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Proibição de comercialização de flores repete cenas de descarte nas produções, cooperativas e lojas

As cenas vistas nas cooperativas, nos campos de flores e nas floriculturas e supermercados, foi desoladora: parte da produção destinada ao Dia da Mulher, que representa 8% do faturamento anual do setor, foi para o lixo ou triturada para voltar aos canteiros e vasos na forma de adubo. A venda das flores foi, simplesmente, barrada por prefeitos, principalmente do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e algumas cidades do interior paulista na semana passada, mesmo sendo oficialmente classificadas como agro, juntamente com frutas, verduras e legumes. Por esta classificação, as flores e plantas podem ser vendidas livremente nos chamados “serviços essenciais”.

No entanto, mesmo diante do ofício do Ministério da Agricultura orientando a permissão do comércio, prefeitos de muitas cidades brasileiras determinaram o fechamento das floriculturas e, ainda, proibiram a venda de plantas e flores mesmo nos supermercados que eles próprios autorizaram permanecerem abertos nas chamadas Fases “Preta” ou “Vermelha” que indicam o lockdown em cada estado. Em algumas cidades, os prefeitos chegaram a determinar que as flores fossem isoladas, com plásticos e fitas, para impedir o acesso do público.

Cancelamento de compras

A consequência do impasse foi o cancelamento de incontáveis pedidos de compra: tanto em meados da semana passada, pela insegurança dos donos de floriculturas que não sabiam se poderiam ou não abrir as suas lojas; quanto nesta semana, referentes às novas compras, devido aos estoques não vendidos na data esperada.

Na Cooperativa Veiling Holambra os reflexos da proibição das vendas em várias cidades começaram a ser sentidos na terça-feira, dia 9, e devem causar um descarte de cerca de 35% de todas as flores e plantas ofertadas durante esta semana no sistema de leilão (Klok). “Isso significa, aproximadamente, 400 mil unidades de flores e plantas, sem computar o que o produtor já está descartando nas suas estufas e o que os clientes – floriculturas, gardens centers e supermercados – já estão jogando fora no próprio ponto de venda por terem sido impedidos de vender os produtos”, diz Jorge Possato, CEO da Cooperativa Veiling Holambra.

O destino das plantas que não chegaram às mulheres – no dia delas – tem sido o ruidoso e impiedoso triturador que, desde então, está transformando as “sobras” em adubo orgânico. Nas fazendas e estufas, os funcionários estão passando os tratores sobre os canteiros de flores de cortes, enquanto as flores de vaso são separadas dos vasilhames (que serão reaproveitados) para também serem atiradas “no lixo”.

Preocupação com o Dia das Mães

“Nosso produto desperta alegria, emoção e bem-estar nas pessoas. Por isso, esperamos que essa situação se reverta rapidamente nos próximos para que nossos flores e plantas estejam disponíveis nos pontos de vendas – floriculturas, garden centers e supermercados -. Não estamos pedindo para que elas sejam vendidas em locais nos quais os serviços essenciais estejam fechados. Mas, nos municípios nos quais o funcionamento seja permitido, solicitamos que as flores possam ser comercializadas também. A flor é agro. A flor é perecível e não pode ser estocada para ser vendida em outra ocasião”, explica Jorge Possato.

De acordo com ele, a maior preocupação é que as flores para a Páscoa e Dia das Mães já estão plantadas, no mínimo, desde dezembro. “O mercado já está crítico para o setor de flores e plantas. Nosso setor já sofreu duros golpes com o cancelamento dos eventos – principalmente casamentos e formaturas – que representam 30% do faturamento do setor da floricultura nacional. Precisamos dessas vendas para manter os empregos no campo, além dos gerados nos pontos de venda”, diz.

  

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