Marcas de um passado ainda presente

*Paula Toyneti Benalia

Há quem diga que a infância é esquecida, que nada daquele nosso
passado importa. Será mesmo? Eu não sei você, mas eu tenho
lembranças de momentos muito felizes e de outros bem tristes de quando
era apenas uma criança. E esses acontecimentos ficaram marcados na
minha memória.

Isso não é invenção. Aquelas lembranças que você tem meio
borradas, mas que despertam sentimentos fortes, estão aí dentro em
algum lugar.

O bebê na barriga da mãe escuta as vozes de quem fala com ele e as
reconhece ao nascer – esse é o poder que, nós, adultos, temos com os
pequenos, sejam nossos filhos, parentes próximos, cuidadores ou
educadores.

As experiências boas ou ruins vão influenciar nosso comportamento ao
longo da vida. Os traumas de infância afetam os relacionamentos na vida
adulta e, o que nos ensinam na tenra idade, será o que nos molda no
futuro. E nesse espaço de tempo os traumas podem marcar toda a
existência.

Eventos traumáticos presenciados na juventude tem impacto na sua saúde
mental, emocional e física. Muitas vezes, vão precisar de tempo,
tratamento e ajuda psicológica para superar esses episódios.

O adulto é reflexo da criança que foi um dia, afinal, um trauma não
fica só na infância, é carregado por longos anos, às vezes,
permanece para sempre. Os efeitos devastadores deste impacto aparecem em
forma de pesadelos, dificuldade para dormir, facilidade ou dificuldade
para chorar, comportamentos agressivos, isolamento social, crises de
pânico, falta de apetite, compulsão alimentar, medo intenso, entre
outros.

Podemos livrar nossas crianças dos traumas? Nem sempre, mas podemos
não os negligenciar e buscar ajuda de profissionais qualificados é
fundamental nesse processo.

Se você se identificou com alguns desses problemas, procure auxílio de
um profissional e não deixe que o presente se confunda com o passado.

Paula Toyneti Benalia é formada em psicologia, empreendedora e
escritora; entre suas obras está a trilogia Deusas de Londres.