Psicólogas palestram sobre autoestima e empoderamento feminino em casa candomblecista

 

Matéria: Paula Partyka

Na noite desta terça-feira, 19, aconteceu nas dependências da Associação Candomblecista Lebambilê e Odé, uma palestra sobre autoestima, com as psicólogas Janaína Antunes e Daniela Stort. A iniciativa foi de Babalorixá Paulo de Oxoguian e Babalorixá Regis de Oxossi.

Partindo do ponto emocional e psicológico, as palestrantes buscaram desconstruir a ideia de que a autoestima acontece por ela mesma. “Vamos tentar pensar com as pessoas que a autoestima é construída a partir de vários fatores, inclusive culturais e sociais”, explicou a mestra em educação, Daniela.

“A gente está em um momento de grande violência contra a mulher. Eu penso que esse tema é importante para toda sociedade, não só para a mulher. E por um momento, acho que temos vivido um momento de muita solidão, sem ter esse cuidado coletivo uma com as outras. Um espaço como esse abre a possibilidade de pensar juntos, debater juntos e aproximar a psicologia das pessoas”, disse a doutoranda em educação, Janaína, sobre a importância do evento.

O pai Paulo e Régis são os responsáveis pela Associação. Paulo conta que a partir de um evento com a presença da Rainha da República Democrática do Combo, se manifestou a ideia de fazer um trabalho específico para mulheres.

“As casas de Axé são conhecidas, mundialmente, pelo trabalho social que fazem. Como estamos em Jaguariúna e somos a única casa, genuinamente, de candomblé da região, temos por obrigação de promover esse trabalho social”, explica.

Partindo da autoestima como tema da palestra, foi bordado o tema de empoderamento feminino. “Eu acho que hoje, é uma situação que está muito complicada. O mercado de trabalho e essa vida cheia de afazeres, a mulher tem deixado a sua autoestima de lado”, disse.

Para pai Régis, esse assunto é muito importante para o mundo feminino. “A sociedade que a gente vive hoje, por conta do pouco esclarecimento, criação e cultura, não traz esse tipo de situação em si. Antigamente, a mulher tinha o papel de cozinhar, lavar, passar e cuidar dos filhos. Hoje a mulher conquistou o seu espaço, por meio da autoestima. E isso vem da educação, escola e orientações. É uma realização muito grande esse primeiro encontro com as mulheres”.

A Casa está disponível para todos para conversar ou buscar ajuda de órgãos públicos, pois de acordo com pai Paulo, existem parcerias. “Queremos servir de ponte”, disse.

Localizada na Roseira de Cima, há três anos, são realizados trabalhos em particular. A casa abre ao publico para trabalhos espirituais nas quartas-feiras, no período noturno. São 50 pessoas que trabalham na casa, chamados filhos de santo, e eles que mantém a casa.

“Não aceitamos doações em dinheiro da sociedade. Todas as obras feitas, é com dinheiro que a casa arrecada com os frequentantes”, explica pai Paulo.

  

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