Voando alto: projeto cultural leva adolescentes para conhecer Brasília

Na quinta-feira, dia 11 de agosto, um grupo de 15 adolescentes embarcou numa viagem para alçar voo pela primeira vez. Literalmente. Às 9 horas da manhã estavam todos no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, uniformizados e prontos para conhecer a capital do país: Brasília.

O projeto “Meu primeiro vôo cultural” foi criado há 5 anos e proporciona aos adolescentes do bairro Itatinga – reconhecido por ser a maior zona de prostituição da América Latina – a oportunidade de ver o mundo com outros olhos. Neusa Silva, é idealizadora do projeto e responsável pela NHL Produções. Ainda no trajeto para o aeroporto, ela me contou que a ideia surgiu depois de um convite para visitar o Centro de Promoção para um Mundo Melhor, o CEPROMM, localizado também no Itatinga. Ao conhecer as crianças, ela soube que ali seriam criados laços de amizade e aprendizado para ambos.

Então, colocou o “Meu primeiro vôo cultural” no papel e levou até a Samsung, em busca de uma parceria para viabilização do mesmo. “Eu apresentei e eles compraram a ideia e toparam entrar nessa comigo!”, relembrou Neusa.

A assistente social da Samsung, Priscilla T. Shibata, entrou de cabeça nessa aventura ao lado de Neusa e do CEPROMM. “Tínhamos a necessidade de fazer algo sólido em que pudéssemos cooperar e também ajudar a sociedade de uma forma geral. Quando a NHL nos propôs sermos os primeiros a fazer este projeto, acreditamos e abraçamos a causa, visando esta ajuda a comunidade, oferecendo a estes adolescentes oportunidade de conhecer algo além de sua realidade e vivência do dia a dia”, afirmou Priscilla.

Mas a parceria não parou por aí. Os jovens selecionados para participarem do projeto, são treinados e participam do programa “Meu primeiro emprego”, que encaminha e dá oportunidade profissional para os adolescentes se preparem para o mercado de trabalho. “Dentro deste programa acompanhamos, orientamos e moldamos para que saiam da Samsung preparados para o mercado de trabalho. O acompanhamento se dá tanto profissional como pessoal”, ressaltou a assistente social.

Dessa forma, todo ano *16 adolescentes de 15 a 18 anos tem a chance de participar dessa experiência. A coordenadora pedagógica do CEPROMM, Fabiana de Angele, conta como é feita a escolha dos participantes. “O processo de escolha se dá por faixa etária, depois priorizamos os jovens que nunca tiveram a oportunidade de viajar de avião e também outros critérios de desempenho e participação nas atividades propostas na oficina de informática, frequência, período mínimo de 05 meses de matrícula na Entidade”, explicou. Atualmente, o CEPROMM atende 270 crianças adolescentes e jovens, sendo destes 60 adolescentes e jovens com idades entre 15 a 18 anos.

A VIAGEM

15 adolescentes tiveram a oportunidade de conhecer de perto o Distrito FederalEste ano, embarcamos em 21 rumo à Capital Federal: 15 participantes, eu – para a cobertura jornalística, Priscilla, Neusa, Fabiana e Sandra Meira, psicóloga do CEPROMM. Tudo era novidade para os adolescentes: a esteira no aeroporto, o avião, os gritos de empolgação e medo no momento da decolagem. Bonito de ser ver e compartilhar.

Fabiana ressalta que o projeto é extremamente importante para a formação dos alunos escolhidos. “Além de motivá-los para participação nas atividades diárias para concorrer a vaga, contribui significativamente para a vida dos adolescentes que são oportunizados a viajar de avião pela primeira vez e conhecer a história, geografia e estrutura urbana de Brasília”, reforçou a coordenadora.

