15h. A normalização completa do sistema de transporte público deveria ocorrer até o final da tarde e início da noite  desta terça-feira.

Segundo a Prefeitura, o Consórcio Mobilidade Paulínia, que venceu a nova licitação do transporte público, concluída e homologada pela Prefeitura desde o dia 23 de agosto deste ano, tem até março deste ano para assumir o serviço. O contrato pelos próximos 10 anos está estimado em R$ 268,9 milhões e poderá ser prorrogado pelo mesmo período.

O Consórcio Mobilidade Paulínia é formado pela Rápido Sumaré Ltda, do Grupo Belarmino, e pela própria Terra, que segue operando sozinha o serviço público de transporte municipal coletivo urbano e rural de passageiros da cidade desde janeiro de 2020 por meio de sucessivos contratos emergenciais.

Até a publicação deste texto, a Terra tinha se pronunciado sobre a paralisação dos ônibus.

  

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