Morador recebe alta após usar pulmão artificial na luta contra Covid-19

Após 73 dias internado, o analista de logística Paulo Sérgio Smizmaul, 53 anos, venceu uma dura batalha contra a Covid-19. O morador de Paulínia (SP) recebeu alta do hospital nesta sexta-feira (10) e contou que passou mais de um mês ligado a um pulmão artificial enquanto seu órgão se recuperava – o tratamento utilizado foi o mesmo do ator Paulo Gustavo, a ECMO. Apesar da gravidade do quadro, ele afirmou que sempre se manteve confiante: “Nunca me passou a morte pela cabeça”.

Sérgio relatou que começou a sentir sintomas como febre e cansaço por volta do dia 24 de junho, e procurou o Hospital Municipal de Paulínia, onde fez o teste que constatou a presença do coronavírus no organismo.

“No dia 29 eu fui internado. Foi uma evolução muito rápida e sempre para pior. Começou com uma febre que o remédio não cortava e a saturação [do oxigênio] começou a cair”, relatou.

Inicialmente, Paulo ficou em um leito comum para casos de Covid-19 pelo SUS em Paulínia. Após uma semana e com piora do quadro, ele foi intubado.

“Eu pedi para ser intubado no Hospital Municipal, porque eu não conseguia dormir. Eu chamei o médico e falei: doutor, eu não aguento mais, estou cansado, esgotado, preciso dormir”, disse.

O pedido foi atendido e o analista de logística acabou transferido para o Vera Cruz Casa de Saúde, em Campinas. Ele ficou cerca de seis dias na unidade e, em seguida, foi encaminhado para o Vera Cruz Hospital por conta da necessidade de começar o tratamento com o pulmão artificial.

De acordo com o médico Maurício Marson, responsável pelo time de ECMO, Sérgio teve uma melhora na qual foi possível desligar a máquina, mas logo precisou retornar. No total, foram 31 dias em que o paciente ficou ligado ao aparelho.

“O organismo do paciente respondia bem, chegamos a interromper momentaneamente o suporte da ECMO, porém foi necessário o retorno em curto período após reavaliação, devido à permanência em estado crítico por um tempo considerável. Na semana seguinte, ele já estava melhor e o aparelho foi retirado”, explicou Marson.

‘Sempre fui sereno’

Apesar do receio em relação a intubação, Paulo contou que não teve medo. “Todo mundo diz que intuba e não volta mais, mas o médico me explicou que não era bem assim e, naquele momento, eu achei que seria a melhor coisa a fazer”, lembrou.

Sérgio acrescentou que, apesar do processo longo de recuperação, tentou manter a tranquilidade. “Eu sempre fui sereno em relação a isso”, disse o analista de logística.

Vacina não chegou a tempo

Além de não fazer parte da faixa etária considerada como grupo de risco, Sérgio afirmou que também não possui histórico de doenças que poderiam explicar o quadro de saúde grave. No entanto, ele disse que, dias antes de começar a perceber os sintomas, havia aberto o agendamento da vacinação contra Covid-19 para moradores com 53 anos, mas não conseguiu uma vaga.

“Em Paulínia, deixaram três dias para a minha faixa etária, mas eu entrava no site da prefeitura para agendar e não conseguia. Então, eu peguei Covid e não pude tomar a vacina”, completou.

De acordo com o analista de logística, os médicos recomendaram esperar mais 40 dias para receber a alta completa e poder ser imunizado contra o coronavírus. “Quero que nunca mais aconteça isso comigo, pelo amor de Deus”, ressaltou.

Fonte: G1

  

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