Chegando na capital, novas descobertas! O roteiro da viagem incluía um almoço no restaurante da Câmara dos Deputados, situado no 10º andar do Anexo 4 e logo depois uma visita ao Congresso Nacional para conhecer a Câmara e o Senado, o que preencheu os Salões Verde, Azul e Negro com um misto de curiosidade e encantamento traduzidos nos olhares e expressões dos adolescentes.

Em seguida, partimos para conhecer o Museu de Valores do Banco Central, o que suscitou em muitas novidades que os divertiram e entreteram, lá puderam ver a maior pepita do mundo e ficaram encantados com os pufes “recheados” de dinheiro. “Daqui, eu gostei de tudo o que eu vi”, contou Victor Hugo Santoni, 16 anos.  Com um roteiro de passeios apertado, seguimos para a Catedral de Brasília, que se mostrou magnífica com todo sua simplicidade e delicadeza das obras.

E já que estávamos em Brasília, os adolescentes não podiam deixar de conhecer o Memorial JK, em homenagem ao ex-presidente do Brasil e idealizador da capital, Juscelino Kubitschek. A atmosfera recheada de história e peças que pertenceram ao falecido presidente ajudam, de forma física, a contar essa parte da trajetória do país e isso encantou a todos. “É muita história e toda essa estrutura, eu amei o Memorial”, ressaltou Beatriz Soares, de 16 anos. Com a noite caindo e para fechar o passeio, passamos pela Praça dos Três Poderes, Palácio do Jaburu e Alvorada.

Para a psicóloga do CEPROMM, Sandra Meira, esta experiência serve para refletir sobre as questões sociais, culturais e psicológicas. “Este projeto contribui para um amadurecimento emocional, colabora na construção de um pensamento crítico do jovem no exercício da cidadania e elevação da sua autoestima, intensificando seu desenvolvimento intelectual e social”, afirmou.

Tallysson Botelho, de 15 anos, ficou vislumbrado com o que viu na cidade. “Quando chegamos aqui, era tudo diferente! Eu gostei da experiência e também de voar”, contou empolgado. Aliás, o voo era preferência unânime, não teve quem não gostou da experiência. Após um dia todo, o cansaço começou a dar sinais, mas não desanimou ninguém!

No aeroporto para a volta mais novidade, ver a cidade do alto durante a noite! Ao chegarmos em Campinas, era evidente: a viagem causou efeitos. A oportunidade, mostrou aos adolescentes que é possível ampliar a visão de mundo e, agora em terra firme, é preciso que eles mantenham em mente que é preciso manter os pés no chão, mas a cabeça e os sonhos nas nuvens.

CEPROMM

A convite do Padre Haroldo Rahm, as Irmãs do Bom Pastor chegam a Campinas para realizar um trabalho com as mulheres em situação de prostituição, no bairro Jardim Itatinga – zona confinada de prostituição. Preocupadas com a situação das mulheres, as Irmãs Maria Lourdes Vicari e Ana Maria Rocha Bastos organizaram o trabalho da PMM “Pastoral da Mulher Marginalizada”.

Em 1981, iniciou-se um trabalho de prevenção com as crianças do bairro, a fim de evitar que as mesmas optassem pela prostituição e drogas. As Irmãs mobilizaram a Comunidade a ter uma sede para oficinas e atividades. No dia oito de maio de 1993, foi inaugurado juridicamente o Centro de Estudos e Promoção da Mulher Marginalizada – CEPROMM que hoje é uma Entidade reconhecida e renomada no atendimento as crianças, adolescentes jovens e mulheres. O CEPROMM ressignificou seu nome, o “Centro de Estudos e Promoção da Mulher Marginalizada” se tornou “Centro de Promoção para um Mundo Melhor”. A razão da existência do CEPROMM é acreditar no potencial humano das crianças, adolescentes e suas famílias para a construção de um mundo melhor.

*Infelizmente, uma adolescente selecionada para participar do projeto neste ano, não pode estar presente.

Matéria: Caroline Belini

  

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