Henricão será homenageado no Carnaval itapirense

Cantor, compositor, jogador de futebol e ator brasileiro, Henrique Felipe da Costa, o Henricão, será o grande homenageado do Carnaval 2018. Nasceu em Itapira no dia 11 de janeiro de 1908 e ao longo de seus 73 anos ganhou destaque como compositor de sambas e como um dos fundadores da Escola de Samba Vai-Vai, na capital paulista. “No ano em que celebraríamos os 110 anos de Henricão, queremos homenagear esse grande artista que nasceu em nossa terra. Ao mesmo tempo em que resgatamos sua memória para os mais velhos, apresentamos sua vida e obra aos mais jovens que não tiveram a honra de conhecê-lo”, disse o secretário de Cultura e Turismo, Tiago Fontolan.

Além da menção do artista no II Circuito de Blocos ‘Zezo Marconi’ – Em Homenagem a Henricão, também haverá espaço para lembrar sua vida e obra durante o II Concurso de Marchinhas Carnavalescas. Recentemente, através das redes sociais, a Secretaria de Cultura e Turismo divulgou um áudio inédito gravado no dia 20 de setembro de 1983 na Câmara Municipal de Itapira-SP, quando Henricão recebia uma homenagem. Muito emocionado, retribuiu o carinho com uma de suas canções. “Eu queria dar mais a Itapira, mas por mais que eu me esforçasse não pude dar à minha gloriosa terra tudo quanto Itapira merece. […] Tinha que homenagear o povo da minha terra cantando, porque não sei fazer outra coisa”, diz entre risos. Ele agradece à homenagem e diz que acredita que aquela possa ser a última de sua carreira. Em seguida, dá início à marchinha “Nasci aqui em Itapira/ terra de gente boa/ em cada coração um amigo/ quem vive aqui/ Deus abençoa./ Não vou embora,/ eu vou ficar/ pra Deus me abençoar”.

Seguindo os moldes do ano passado, o Carnaval itapirense ocorrerá entre sábado, 10, e terça-feira, 13, no Parque Juca Mulato. No sábado, o Circuito de Blocos terá saída da Praça Mogi Mirim, no bairro Santa Cruz, às 18h00. Na semana passada, a Secretaria de Cultura e Turismo lançou o convite para que os foliões se organizem e inscrevam seus blocos. No dia do circuito, a Prefeitura irá disponibilizar carro de som para acompanhar os grupos pelas ruas da cidade até a chegada junto ao Palco do Parque Juca Mulato, onde os blocos comandarão a folia. Também haverá dança.

No domingo, haverá matinê a partir das 16h00 com aula de dança e show com a banda oficial do evento e na segunda-feira, o destaque da programação é a final do II Concurso de Marchinhas Carnavalescas a partir das 19h00. Em seguida, show com a banda oficial do evento.

Na terça-feira de Carnaval, o DJ começa o som eletrônico ainda no fim da tarde, por volta das 16h00, para o aguardado desfile da Banda do Nheco, cujo horário do desfile ainda está sendo definido entre a banda e a secretaria. A programação detalhada será divulgada nos próximos dias.

Sobre Henricão

Henrique Felipe da Costa, o Henricão, nasceu em Itapira no dia 11 de janeiro de 1908. Seu pai era violeiro de uma Congada e desde pequeno Henricão e seus irmãos o acompanhavam, tendo grande influência musical em casa. Na adolescência, trabalhou com trator na roça de café e feijão, das “Indústrias Reunidas Francisco Vieira” até seus 16 anos, quando sai de Itapira para ser goleiro, jogando no “Velo Clube” de Rio Claro, no “Floresta”, em Amparo. Em 1924, recebeu uma proposta para jogar no Corinthians, em São Paulo. Chegando à capital, em meio aos treinos, começa a frequentar gafieiras e a aprende a cantar ouvindo discos.

Sua primeira apresentação no rádio foi em 1927. Entra em contato com a turma do time de futebol de várzea “Cai-Cai”, no bairro da Bela Vista, onde se uniu ao grupo responsável por animar as partidas. Sempre vistos como penetras e arruaceiros, foram apelidados de modo jocoso como “a turma do Vae-Vae“. Expulsos do Cai-Cai, o grupo cria o “Bloco dos Esfarrapados” e, paralelamente, o “Cordão Carnavalesco e Esportivo Vae-Vae” (atual Vai-Vai).

