Pais questionam a merenda e Secretária afirma: “as crianças não ficaram sem comida”

Muitos pais de alunos possenses terminam o ano de 2016 com muitas dúvidas e reclamações em relação a merenda escolar. Chegou ao conhecimento da imprensa que o alimento oferecido para os estudantes de Santo Antônio de Posse teve queda na qualidade e, em alguns casos, na quantidade das porções do alimento distribuídos aos alunos.

O Jornal Possense conversou com alguns pais de alunos da rede municipal, mas encontrou dificuldade na liberação do uso de suas falas na matéria. Dessa forma, apenas duas mães concordaram em dar entrevista, desde que não fossem identificadas.

Com dois filhos, um matriculado na 6ª série da EMEF Professora Isaura de Carvalho Coelho e outro na EMEI Albertina de Moraes Longhi, a mãe conta que após o término das eleições a situação piorou. “É uma situação vergonhosa, na creche foi realizada uma reunião no dia 5 onde nos informaram que a verba para compra da merenda havia sido liberada. Já na escola, a reunião ficou só pro dia 9 para acertarmos a rematrícula”, afirmou. O filho mais velho foi dispensado das aulas no dia 28, quando a diretoria da escola entrou em contato com as mães pedindo autorização para liberação dos alunos. Ao chegar em casa o menino trazia um bilhete notificando o fim do ano letivo em 29 de novembro (anteriormente estava previsto para terminar em 16 de dezembro).

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A imagem acima circulou nas redes sociais. O Departamento de Alimentação Escolar explicou que o prato consiste em arroz de forno com presunto e queijo.

Após a dispensa dos alunos das escolas de ensino fundamental, a prefeitura voltou atrás e anunciou o retorno das aulas no dia 5 de dezembro. O calendário anual das creches não foi modificado em momento algum, mas ficou por conta dos responsáveis a decisão de continuar enviando seus filhos para as aulas.

A segunda mãe enfrentou outro problema além da merenda. Seu filho de 3 anos foi matriculado na EMEI Olga Amélia, mas por conta de uma reforma todos os alunos foram realocados para a EMEF Elisabete Lala Villalva. “Eu fui até a Câmara fazer a denúncia da obra que não acabava mais, mas não adiantou nada. No final das contas, eles foram transferidos por causa da reforma e dispensados mais cedo por conta da merenda”, contou.

“Meu filho estava estressado, cansado, chegava no portão da escola e ele não queria entrar de jeito nenhum. Um dia me mandaram isso [foto do prato de merenda tirada na escola Mª Carolina], e me disseram que eles estavam comendo arroz com molho, sem tempero, só com sal e quem não comesse só teria bolacha água e sal como refeição à tarde”, reforçou. A mãe então decidiu que não ia mais mandar o filho para a creche, pois ficou receosa do mesmo estar acontecendo na escola de seu filho, mas conta que recentemente conversou com funcionárias que notificaram que a merenda estava sendo servida como estipulado pelo cardápio a ser seguido.

Prefeitura

O Jornal Possense entrou em contato com a Secretária de Educação, Jocymara Aparecida de Campos, para verificar a situação em relação a merenda escolar. A Secretária afirmou que o Departamento de Alimentação Escolar precisou, de fato, remanejar o cardápio ao final de setembro, uma vez que, as escolas não receberam a porcentagem de carne moída prevista no edital de compra de carnes, frios e embutidos. “Por conta disso, infelizmente tivemos que redistribuir a divisão de carnes. As escolas de tempo integral e as creches ficaram com uma porcentagem maior, pois contam com um número maior de refeições diárias”, conta Jocymara, e reforça dizendo que em momento nenhum as crianças ficaram sem comida.

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Pais reclamaram da mudança do cardápio da merenda escolar (Foto: Divulgação)

Os editais que a Secretária se refere são conhecidos como “Pregão” e funcionam da seguinte maneira: a prefeitura lista os produtos que precisa comprar, estipula um valor limite de gastos para adquiri-los e as empresas interessadas em oferecer o produto encaminham o seu valor pelos itens listados. Ao final do prazo, a empresa que registrar o menor valor “ganha” o pregão e fica responsável por oferecer o serviço. No caso da carne moída, a prefeitura encontrou dificuldade em contratar um fornecedor, pois não houve propostas. Tentou-se ainda um novo pregão que foi impugnado e o prazo limite expirou.

A Secretária explicou que após a escolha do fornecedor, é feito um empenho (que nada mais é do que a previsão de que haverá pagamento) que precisa ser encaminhado juntamente ao pedido dos produtos. Após e entrega dos itens é emitida uma nota fiscal, feito um cronograma de pagamento e o fornecedor recebe pela quantidade entregue. Mas para que todo o processo funcione da maneira como foi citado acima é necessário que haja uma Dotação Orçamentária, responsabilidade da Câmara de Vereadores, que através de um Projeto de Lei libera o repasse de verba.

Para a composição da merenda escolar são realizados cinco editais: carnes, frios e embutidos; gêneros alimentícios; aquisição de sucos; hortifrutigranjeiros e pães, lanches e bolos. Nem todos são exclusivos para a área de educação.

Jocymara afirmou que a intenção do remanejamento de cardápio nunca foi prejudicar a alimentação dos alunos e afirmou estar ciente que muitas crianças contam com as refeições oferecidas na escola como principal forma de alimentação. “Nós fazemos o possível para que todos saiam da escola alimentados, mas algumas vezes esbarramos em problemas que fogem do âmbito educacional”, lembra.

Calendário escolar

Segundo a Secretária de Educação, o período de férias escolares foi adiantado para 29 de novembro, pois o cronograma de atividades já havia sido realizado em sua totalidade e muitos pais pediram pela dispensa por conta de viagens programadas. “Muitos pais questionaram e associaram a merenda, mas é preciso deixar claro que os alunos não foram liberados por falta de alimento e sim por que todo o conteúdo já havia sido trabalhado”, afirma.

Vale lembrar que apenas as EMEFs tiveram essa mudança provisória no calendário escolar e que a decisão de retomar as aulas na segunda-feira, dia 5, e seguir com o início das férias em 16 de dezembro, se deu por conta de pedidos feitos por pais que não tinham com quem deixar seus filhos até a metade de dezembro.

Matéria: Caroline Belini

  

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