Os Animais Sonham – A Neurociência confirma

Parte da Humanidade que subestima os animais não imagina que eles sonham como todos nós.  Sim, eles sonham e não há dúvidas sobre isso! Estudos à luz da neurociência confirmam e, de acordo com registros eletroencefalográficos, os animais durante a fase REM (período dos sonhos) demonstram tal característica, principalmente, mamíferos e aves. Estudos ainda não são conclusivos em relação a répteis, todavia, com o avanço das pesquisas neurocientíficas, em breve tempo teremos uma resposta definitiva sobre o alusivo assunto. 

SONO R.E.M –  Rapid Eye Movement  ou movimento rápido dos olhos

Segundo Michel Valentin Jouvet, emérito professor de Medicina Experimental da Universidade de Lyon, França, o sono R.E.M. pode ser um processo filogenético relacionado aos animais de sangue quente, contudo, ainda há muito a ser descoberto.  Embora os répteis não se enquadrem neste contexto, é bem possível que eles também sonhem, afinal, são sencientes como todos os demais. A filogenia estuda a evolução de organismos, especificamente animais, ou seja, a  posição de cada um em relação aos seus antepassados.  

A revista Neurobiology of Learning and Memory  também confirma a capacidade de sonhar nos animais mamíferos e aves.  A neurociência entende que a qualidade e a quantidade de sono em animais é relativa e inversamente relacionada ao grau pelo qual as espécies lidam com o perigo predatório, por isso, pouco dormem.

REVISTA CURRENT BIOLOGY – ratos sonham e são solidários entre si

Pesquisadores do MIT – Massachussets Institute of Technology conseguiram manipular e entender o conteúdo do sonho nos ratos em laboratório.  Através de um sinal sonoro, ativando memórias associadas a experiências vividas em dias anteriores, percorrendo labirintos em busca de comida, ensinando-os a seguir alguns dos sinais emitidos, chegaram a esta conclusão.  Monitoraram suas atividades cerebrais, observando o estado de sono profundo.  Eles sonham, inclusive, com lugares aonde desejam ir.  Conclui-se, então, que não são diferentes de nós, humanos, em relação a esta peculiaridade. 

ELES SENTEM MEDO E SÃO SOLIDÁRIOS ENTRE SI – agem como nós, humanos    

Curiosamente, outra pesquisa revela algo jamais imaginável em tempos passados – a atitude destes roedores, em determinado momento, assemelha-se a  de humanos, em relação à solidariedade aos seus pares.  De acordo com a citada revista, ratos oferecem ajuda ao seu pares, sem que isso implique qualquer tipo de retribuição.  Em suas pesquisas, Philip Low e sua equipe separou um grupo de doze ratos e, em três deles, injetou substância letal, levando-os à morte.  Os demais que assistiram, começaram a tremer e se agruparam, ficando juntos, demonstrando intenso medo e estresse, solidários ao sofrimento dos que foram cobaias e morreram. Posteriormente, os neurocientistas retiraram uma substância do organismo deles – hormônio liberador de corticotrofina – a mesma substância encontrada no organismo de humanos que sofrem de depressão. Embora tenha sido uma experiência cruel, constatou-se que eles não podem ser maltratados, pois sentem dor, têm estresse, medo  e sonham como todos nós.   

À luz dos fatos citados,  conclui-se que todos os animais merecem respeito e não podem jamais ser maltratados.  Nem os ratos, mesmo ciente que a sociedade, em grande parte, maltrata-os impiedosamente.  Agora, ciente da verdade, vamos nos educar, sensibilizar nossa alma para que a crueldade animal seja definitivamente afastada e que a vida de qualquer ser senciente, mesmo não sendo a humana, seja respeitada, afinal, viver é direito de todos os seres sencientes, inclusive, conforme explicitado na Constituição Federal em seu artigo 225 §1º / VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção das espécies ou submetam os animais à crueldade.  Viver é o verbo a ser conjugado no presente e no futuro, afinal, somos responsáv eis pela natureza, ou seja, fauna e flora, independente das espécies e suas variedades.

EDUCAR NAS ESCOLAS – entendo ser indispensável  educar em toda rede escolar no Brasil sobre a Senciência e Direitos dos Animais

À luz dos fatos, sou amplamente favorável à disciplina A Senciência e Direitos dos Animais em toda rede escolar no Brasil, inclusive, no curso superior, como disciplina propedêutica no contexto do ensino sobre Direito Ambiental.  Estamos em pleno século XXI, novos tempos e não podemos minimizar os problemas que ocorrem com os animais, não apenas nestas experiências e descobertas científicas, mas, com uma sociedade que negue também atividades como rodeios, vaquejadas, farra do boi, sacrifício de animais e todos e quaisquer rituais religiosos.  A legislação protetiva à fauna é bem definida, negando qualquer tipo de maus-tratos e crueldade a eles, sem exceção.

Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem – agora, é necessário civilizar o homem em relação à natureza e animais.”
Victor Hugo – poeta e ensaísta francês – séc. XIX

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Gilberto Pinheiro é jornalista, palestrante em escolas, faculdades sobre a senciência
e direitos dos animais, ex-articulista da AMAERJ – Associação dos Magistrados do Estado
do Rio de Janeiro e consultor da Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB/RJ
Ordem dos Advogados do Brasil seccional RJ

 


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