Mais fôlego para a retomada – Wilson Poit

A pandemia da Covid-19 atingiu nossa sociedade em vários níveis: além das milhares vidas lamentavelmente perdidas, a doença levou a um cenário de fechamento de empresas e de desemprego. Durante o período em que se fizeram necessárias medidas de distanciamento social para conter o avanço da pandemia, inúmeros pequenos negócios se viram obrigados a baixar as portas e suspender as atividades, enquanto uma boa parte tentava se adaptar com a maior rapidez possível aos novos tempos, investindo em delivery e marketing digital, ainda que entre erros e acertos.

Hoje, mais de cem dias após o início da declaração de quarentena no Estado de São Paulo, já há sinais de retomada em algumas regiões e perspectivas de recuperação do período de baixa no faturamento. Para alguns setores, em especial para aqueles que dependem do fluxo de pessoas nas ruas, como salões de beleza, academias, bares e restaurantes, essa retomada será mais difícil. Será preciso apertar ainda mais o cinto enquanto os clientes não estiverem dispostos a circular e a consumir como antes. No caso dos Microempreendedores Individuais (MEIs), que têm o caixa muito enxuto e dependem do dinheiro de hoje para pagar as contas de amanhã, essa situação é ainda mais preocupante.

Diante desse cenário, sabemos que uma das principais demandas dos donos de pequenos negócios é por crédito barato e sem burocracia. É aquele dinheiro que vai garantir um mínimo de capital de giro, que vai ajudar a pagar as contas de luz e de água, que vai servir para comprar matéria-prima em falta para manter as portas abertas. Na prática, porém, a maioria dos empreendedores que busca crédito está se frustrando, seja com as dificuldades de acesso ou com a falta de informação. Talvez isso explique um dado revelado por uma pesquisa do Sebrae feita entre 29 de maio a 2 de junho sobre o impacto do novo coronavírus nos pequenos negócios: mesmo com a queda acentuada no faturamento, 61% dos empreendedores não haviam buscado crédito desde o início da pandemia. Ou seja, por receio de taxas de juros elevadas e do excesso de burocracia, muitos preferem abrir mão de um empréstimo – nem que para isso precisem demitir, atrasar contas ou até mesmo encerrar as atividades.

Por isso, desde o início da pandemia, um dos pontos centrais de atuação do Sebrae-SP é com a questão do acesso ao dinheiro. Isso se transformou em uma missão com a parceria de lançamento do Programa de Crédito Retomada, um movimento para ajudar a amortecer os impactos da crise sobre os pequenos empreendedores, de modo a contribuir para viabilização de concessão de créditos com linhas que variam de zero a 0,7% ao mês, contando para isso com a parceria das fintechs e maquininhas de cartão de crédito. Todo o processo de obtenção do empréstimo é online, realizado em até sete dias e, ao final dessa primeira etapa, esperamos que cerca de três mil MEIs e Microempresas paulistas sejam contempladas e beneficiadas com o desembolso de R$ 50 milhões a ser realizado.

Porém, mais do que acesso ao dinheiro na conta, o que pretendemos é levar para os pequenos empreendedores conhecimento e educação financeira para que o crédito não se perca em meio às contas do dia a dia, e sim que seja capaz de construir algo com planejamento e foco nos resultados. A experiência do Sebrae-SP nesse momento é o remédio ideal para fortalecer a saúde dos pequenos negócios e contribuir para a recuperação da nossa economia.

Wilson Poit – diretor-superintendente do Sebrae-SP

  

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