Henricão, compôs o samba de 1928 “Quem vive aborrecido distrai no “Bloco Carnavalesco Vai Vai”. Também de sua autoria foi o samba de 1929, que dizia “O Vai Vai na rua faz tremer a Terra / Quem está ouvindo e não vê / Chega a pensar que é guerra“.

A convite de César Ladeira, se apresenta na rádio Record com uma jovem cantora formando a dupla Henrique e Risoleta. Em 1937, participa com Flávio de Carvalho (1899-1973) do Clube dos Artistas Modernos (CAM) e forma dupla com Sarita, com quem grava dois maracatus: “Noiô, Noiô”, de Paulo e Sebastião Lopes, e “Chora meu Goguê”, de Benigno Gomes e Franz Ferrer, ambos no mesmo disco pela Odeon. No ano seguinte, em viagem ao Rio de Janeiro e participa de um programa de rádio com Ataulfo Alves (1909-1969), que o apresenta à cantora Carmen Costa, formando a dupla mais famosa de sua carreira. Gravam dezenas de músicas, com destaque para “Só Vendo que Beleza” e “Está Chegando a Hora”, em parceria com Rubens Campos, ambas lançadas em disco em 1942, com acompanhamento da escola de samba Praça 11. Elas se tornam sucesso do Carnaval de 1943, fazendo com que a dupla recebesse convites para se apresentar em todo o país, em circos, parques de diversão e casas de espetáculo. Resistindo ao tempo, a primeira canção teve regravações de Elza Soares e Elis Regina, além do trio Moreno, Domenico e Kassin, em 2000, e Maria Bethânia e Omara Portuondo, em 2008. A segunda canção foi regravada por Jacob do Bandolim, Emilinha Borba e MC Sapão no disco O Bonde das Marchinhas (2006).

Em 1959, lança o 78 rpm “Henricão e suas Pastoras”, com dois sambas: “Vai meu Amor”, de Mário Augusto e Beduíno, e “Resolve na Hora”, parceria com Raul Marques, mas tem pouca repercussão. Depois disso, Henricão permanece 21 anos sem gravar como cantor, período em que se dedica a diversos ofícios como ator, motorista particular e vendedor de automóveis, enfrentando dificuldades financeiras.

Participa de mais de 20 filmes, desde seu primeiro papel no inacabado “It’s All True”, de Orson Welles, a produções de Mazzaropi e pornochanchadas. Obtém destaque com a interpretação de um líder quilombola em uma versão para o cinema de Sinhá Moça, realizado pela Cia. Vera Cruz. Com o filme, ganha diversos prêmios como melhor ator.

Já em 1973, esquecido pelo grande público, grava o programa “MPB Especial”, de Fernando Faro, acompanhado do conjunto de choro Evandro e seu Regional. Em 1980, lança seu primeiro LP como cantor, a convite de Júlio Moreno, pela gravadora Eldorado. Com o título “Recomeço”, Henricão retoma sua parceria com Carmen Costa, regravando os maiores sucessos de sua carreira. Entre os anos de 1981 e 1982, é eleito rei momo da cidade de São Paulo, até falecer em 1984, aos 73 anos, vítima de um AVC. Como legado, deixa uma obra que se destaca pelos sambas, muitos deles acompanhados por regionais de choro e solos de flauta, como o samba sincopado.

Itapira

Durante toda a sua vida, Henricão tradicionalmente voltava a Itapira para a celebração da “Festa de Maio”, conhecida também como “Festa do 13”, em comemoração à libertação dos escravos e em honra a São Benedito. Muito devoto, Henricão fazia parte da Irmandade de São Benedito e participava dos ritos religiosos sempre vestido com a capa da Irmandade e a medalha do santo.

No carnaval de 1981 a Escola de Samba da Vila Ilze presta uma homenagem a ele com o samba enredo “O Sonho do Pintor”.

Em 20 de setembro de 1983, foi homenageado pela Câmara Municipal de Itapira e em seu discurso diz que talvez aquela fosse a última homenagem que receberia em vida. Henricão faleceu nove meses depois, em 11 de junho de 1984, na cidade do Rio de Janeiro.

Já nos anos 90, foi inaugurada em Itapira, no bairro Vila Boa Esperança, a Praça “Henrique Felipe da Costa”, que abriga o Busto da Mãe Preta, tornando-se um marco importante da “Festa de Maio”.

Matéria: ASCOM

  

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