Gestão de energia torna-se essencial para produtividade do agronegócio
Produtores podem sofrer com volatilidade do mercado, que influencia em preços de alimentos e custos de produção
(Créditos: ArtistGNDphotography / iStock)
A volatilidade das contas de luz tende a influenciar diretamente a produtividade do agronegócio. De acordo com relatório do Rabobank, banco cooperativo global com foco em atuação no meio, a alta na energia – ocasionada por diferentes fatores – pressiona os custos da produção no campo.
O fenômeno já pode ser sentido na inflação. O IPCA-15 de março avançou 0,44%, acima das expectativas, sendo que alimentos in natura são responsáveis pelo forte impacto neste avanço. Segundo o Rabobank, a pressão global sobre energia e commodities influencia no aumento.
Dentro desse contexto, torna-se necessário que produtores rurais busquem por alternativas de otimização energética para obter maior previsibilidade e planejamento financeiro, além de se precaver da elevação de custos de produção e preços finais dos alimentos.
CNA defende desconto na tarifa energética
No final de 2025, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) participou de audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, e defendeu o desconto da tarifa de energia elétrica para o setor agropecuário.
Entre os argumentos, estão o aumento do custo para disponibilização de alimentos para a população – visto que o agro brasileiro é responsável pela alimentação de 10% do mundo – e a geração de energias renováveis e sustentáveis.
Jordana Girardello, assessora especial da CNA, falou sobre o aumento da demanda energética no campo ao defender o desconto.
“A demanda eletroenergética do setor cresce muito a cada ano, e com a tecnologia de irrigação, frente às mudanças climáticas, tende a aumentar ainda mais para garantir a segurança alimentar”, afirma Girardello.
O Projeto de Lei 1.638/2025, que trata da concessão de descontos tarifários para unidades consumidoras que utilizam energia elétrica em atividades de irrigação e aquicultura, foi aprovado em comissões da Câmara, mas ainda carece de debates no Congresso para avançar e ser sancionado.
Alternativas no agro
A energia é responsável por diversos setores estratégicos no agronegócio, como sistemas de irrigação, armazenagem, refrigeração, beneficiamento e agroindústrias.
O volume crescente do consumo energético influencia no planejamento financeiro. Segundo a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel), o mercado livre de energia corresponde a, aproximadamente, 40% de toda a eletricidade consumida no Brasil.
No mercado livre de energia, consumidores podem negociar diretamente preços, prazos e fornecedores, criando oportunidades de economia e maior previsibilidade de custos. O cenário é diferente do mercado regulado. De acordo com Gustavo Sozzi, do Grupo Lux Energia, os produtores ainda não apostam na alternativa por desconhecimento.
“Existe um mito de que o mercado livre é exclusivo para grandes indústrias, mas isso já não é mais verdade. Produtores rurais e agroindústrias de médio porte já conseguem acessar esse ambiente e obter economias relevantes”, diz Sozzi, ao portal O Presente Rural.
Além disso, neste cenário, alternativas como o gás para o agronegócio entram no debate sobre eficiência. Energias renováveis, combustíveis alternativos e diesel renovável também são opções buscadas para segmentos do agro.