Cia Talagadá participa de festival online de teatro

Espetáculo ‘Translúcido’ foi selecionado para transmissão pela internet nesta sexta-feira

A Cia Talagadá – Teatro de Formas Animadas confirmou a participação no Profest Teatro – Festival Nacional de Teatro, que acontece de forma totalmente online em razão da pandemia. O evento começou nesta quarta-feira (27) e segue até domingo (31).  O festival é uma iniciativa da Cia de Teatro Terceiro Sinal, de Congonhas (MG). A participação do grupo itapirense ocorre nesta sexta-feira (29), às 18h00, com o espetáculo ‘Translúcido’.

As transmissões podem ser acompanhadas pelo Facebook (www.facebook.com/terceirosinalmg) e pelo Youtube (https://youtu.be/E64aF133BU8). A montagem conta com a participação dos atores Danilo Lopes, João Bozzi, Valner Cintra e Luan Freitas, além do apoio técnico de Eduardo Nascimento. Ao todo, o evento recebeu 267 inscrições de todas as regiões do país, dos quais foram selecionados 40 espetáculos.

A programação conta com cinco montagens em oito categorias: Drama, Comédia, Rua, Alternativo, Monólogo, Palhaçaria, Musical e Infantil. Entre os jurados estão importantes nomes da cena teatral e cultural basileira, como Thiago Lacerda, João Fonseca, Reiner Tenente, Ernesto Piccolo, Mateus Ribeiro, Tauã Delmiro, Kayete, Eraldo Fontiny, Carlos Nunes, Leonardo Miggiorin e Beatriz Apocalypse. O vídeo do espetáculo que será transmitido nas redes do festival foi gravado pela Fixar Imagens.

Vale lembrar que a participação ocorre no mês em que o grupo itapirense estaria circulando com o espetáculo, premiado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo), não fossem as restrições impostas pela pandemia. “Poder fazer isso ao menos pela internet pode estimular o movimento teatral. Estamos curiosos e ansiosos para ver como será a resposta do público, e claro, torcendo para que esse tipo de ferramenta ajude os grupos a sobreviverem e resistirem neste momento”, finaliza Valner Cintra.

O evento é idealizado pelo ator, diretor e produtor cultural João Sabará. De acordo com ele, a proposta tem como objetivo dar visibilidade às novas produções teatrais, promover o intercâmbio entre grupos, abrir espaço para novos talentos e, principalmente, movimentar a cena cultural. “Agora, nosso esforço é ainda maior neste sentido, pois vivemos juntos este momento em que todos estão em isolamento, devido ao coronavírus, e temos que manter a arte teatral em atividade”, explica. A programação completa está n site www.terceirosinal.com.

ESPETÁCULO

O espetáculo Translúcido propõe uma provocação dramática visual que se apodera da plasticidade de materiais característicos por sua opacidade, transparência ou translucidez. A peça traz investigações acerca de seu título – a palavra translúcido – cujo significado aponta para algo que deixa passar a luz, mas que não permite que se vejam nitidamente os objetos através de sua espessura.

Esse significado e suas derivações servem como ponto de partida para abordar, de forma lúdica e onírica, a realidade do nosso cotidiano, num universo transitório que está além de nossa lucidez, cuja dramaturgia se constrói de forma única e individual aos olhos de cada espectador.

“Estamos em um período muito difícil, não só por conta da pandemia, mas também por todo o desmonte da cultura que já vinha acontecendo e que agora se intensificou. Nesse cenário, a área artística e cultural será uma das últimas a retomarem as atividades, especialmente aquelas que dependem de público presencial”, destaca Cintra.

De acordo com ele, o formato online do festival serve como instrumento de resistência da arte neste momento, além de uma espécie de experiência para sentir o comportamento do público diante dessa modalidade.

“Sempre defendemos muito que o fenômeno teatral se dá pela comunhão entre artistas e público, mas neste momento é preciso, literalmente, sair da caixa preta do teatro e pensar em estratégias que vão além da própria linguagem. Há muitos questionamentos e até críticas sobre fazer ou não teatro de forma virtual, mas se não o fizermos, acaba criando um hiato, um buraco negro e de repente ninguém mais fala de teatro”, acrescenta.

Para ele, foi justamente a necessidade de se evitar essa situação que motivou a inscrição da Cia Talagadá no festival online. “Optamos por usar das tecnologias para, ao menos, tentar colocar o público em contato com os trabalhos e de alguma forma manter viva a atividade teatral e a discussão”.

De acordo com Valner Cintra, o grande receio neste momento é que, depois de superada a crise da pandemia, o desmonte da cultura continue ocorrendo sob a justificativa de que é possível fazer tudo somente de maneira virtual. “Precisamos seguir nos comunicando com o público, ter resiliência e se abrir aos novos formatos, para depois poder lutar para que tudo volte ao normal e retomar as apresentações presenciais”.

 

  

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